Café e chá podem reduzir risco de demência

Estudo de 43 anos mostra que café e chá com cafeína reduzem risco de demência e preservam funções cognitivas ao longo do tempo.
 Cartaz ilustrando café e chá com ícones de cérebro, representando proteção contra demência

Estudo de 43 anos associa consumo moderado de cafeína a melhor desempenho cognitivo


Café e chá com cafeína reduzem risco de demência em 18%


São Paulo – abril 2026 - O café é a prova viva de que é difícil agradar gregos e troianos: enquanto uns amam, outros não chegam nem perto. Mas para os amantes do cafezinho diário, um estudo de longo prazo e que acompanhou 130 mil pacientes por 43 anos mostra que a bebida faz muito mais do que ‘acordar’ o corpo: ela é protetora contra a demência. “Os resultados mostraram que a ingestão moderada de café com cafeína (2 a 3 xícaras por dia) ou chá com cafeína (1 a 2 xícaras por dia) foi associada a um risco reduzido de demência, declínio cognitivo mais lento e melhor preservação das habilidades cognitivas”, destaca a Dra. Marcella Garcez*, médica nutróloga, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). O estudo de coorte prospectivo (desenho de pesquisa epidemiológica observacional que acompanha um grupo de indivíduos saudáveis ao longo do tempo, do presente para o futuro, para determinar a incidência de uma doença ou desfecho) foi publicado no periódico JAMA.

Embora os resultados sejam encorajadores, a médica ressalta que o tamanho do efeito é pequeno e que existem muitas maneiras importantes de proteger a função cognitiva à medida que o envelhecimento acontece. “Sem dúvida, o declínio cognitivo é multifatorial e ter bons hábitos de vida é tido como fundamental para reduzir o risco de demência, mas esse estudo sugere que o consumo de café ou chá com cafeína pode ser uma peça desse quebra-cabeça", comenta. “A prevenção precoce da demência é especialmente importante porque os tratamentos atuais são limitados e, geralmente, oferecem apenas benefícios modestos após o início dos sintomas. Consequentemente, os cientistas estão cada vez mais focados em fatores de estilo de vida, incluindo a dieta, que podem influenciar o desenvolvimento do declínio cognitivo”, diz a médica.

Segundo a nutróloga, o café e o chá contêm compostos como polifenóis e cafeína, que são benéficos para a saúde cerebral. “Essas substâncias podem ajudar a reduzir a inflamação e limitar os danos celulares, ambos fatores associados ao declínio cognitivo. No entanto, pesquisas anteriores sobre café e demência apresentaram resultados contraditórios, frequentemente devido a períodos de estudo mais curtos ou dados limitados sobre padrões de consumo a longo prazo e diferentes tipos de bebidas”, comenta a Dra. Marcella.

A médica explica que os dados de longo prazo oferecem insights mais claros. Os pesquisadores analisaram como o consumo de café com cafeína, chá e café descafeinado se relacionava com os resultados de saúde cerebral a longo prazo. Entre os mais de 130.000 participantes, 11.033 desenvolveram demência ao longo do estudo. Indivíduos que consumiam maiores quantidades de café com cafeína apresentaram um risco 18% menor de desenvolver demência em comparação com aqueles que raramente ou nunca o consumiam. Eles também relataram menores taxas de declínio cognitivo subjetivo (7,8% versus 9,5%) e apresentaram melhor desempenho em certos testes cognitivos objetivos. “A cafeína pode desempenhar um papel fundamental. Padrões semelhantes foram observados entre os consumidores de chá, enquanto o café descafeinado não apresentou as mesmas associações. Isso sugere que a cafeína pode ser um fator importante por trás dos benefícios observados relacionados ao cérebro, embora sejam necessárias mais pesquisas para confirmar os mecanismos subjacentes”, diz a médica.

Os efeitos mais significativos foram observados nos participantes que consumiam de 2 a 3 xícaras de café com cafeína ou de 1 a 2 xícaras de chá por dia. “Níveis mais elevados de ingestão de cafeína não pareceram causar danos. Pelo contrário, apresentaram benefícios comparáveis à faixa de ingestão moderada destacada no estudo. O estudo também comparou pessoas com diferentes predisposições genéticas para desenvolver demência e observaram os mesmos resultados, o que significa que o café ou a cafeína provavelmente são igualmente benéficos para pessoas com alto e baixo risco genético de desenvolver demência", diz a Dra. Marcella. No entanto, a médica lembra que algumas pessoas são sensíveis à cafeína. “Elas podem apresentar problemas de digestão e gástricos, alterações de ritmo cardíaco e pressão arterial, agitação emocional e distúrbios do sono, situações em que o café deve ser deixado de lado”, finaliza a médica nutróloga.

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento. CRMPR 12559 | RQE 16019. Instagram: @dra.marcellagarcez
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