Minimalismo em diálogo com arte contemporânea no CCB
Quando a repetição se transforma em revelação. No MAC/CCB, a música não se ouve apenas — contempla-se.
O ciclo Música no Museu regressa ao MAC/CCB no próximo sábado, 7 de março, para uma tarde onde o som e a forma se encontram em pleno. A iniciativa nasce da colaboração entre o Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura e as Artes Performativas do CCB, com programação musical de Cesário Costa, afirmando-se como um dos projetos mais estimulantes na intersecção entre artes visuais e música contemporânea.
Antes do concerto, às 15h30, o público é convidado a participar numa visita guiada conduzida por João Mateus, sob o tema Geometria Óptica. A proposta é simples e ao mesmo tempo desafiante: estabelecer pontes entre as obras da Coleção Berardo e os universos sonoros que serão escutados de seguida. Uma espécie de aquecimento sensorial onde linhas, planos, cores e volumes encontram eco em padrões rítmicos, texturas e silêncios.
Às 16h00, entra em cena o Duo Sirius, formado por Diogo João e Márcio Silva, nas guitarras clássicas e elétricas. O programa, intitulado Repetições Transitórias, mergulha no universo da música minimalista, explorando tanto a sua dimensão espiritual e contemplativa quanto o seu lado mais pulsante e hipnótico. Aqui, a repetição não é redundância: é transformação em movimento lento, quase impercetível, mas profundamente eficaz.
O alinhamento inclui obras de nomes incontornáveis como Philip Glass, com Mad Rush, Arvo Pärt, com Da pacem Domine, e Steve Reich, com a emblemática Electric Counterpoint, estruturada em três andamentos contrastantes. Estes compositores ajudaram a redefinir a escuta contemporânea, mostrando que a insistência pode ser tão poderosa quanto o virtuosismo.
Ao lado destes mestres, surgem vozes que prolongam e reinventam essa herança: Atanas Ourkouzounov, Marek Pasieczny e Gulli Björnsson, este último com duas peças em destaque — uma delas em estreia absoluta e outra em estreia em concerto. Uma afirmação clara de que o minimalismo não é apenas memória do século XX, mas matéria viva e em expansão.
Importa sublinhar que, nos dias do ciclo Música no Museu, o programa A Voz das Cores, da Antena 2, da autoria de Andrea Lupi, dedica-se integralmente ao concerto e às obras que podem ser visitadas no MAC/CCB, prolongando a experiência para lá da sala de espetáculo.
Entre cordas dedilhadas e padrões repetidos até ao transe subtil, o Duo Sirius promete uma viagem onde cada nota parece igual à anterior — até se perceber que já mudou tudo.
Num tempo em que tudo é imediato e descartável, há propostas que convidam à pausa e à escuta atenta. O ciclo Música no Museu é uma dessas raridades: um espaço onde arte e som se cruzam sem pressas, lembrando-nos que repetir também é aprofundar.
Minimalismo em diálogo com arte contemporânea no CCB
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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