As cantigas do Rei Trovador regressam com rigor histórico ao palco do CCB
Sete cantigas, 700 anos de silêncio, e um rei que ainda canta
"A Idade Média não morreu: está apenas à espera de ser ouvida."
Vímara Porto
No próximo dia 27 de fevereiro, às 20h00, a Sala Luís de Freitas Branco do Centro Cultural de Belém recebe o concerto As Canções de D. Dinis, o Rei Trovador, integrado no Ciclo Sexta Maior – Música Medieval, pelo ensemble Na Rota do Peregrino.
Inspirado nas comemorações dos 700 anos da morte de D. Dinis, este projeto propõe uma recriação historicamente informada das suas sete cantigas de amor que sobreviveram com notação musical no célebre Pergaminho Sharrer, descoberto em 1990 no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Sob direção de Daniela Tomaz e direção musical do medievalista Maurício Molina, o programa revive a dimensão sonora da lírica trovadoresca galaico-portuguesa através de uma cuidada reconstrução baseada em fontes históricas. A interpretação assenta numa pronúncia linguística próxima da época e no acompanhamento por instrumentos medievais, aproximando o público da realidade musical do século XIII.
Para contextualizar o universo poético e musical do monarca, serão igualmente interpretadas composições das Cantigas de Santa Maria de Afonso X, bem como peças oriundas da tradição trovadoresca e do Codex Calixtinus, influências prováveis na criação artística de D. Dinis.
Fundado em 2017, o ensemble Na Rota do Peregrino dedica-se à recriação do repertório medieval ibérico em latim e galaico-português, atuando regularmente em espaços de património românico e desenvolvendo residências artísticas em colaboração com o Município de Ponte de Lima e o Teatro Diogo Bernardes. Em 2024, lançou o álbum O cortês e o divino nas Cantigas de Santa Maria e foi distinguido como European Festival Emerging Artist pelo FeMAP/EFFEA.
No mesmo dia, às 18h30, terá lugar na Sala Lopes-Graça a conferência O rei D. Dinis e a música, pelo Prof. Manuel Pedro Ferreira, dedicada ao papel do monarca enquanto mecenas e criador na tradição lírica trovadoresca, e à importância da fundação da Universidade em Lisboa, onde instituiu, em 1323, a cadeira de Música.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que a música se mede em cliques e algoritmos, recordar que um rei português compunha e deixava pautas há mais de sete séculos é talvez a melhor prova de que a modernidade também pode ser medieval.
As cantigas do Rei Trovador regressam com rigor histórico ao palco do CCB
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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