Tannhäuser no CCB: paixão, redenção e grandiosidade

Ópera Tannhäuser de Wagner no CCB Lisboa com direção de Graeme Jenkins e encenação contemporânea em abril.
Cenas da ópera Tannhäuser de Richard Wagner em apresentação no CCB com figurinos e cenografia contemporâneos

Ópera de Wagner ganha nova vida em Lisboa com encenação contemporânea e direção musical de excelência


Entre o desejo e a redenção, Wagner em estado puro


A força dramática de Richard Wagner volta a ecoar em Lisboa com a encenação de Tannhäuser, uma das mais emblemáticas óperas do repertório romântico. Em cartaz no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, nos dias 23 e 25 de abril, a produção resulta de uma coprodução com o Teatro Nacional de São Carlos, reunindo um elenco de excelência e uma abordagem estética contemporânea.

Sob a direção musical de Graeme Jenkins e com encenação assinada por Max Hoehn, o espetáculo propõe uma leitura atual de um clássico que atravessa séculos sem perder relevância. A presença da Orquestra Sinfônica Portuguesa e do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, com a participação do Coro Lisboa Cantat, reforça a dimensão grandiosa da obra.

Composta entre 1843 e 1845, Tannhäuser estreou em Dresden e ganhou novas versões ao longo da trajetória de Wagner, incluindo adaptações em Paris e Viena. A versão apresentada em Lisboa se baseia nessa evolução criativa, refletindo o amadurecimento artístico do compositor e sua busca por integração total entre música, drama e cena.

Ambientada no século XIII e inspirada na tradição dos Minnesänger, a narrativa acompanha Tannhäuser, um cavaleiro dividido entre o amor sensual da deusa Vênus e a pureza espiritual de Elisabeth. Preso no universo sedutor de Vênus, ele anseia por redenção — um tema central na obra wagneriana — e encontra na fé e no amor idealizado um caminho possível para a salvação.

A dualidade entre o carnal e o espiritual, entre o prazer imediato e a transcendência, ganha forma em uma partitura intensa, marcada por contrastes emocionais e riqueza orquestral. Wagner constrói, assim, uma experiência que vai além da música: é teatro total, onde cada elemento — da cenografia de Darko Petrovic aos figurinos de Nuno Velez, passando pelos recursos visuais de Amber Cooper-Davies — contribui para uma imersão sensorial.

No elenco, destacam-se Jonathan Stoughton no papel-título, Allison Oakes como Elisabeth e Annemarie Kremer como Vênus, ao lado de nomes como Wolfgang Rauch e André Baleiro. Juntos, dão vida a personagens que habitam um universo onde o amor é tanto perdição quanto redenção.

Antes das apresentações, o público poderá ainda participar de uma conversa pré-concerto conduzida por Inês Thomas Almeida, ampliando o  entendimento sobre a obra e seu contexto histórico e artístico.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Tannhäuser reafirma a atualidade da obra de Wagner ao explorar conflitos humanos universais com intensidade estética e musical. Esta produção no CCB demonstra como a ópera pode dialogar com o presente sem perder sua essência, oferecendo ao público uma experiência profundamente emocional e intelectualmente estimulante. 
🔎 Quer explorar mais este tema?
Escreva uma palavra relacionada com o assunto e descubra outros artigos.
Enviar um comentário

Comentários