Casa Rio entra numa nova fase cultural

Funarj assume gestão da Casa Rio, reforçando o papel do espaço como polo de criação e encontro artístico no Rio de Janeiro.
Evento de transição da gestão da Casa Rio pela Funarj com artistas e autoridades presentes

Funarj assume gestão total e reforça papel da arte no Rio


A cultura não se herda: constrói-se, dia após dia


A Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) assumiu, na última quinta-feira (26), a gestão integral da Casa Rio, situada em Botafogo, num evento simbólico que marcou a transição de um modelo de administração partilhada para uma liderança exclusiva da instituição pública. Até então gerido em parceria com a organização People’s Palace Projects, o espaço entra agora numa nova etapa da sua história.

A cerimónia reuniu autoridades, artistas e convidados, num ambiente que misturou celebração e expectativa. Mais do que uma formalidade institucional, o momento simbolizou a continuidade de um percurso construído ao longo de uma década, período em que a Casa Rio se consolidou como residência artística e ponto de encontro entre criadores de diferentes áreas.

Ao assumir o controlo total do espaço, a Funarj não rompe com o passado — pelo contrário, herda e reforça um legado. A proposta mantém-se: um lugar de experimentação, convivência e intercâmbio cultural. Mas há agora uma promessa implícita de expansão, de maior integração com a rede cultural do estado e de reforço das atividades abertas ao público.

O presidente da Funarj, Jackson Emerick, destacou o simbolismo do momento, sublinhando o papel da arte como parte integrante da identidade da instituição e da própria história do país. Não foi um discurso protocolar — foi quase uma declaração de princípios: estar próximo da arte é estar próximo da memória e do presente.

Entre os nomes presentes estiveram artistas como Nico Rezende, Biafra, Jane Duboc e Jay Vaquer, figuras que, ao longo dos anos, ajudaram a dar vida ao espaço. A presença destes nomes reforça algo simples, mas essencial: a Casa Rio não é apenas um edifício — é uma comunidade artística em constante movimento.

O novo diretor, Paulo Grijó, assumiu o cargo com um discurso marcado pela responsabilidade e pela emoção. A entrega simbólica da chave não foi apenas um gesto — foi um compromisso público de continuidade e cuidado com um espaço que já conquistou identidade própria.

Criada como residência artística, a Casa Rio acolheu centenas de artistas nacionais e internacionais ao longo dos anos. Oficinas, apresentações, intercâmbios e atividades abertas ao público fizeram do espaço um dos polos mais relevantes da criação contemporânea na cidade. Um lugar onde ideias ganham forma — e onde, muitas vezes, o improvável acontece.

Com a integração plena na estrutura da Funarj, abre-se agora um novo capítulo. A expectativa é clara: manter a essência, mas ampliar horizontes. Porque na cultura, ficar parado é a única forma garantida de desaparecer.

E como bem resumiu Biafra, num tom direto e sem rodeios: afastar o povo da arte nunca foi — nem nunca será — uma opção viável.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
A Casa Rio prova que a cultura sobrevive quando há continuidade com visão. A mudança de gestão não apaga o passado — dá-lhe futuro, e isso, convenhamos, já não é pouco nos tempos que correm. 
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