Grupo indígena celebra 8 anos com show especial no Dia dos Povos Indígenas
Tradição que resiste, canta e dança
No próximo dia 19 de abril, o grupo Suraras do Tapajós sobe ao palco da Casa Rockambole, em São Paulo, para dar início à turnê nacional “Suraras do Tapajós - Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”. A data não é por acaso: coincide com o Dia dos Povos Indígenas, reforçando o simbolismo de uma apresentação que é, ao mesmo tempo, celebração e afirmação cultural.
Primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil, as Suraras chegam aos oito anos de trajetória como uma das vozes mais marcantes da música indígena contemporânea. E fazem-no com força — não aquela força de palco ensaiado ao milímetro, mas a que vem da terra, do rio e da memória.
A estreia em São Paulo promete mais do que um concerto. Será um encontro entre o pulsar amazónico e o circuito cultural urbano, com participação especial de Lia Sophia, artista que há muito dialoga com as sonoridades da região Norte.
Vindas de Alter do Chão, em Santarém (PA), território do povo Borari, as artistas reinventam o carimbó, tradicionalmente dominado por homens, colocando no centro a presença e a voz das mulheres originárias. O resultado? Um som que mantém raízes profundas, mas cresce com novas narrativas.
No repertório, destaque para as faixas do álbum A Força Que Vem das Águas - Kiribasáwa Yúri Yí-Itá, além de singles recentes e homenagens a referências do género, como Dona Onete. Tudo embalado por curimbós, maracas e vozes em coro que ecoam como um chamado — ou, se preferires, um aviso.
Mas não é só música. O espetáculo incorpora coreografias coletivas, interação com o público e até o tradicional banho de cheiro com ervas medicinais — uma prática ancestral amazónica ligada à cura e ao bem-estar. Aqui, o palco deixa de ser palco e passa a ser território.
“Nossa arte é luta, mas também é celebração”, resume Val Munduruku. E não é frase de efeito — é posicionamento.
Depois de passagens pela Europa, com atuações em países como França, Portugal e Finlândia, e presença em eventos como a COP30, o grupo inicia agora a maior digressão da sua carreira. Ao todo, serão 12 cidades brasileiras até dezembro, incluindo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Salvador e outras.
Mais do que concertos, a turnê propõe encontros: oficinas de carimbó, debates com coletivos indígenas e ações ligadas à moda consciente e à preservação cultural. Não é apenas um espetáculo itinerante — é um movimento em expansão.
Grupo indígena celebra 8 anos com show especial no Dia dos Povos Indígenas
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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