Neoplasia no pescoço: o que saber e como agir

Ilustração médica da região do pescoço com destaque para possíveis tumores e linfonodos

 
Diagnóstico que afastou narrador acende alerta para sinais e prevenção


Nem toda neoplasia é câncer, mas toda merece atenção

São Paulo – abril 2026 - A notícia de que o narrador Luís Roberto está fora da cobertura da próxima Copa do Mundo após o diagnóstico de uma neoplasia na região cervical chamou atenção para uma condição pouco compreendida pelo público. Apesar do termo gerar apreensão, o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello*, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, reforça que nem toda neoplasia significa câncer e que, em muitos casos, há tratamento eficaz, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente. “A neoplasia cervical refere-se ao crescimento anormal e desordenado de células na região do pescoço, que abriga estruturas importantes como linfonodos (gânglios linfáticos), glândulas salivares, tireoide, músculos e vasos sanguíneos. Esse crescimento pode dar origem a tumores benignos ou malignos, com comportamentos e impactos bastante distintos no organismo”, explica o oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo).

O médico explica que, nos tumores benignos, as células apresentam crescimento mais lento e organizado, sem capacidade de invadir outros tecidos ou formar metástases. “Nesses casos, é comum que o tratamento envolva apenas acompanhamento clínico ou remoção cirúrgica, com altas taxas de resolução e baixo risco de recorrência. Muitas vezes, o impacto é mais localizado e controlável, funcionando quase como um ‘intruso silencioso’ que pode ser retirado sem maiores consequências”, diz o médico. “Já nas neoplasias malignas, caracterizadas como câncer, o cenário exige maior atenção. As células passam a se multiplicar de forma descontrolada, podendo invadir estruturas vizinhas e se disseminar para outras partes do corpo. Entre os tipos mais comuns estão os linfomas, os cânceres de tireoide e os tumores de cabeça e pescoço. Nesses casos, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias-alvo, dependendo do tipo, estágio e localização do tumor”, destaca o Dr. Ramon Andrade de Mello.

Os sinais de alerta costumam surgir de forma discreta, o que pode atrasar o diagnóstico. Entre os sintomas mais comuns estão o aparecimento de nódulos ou “caroços” no pescoço, dor persistente na região cervical, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, aumento de linfonodos e, em alguns casos, perda de peso inexplicada. “A presença desses sinais por mais de duas a três semanas deve motivar investigação médica. Sabemos que diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento de neoplasias cervicais, especialmente as malignas. Tabagismo e consumo excessivo de álcool figuram entre os principais, além da infecção pelo HPV (papilomavírus humano), histórico familiar de câncer, exposição à radiação e alterações hormonais, no caso da tireoide. A idade também é um fator relevante, com maior incidência a partir da meia-idade”, comenta o oncologista.

A prevenção passa por medidas amplas de saúde: evitar o tabaco, moderar o consumo de álcool, manter acompanhamento médico regular e estar atento a mudanças no corpo. No caso do HPV, a vacinação e o uso de preservativos são estratégias importantes. “Já para doenças da tireoide, exames clínicos e laboratoriais periódicos podem ajudar na detecção precoce de alterações”, diz o médico.

Segundo o Dr. Ramon, o diagnóstico geralmente envolve exame físico, exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia e, quando necessário, biópsia para análise das células. “É justamente essa etapa que define se a neoplasia é benigna ou maligna e orienta toda a estratégia terapêutica. O ponto-chave está no tempo. Quando identificadas precocemente, muitas neoplasias cervicais, inclusive malignas, apresentam altas taxas de tratamento bem-sucedido e controle da doença. Por outro lado, o atraso no diagnóstico pode permitir a progressão do tumor e reduzir as opções terapêuticas”, comenta. “É importante deixar claro que, mesmo em um território pequeno como o pescoço, alterações discretas podem carregar significados importantes, e, quando investigadas a tempo, melhoram o prognóstico”, finaliza o oncologista.

*DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. CRMSP 181245 | RQE 67356. Instagram: @dr.ramondemello
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