A doença renal crônica pode avançar durante anos sem dar qualquer sinal
Quando surgem sintomas, muitas vezes os rins já perderam boa parte da função
Celebrado a 12 de março, o Dia Mundial do Rim integra uma campanha internacional dedicada à consciencialização sobre a importância do diagnóstico precoce das doenças renais. A iniciativa procura também reforçar a ligação entre saúde e sustentabilidade, lembrando que cuidar do corpo humano também passa por proteger o ambiente em que vivemos.
A doença renal crônica é considerada uma enfermidade silenciosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 10% da população conviva com o problema, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar da dimensão do número, muitos casos continuam a ser descobertos apenas em fases avançadas da doença.
O nefrologista Dr. Filipe Miranda Bernardes, do Grupo São Lucas Ribeirão Preto, explica que a principal dificuldade está precisamente na ausência de sintomas no início do processo.
“A doença renal crônica não costuma causar dor ou sinais específicos no começo. O rim vai perdendo função lentamente e o organismo compensa por muito tempo. Quando surgem sintomas como inchaço, anemia ou pressão descontrolada, muitas vezes a função já está bastante comprometida”, afirma.
Essa característica silenciosa faz com que muitos pacientes procurem ajuda médica apenas quando o quadro já está agravado. O diagnóstico tardio pode provocar complicações cardiovasculares e, em situações mais severas, levar à necessidade de tratamentos como diálise ou transplante renal.
A boa notícia é que a deteção precoce pode ser feita com exames simples e amplamente disponíveis. Entre os principais testes estão a dosagem de creatinina no sangue, o cálculo da taxa de filtração glomerular (TFG) e a análise de albumina na urina. Esses exames permitem avaliar o funcionamento dos rins e identificar alterações ainda nas fases iniciais da doença.
Segundo o especialista, descobrir o problema cedo abre caminho para tratamentos mais eficazes.
“Quando identificamos a doença nas fases iniciais, conseguimos controlar melhor fatores como pressão alta e diabetes, ajustar medicações e introduzir tratamentos modernos que reduzem a progressão da doença. Diagnóstico precoce significa mais tempo com os rins funcionando e mais qualidade de vida”, destaca.
Sustentabilidade também entra em pauta
A campanha de 2026 traz como tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, chamando atenção para a relação cada vez mais evidente entre saúde renal e condições ambientais.
Fatores como ondas de calor extremo, episódios frequentes de desidratação e níveis elevados de poluição têm sido associados ao aumento do risco de lesões renais. Esses elementos reforçam a necessidade de políticas públicas que integrem saúde e meio ambiente.
Além disso, o próprio tratamento da doença renal exige recursos significativos. A hemodiálise, por exemplo, utiliza grandes volumes de água tratada — entre 120 e 200 litros por sessão. Considerando que muitos pacientes realizam três sessões semanais, o impacto ambiental torna-se relevante.
“O nosso país ainda enfrenta desigualdades no acesso aos exames simples de deteção e diagnóstico, bem como barreiras que impedem que muitos pacientes recebam o tratamento necessário. Por isso, sustentabilidade na saúde também precisa entrar na pauta da nefrologia, com tecnologias mais eficientes, reaproveitamento responsável e consciência ambiental”, ressalta o médico.
Avanços da ciência trazem novas perspectivas
Apesar dos desafios, a medicina continua a avançar rapidamente no campo da nefrologia. Pesquisadores em diferentes partes do mundo estudam soluções inovadoras, como rins artificiais portáteis e dispositivos implantáveis capazes de substituir parcialmente a função renal.
Recentemente, um xenotransplante experimental — procedimento que consiste no transplante de órgãos entre espécies diferentes — foi realizado no Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos. Nesse caso, utilizou-se um rim proveniente de porco, num passo significativo nas pesquisas sobre transplantes com órgãos de origem animal.
Paralelamente, novos medicamentos têm demonstrado resultados promissores na redução da progressão da doença renal crônica e no controlo do risco cardiovascular, especialmente em pacientes com diabetes.
Mesmo com esses avanços, os especialistas insistem que a prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz. Pessoas com fatores de risco devem monitorizar regularmente a saúde renal. Entre os principais grupos de atenção estão indivíduos com diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal, pessoas que já apresentaram alterações em exames e aquelas que vivem apenas com um rim.
“A doença renal não dói, mas progride. Quanto mais cedo identificarmos, maior a chance de controlar. Cuidar dos rins é cuidar do coração, do cérebro e da qualidade de vida. Prevenção e diagnóstico precoce salvam rins e salvam vidas”, conclui o especialista.
Sobre o Grupo São Lucas
O Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP) é uma marca de tradição, qualidade e confiança em medicina de excelência há mais de 50 anos, com médicos especialistas, atendimento humanizado e estrutura própria com alta tecnologia. É composto pelo Hospital São Lucas, Hospital São Lucas Ribeirania e São Lucas Medicina Diagnóstica. O Grupo, localizado em Ribeirão Preto (SP) é administrado pela Hospital Care, uma holding de serviços de saúde formada por mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas, em 7 cidades do país.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
O Dia Mundial do Rim recorda uma realidade pouco visível, mas preocupante: milhões de pessoas convivem com doença renal sem saber. Informação, exames simples e prevenção continuam a ser as armas mais eficazes para travar um problema que evolui em silêncio.
A doença renal crônica pode avançar durante anos sem dar qualquer sinal
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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