Carcinoma renal de células claras: a doença discreta que levou o vocalista dos 3 Doors Down
É um cancro que cresce em silêncio e dá sinais quando já é tarde
São Paulo – 10/02/2026 - A morte do cantor Brad Arnold, vocalista da banda americana 3 Doors Down, trouxe à tona um tipo de câncer ainda pouco conhecido pela população: o carcinoma renal de células claras. O cantor faleceu no sábado (07) após a doença ter evoluído para estágio 4, com metástase nos pulmões. O caso acende um alerta sobre um câncer que costuma ser silencioso e muitas vezes só é descoberto quando já está em fases mais avançadas. “O carcinoma renal de células claras é a forma mais comum de câncer nos rins, responsável por cerca de 80% dos diagnósticos de tumores renais malignos. Ele se origina nas células dos túbulos renais, estruturas responsáveis pela filtração do sangue, e recebe esse nome porque, quando analisadas no microscópio, as células tumorais apresentam aparência mais clara”, explica o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello*, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Segundo o especialista, um dos grandes desafios da doença é justamente o fato de, na maioria das vezes, evoluir sem provocar sintomas nas fases iniciais. “O carcinoma renal de células claras pode crescer por anos sem que o paciente perceba qualquer alteração. Quando surgem, já em estágios mais avançados, os sintomas mais comuns incluem presença de sangue na urina, dor persistente na região lombar, perda de peso sem causa aparente, fadiga intensa e, em alguns casos, a presença de uma massa palpável no abdômen”, diz o médico. Entre os fatores de risco para a doença, o Dr. Ramon destaca tabagismo, obesidade, hipertensão arterial não controlada, histórico familiar de câncer renal, exposição a determinadas substâncias químicas e doenças renais crônicas. “A idade é outro elemento importante. A maior parte dos diagnósticos ocorre em pessoas acima dos 50 anos, sendo mais frequente em homens do que em mulheres”, acrescenta.
O diagnóstico do carcinoma renal de células claras geralmente é feito por meio de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que permitem identificar a presença de nódulos ou massas nos rins. “Em muitos casos, o tumor é descoberto de forma incidental, durante exames solicitados por outros motivos”, pontua o Dr. Ramon. Uma vez diagnosticada, a doença é tratada de acordo com o estágio em que se encontra. “Quando o tumor ainda está restrito ao rim, a cirurgia pode ser recomendada para a a remoção parcial ou total do órgão afetado. Já em casos mais avançados, o tratamento pode envolver terapias-alvo e imunoterapia. Hoje existem medicamentos imunoterápicos capazes de estimular o próprio sistema imunológico a combater as células cancerígenas, com alta eficácia contra o carcinoma renal de células claras”, destaca o oncologista.
Ainda assim, quando o diagnóstico é feito em estágios avançados, o tratamento se torna mais complexo, com pior prognóstico. “A evolução da doença está diretamente ligada ao momento em que é identificada. Quando descoberta precocemente, as taxas de cura são significativamente maiores. Por outro lado, nos casos em que já há metástase para outros órgãos, o tratamento costuma ter como foco principal o controle do tumor e a melhora da qualidade de vida do paciente”, diz o médico. Por isso, a conscientização sobre a doença é tão importante. “Em relação à prevenção, não existe uma forma garantida de evitar o câncer renal, mas algumas medidas podem reduzir consideravelmente o risco, como não fumar, controlar o peso, praticar atividade física regularmente e tratar adequadamente a hipertensão arterial. Além disso, a realização de check-ups periódicos é fundamental, especialmente para pessoas com fatores de risco ou histórico familiar da doença”, finaliza o Dr. Ramon Andrade de Mello.
FONTE: *DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello
Nota do Editor – Portal Splish Splash
A morte de Brad Arnold recorda-nos que há doenças que não fazem barulho, mas deixam marcas profundas. Informar é, muitas vezes, a primeira forma de prevenção.
Carcinoma renal de células claras: a doença discreta que levou o vocalista dos 3 Doors Down
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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