Entre o caos e a dúvida, a banda transforma inquietação em som cru e honesto
Fatigati prefere perguntas incómodas a respostas fáceis
O projeto Fatigati volta a dar sinais de vida — e de inquietação — com o lançamento do single “Nenhum Ponto Final”, divulgado nesta terça-feira (24). A nova faixa antecipa o EP de estreia “A Seguir”, previsto para o segundo semestre do ano, e sucede “Nada Vai Durar” (2025), mantendo viva a coerência de um percurso que não se quer acomodado.
Por trás de tudo está Michel Angelo, cérebro e coração do projeto, assumindo voz, guitarras e baixo. Mais do que um exercício musical, Fatigati afirma-se como um espaço de reflexão sonora, onde cada acorde parece carregar mais perguntas do que respostas.
“Nenhum Ponto Final” nasce precisamente dessa recusa em aceitar verdades prontas. Michel explica que a canção mergulha na ideia de que muitas das respostas que encontramos sobre o mundo não passam de mecanismos de defesa — formas de suavizar o medo perante o desconhecido e aquilo que escapa ao nosso controlo. Traduzindo: gostamos de certezas porque o caos dá trabalho.
A faixa integra uma narrativa que se vem desenhando desde o primeiro lançamento. Não se trata de músicas soltas, mas de capítulos de um mesmo livro emocional. As composições surgem de experiências pessoais, reflexões sobre o tempo, decisões e o inevitável processo de amadurecimento. E aqui não há romantização: crescer também é perder algumas ilusões pelo caminho.
Se “Nada Vai Durar” apontava diretamente para a impermanência — aquele lembrete agridoce de que tudo passa —, “Nenhum Ponto Final” dá um passo além. Em vez de aceitar essa transitoriedade, questiona a obsessão humana por conclusões definitivas. Afinal, por que precisamos tanto de fechar tudo com um ponto final, quando a vida insiste em escrever reticências?
Formada em Poços de Caldas, Minas Gerais, Fatigati bebe da energia crua do hardcore, da atitude do punk e da liberdade do rock alternativo. A produção mantém-se fiel à proposta independente: é o próprio Michel quem assume os comandos, garantindo uma identidade sonora sem filtros nem concessões.
O lançamento chega através do selo Tapebox, também assinado pelo músico, reforçando a lógica de autonomia criativa que define o projeto.
No fundo, Fatigati não quer dar respostas. Quer fazer as perguntas certas — e, convenhamos, isso já é meio caminho andado para não adormecer ao volante da existência.
Num tempo em que tudo parece exigir certezas rápidas e opiniões definitivas, projetos como Fatigati lembram-nos que a dúvida também é um lugar fértil — e, muitas vezes, mais honesto.
Entre o caos e a dúvida, a banda transforma inquietação em som cru e honesto
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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