Nova plataforma pública garante rastreabilidade e atende exigências europeias
Produzir já não basta. Agora é preciso provar que se produziu bem.
Na manhã de 24 de fevereiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou oficialmente, em Brasília, a Plataforma Parque Cafeeiro, uma ferramenta pública, gratuita e de acesso universal destinada a toda a cadeia produtiva do café. Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a iniciativa nasce com um objetivo claro: certificar que o café brasileiro exportado é livre de desmatamento, respondendo diretamente às novas exigências impostas pela União Europeia.
A medida surge no contexto do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que determina que produtos como o café apenas possam entrar no mercado europeu se forem provenientes de áreas onde não tenha havido desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Ou seja, não basta plantar: é preciso demonstrar, com dados verificáveis, que o cultivo respeitou critérios ambientais rigorosos.
Com chancela do Governo Federal, a nova plataforma permite que produtores emitam declarações de conformidade ambiental, desde que cumpram as diretrizes exigidas pelas normas europeias. Exportadores, cooperativas e demais agentes do setor passam também a ter acesso a relatórios oficiais capazes de comprovar aos importadores internacionais a origem regular dos lotes de café, reforçando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
O principal diferencial do sistema está na sua arquitetura tecnológica, baseada na integração com bases governamentais por meio de Interfaces de Programação de Aplicações (APIs). Esta interligação permite a atualização quase em tempo real das informações, assegurando consistência de dados, acompanhamento contínuo das áreas produtivas e alinhamento com as diretrizes de governança pública.
O monitoramento ambiental apoia-se em dados atualizados do Projeto PRODES, que acompanha por satélite o desmatamento da floresta amazônica brasileira, incluindo o chamado Marco Temporal, que mede a evolução da supressão vegetal desde a Constituição de 1988 até 2020. A ferramenta cruza ainda informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), verificando se as propriedades com produção cafeeira registaram desmatamento superior a meio hectare após 2020 ou apresentam sobreposição com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas ou Unidades de Conservação.
Entre 2021 e 2025, o mapeamento das lavouras de café em todo o território nacional foi realizado com recurso a inteligência artificial aplicada à análise de imagens de satélite de alta resolução. A metodologia recorre a Redes Neurais Convolucionais, capazes de identificar padrões visuais associados a lavouras em produção ou em desenvolvimento, tendo em conta práticas de manejo agrícola, variações temporais e características fenológicas da cultura.
O sistema resulta de um esforço articulado entre diversos ministérios e organismos públicos, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), permitindo estabelecer uma ligação operacional entre os imóveis produtores e os critérios europeus de desmatamento zero.
Mais do que responder a uma exigência externa, a Plataforma Parque Cafeeiro procura transformar a sustentabilidade num ativo económico mensurável. Num mercado cada vez mais sensível à origem dos produtos, a transparência dos processos passa a ser não apenas uma questão ambiental, mas também um fator determinante de valorização comercial.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Quando a sustentabilidade deixa de ser apenas discurso e passa a ser certificação, o café brasileiro mostra que, no mercado internacional, quem não consegue provar de onde vem… dificilmente saberá para onde vai.
Nova plataforma pública garante rastreabilidade e atende exigências europeias
Produzir já não basta. Agora é preciso provar que se produziu bem.
Na manhã de 24 de fevereiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou oficialmente, em Brasília, a Plataforma Parque Cafeeiro, uma ferramenta pública, gratuita e de acesso universal destinada a toda a cadeia produtiva do café. Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a iniciativa nasce com um objetivo claro: certificar que o café brasileiro exportado é livre de desmatamento, respondendo diretamente às novas exigências impostas pela União Europeia.
A medida surge no contexto do Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR, que determina que produtos como o café apenas possam entrar no mercado europeu se forem provenientes de áreas onde não tenha havido desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Ou seja, não basta plantar: é preciso demonstrar, com dados verificáveis, que o cultivo respeitou critérios ambientais rigorosos.
Com chancela do Governo Federal, a nova plataforma permite que produtores emitam declarações de conformidade ambiental, desde que cumpram as diretrizes exigidas pelas normas europeias. Exportadores, cooperativas e demais agentes do setor passam também a ter acesso a relatórios oficiais capazes de comprovar aos importadores internacionais a origem regular dos lotes de café, reforçando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
O principal diferencial do sistema está na sua arquitetura tecnológica, baseada na integração com bases governamentais por meio de Interfaces de Programação de Aplicações (APIs). Esta interligação permite a atualização quase em tempo real das informações, assegurando consistência de dados, acompanhamento contínuo das áreas produtivas e alinhamento com as diretrizes de governança pública.
O monitoramento ambiental apoia-se em dados atualizados do Projeto PRODES, que acompanha por satélite o desmatamento da floresta amazônica brasileira, incluindo o chamado Marco Temporal, que mede a evolução da supressão vegetal desde a Constituição de 1988 até 2020. A ferramenta cruza ainda informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), verificando se as propriedades com produção cafeeira registaram desmatamento superior a meio hectare após 2020 ou apresentam sobreposição com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas ou Unidades de Conservação.
Entre 2021 e 2025, o mapeamento das lavouras de café em todo o território nacional foi realizado com recurso a inteligência artificial aplicada à análise de imagens de satélite de alta resolução. A metodologia recorre a Redes Neurais Convolucionais, capazes de identificar padrões visuais associados a lavouras em produção ou em desenvolvimento, tendo em conta práticas de manejo agrícola, variações temporais e características fenológicas da cultura.
O sistema resulta de um esforço articulado entre diversos ministérios e organismos públicos, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), permitindo estabelecer uma ligação operacional entre os imóveis produtores e os critérios europeus de desmatamento zero.
Mais do que responder a uma exigência externa, a Plataforma Parque Cafeeiro procura transformar a sustentabilidade num ativo económico mensurável. Num mercado cada vez mais sensível à origem dos produtos, a transparência dos processos passa a ser não apenas uma questão ambiental, mas também um fator determinante de valorização comercial.
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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