Programação diversa une arte, infância e consciência ambiental no Rio
Cultura gratuita que respira comunidade
A Arena Cultural Dicró apresenta uma programação de abril que não se limita a encher agenda — preenche também o espírito. Co-gerida pelo Observatório de Favelas e pela Prefeitura do Rio, a Arena abre as portas para uma série de atividades gratuitas que cruzam arte, educação e cidadania com uma naturalidade que muitas vezes falta nos grandes centros culturais.
Ao longo do mês, o público encontra oficinas, espetáculos, práticas corporais e ações educativas que dialogam com o território e com as pessoas que o habitam. O grande destaque vai para a exposição “O Que Herdei de Meus Pais”, de Andressa Moreira, ocupando a Galeria L. Mais do que uma mostra, trata-se de um convite à reflexão sobre memória, identidade e aquilo que carregamos — às vezes sem perceber — das gerações que nos antecederam. Não é só sobre herança: é sobre o que fazemos com ela.
A programação infantil merece um aplauso à parte. O espetáculo “O Sítio do Picapau Amarelo” resgata personagens clássicos com uma abordagem renovada, enquanto a contação “O Mistério da Cobra Quietinha”, inserida no projeto Agroflorestinha, planta (literalmente) sementes de consciência ambiental nas crianças. Já o Quintal da Dicró cumpre aquele papel essencial de deixar a criançada brincar — coisa simples, mas cada vez mais rara.
Outro momento relevante é “Renatinha e Dita: literando com músicas e brincadeiras antirracistas”, que aborda temas como autoestima e representatividade de forma acessível e necessária. Sem rodeios: educação também passa por aqui, e passa bem.
A Agroflorestinha, aliás, não é só nome bonito. O projeto promove oficinas de plantio e práticas de agroecologia urbana, mostrando que sustentabilidade não é conceito abstrato — é prática diária, com terra nas mãos.
No teatro, “O Casamento da Cinderela” dá continuidade a um clássico, provando que histórias antigas ainda têm fôlego para novos capítulos. Já na dança, o Bailão do Ary e a Cypher do Passinho transformam o espaço em pista, palco e ponto de encontro — porque cultura também se faz com o corpo em movimento.
O cinema marca presença com a exibição de “(En)Cantos da Penha”, no Cineclube Adélia Sampaio, trazendo um olhar sensível sobre a riqueza cultural do subúrbio da Leopoldina. É o tipo de obra que lembra: há beleza onde muitos não costumam olhar.
Além disso, a Arena mantém uma programação regular com oficinas de ballet, jazz, teatro, dança de salão e música, além de aulões semanais de capoeira, charme, zumba, passinho e danças árabes. Traduzindo: há sempre qualquer coisa a acontecer — basta aparecer.
Serviço | Arena Cultural Dicró
Endereço: Rua Flora Lobo s/n, Parque Ary Barroso, Penha Circular – Rio de Janeiro – RJ
Funcionamento: terça a sexta, das 13h às 21h; sábados e domingos, das 10h às 21h
Classificação indicativa variada conforme a atividade
Quartas-feiras: instrumentos musicais e dança de salão
Quintas-feiras: teatro
Sextas-feiras: zumba, passinho e Quintal da Dicró
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que muitas agendas culturais parecem feitas para impressionar, a programação da Arena Dicró aposta no essencial: inclusão, acesso e significado. Não é só o que acontece ali — é o que fica depois.
Programação diversa une arte, infância e consciência ambiental no Rio
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
Comentários
Enviar um comentário
🌟Copie um emoji e cole no comentário: Clique aqui para ver os emojis