André Carvalho leva “Fragility and Impermanence” a Lisboa

André Carvalho apresenta em Lisboa o álbum Of Fragility and Impermanence, um dos Melhores do Ano da Jazz.pt, entre jazz contemporâneo, silêncio e emoç
 Capa do álbum Of Fragility and Impermanence de André Carvalho, disco de jazz contemporâneo português

Um disco aclamado que transforma silêncio, memória e fragilidade em matéria sonora viva


Há discos que pedem silêncio antes de começarem. Este pede escuta inteira — e tempo

O compositor e contrabaixista André Carvalho apresenta em Lisboa o álbum Of Fragility and Impermanence, no próximo dia 28 de Fevereiro, no BOTA-Anjos. Lançado em Novembro, o disco afirmou-se rapidamente como uma das obras mais relevantes do seu percurso artístico, integrando as listas de Melhores do Ano de 2025 da Jazz.pt e merecendo destaque crítico no Público, onde a sua apresentação no Guimarães Jazz foi apontada como um dos melhores concertos do ano.

Of Fragility and Impermanence nasce de uma reflexão profunda sobre fragilidade, perda, memória e transformação. Cada composição funciona como uma meditação autónoma, onde se cruzam temas como a vulnerabilidade humana, a parentalidade, a melancolia do desejo de regresso a um estado primordial e a beleza efémera do quotidiano. A escrita musical privilegia o espaço, o silêncio e a suspensão, criando uma linguagem onde cada gesto instrumental ganha peso expressivo e emocional.

Gonçalo Frota descreve a obra como “uma música notavelmente abstracta, a meio caminho entre o jazz e a criação erudita contemporânea, procurando silêncios e vazios”, sublinhando ainda a sensibilidade com que André Carvalho interpreta uma partitura que não vive apenas nas pautas, mas também nas histórias e estados interiores que a música procura alcançar.

Para esta apresentação em Lisboa, o músico reúne um quinteto formado por José Soares (saxofone), Raquel Reis (violoncelo), José Diogo Martins (piano), André Carvalho (contrabaixo) e João Hasselberg (electrónica). O grupo constrói um delicado equilíbrio entre escrita e improvisação, num diálogo constante entre intimidade, escuta colectiva e liberdade interpretativa.

O concerto no BOTA-Anjos propõe uma experiência próxima e imersiva, convidando o público a habitar um espaço sonoro onde a música se afirma como gesto de cuidado, atenção e partilha, reflectindo sobre a natureza transitória e vulnerável da condição humana.

Entre as próximas datas destacam-se apresentações em Sesimbra, Tomar, Seia, Bragança e Lisboa, reforçando o percurso consistente deste projecto em diferentes contextos e geografias.


Paralelamente, André Carvalho desenvolve também um trabalho de criação musical inspirado na obra Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares. No dia 21 de Fevereiro, apresenta música original na Casa Jardim da Estrela, em Lisboa, no âmbito do ciclo CriaSons, uma comissão do Musicamera que cruza música e literatura, com curadoria literária de José Luís Peixoto e direcção artística de Luís Pacheco Cunha.

Neste contexto, André Carvalho e Filipe Duarte estão a criar uma suíte original a partir do universo literário de Gonçalo M. Tavares, explorando a relação entre palavra, silêncio e matéria sonora. O projecto será apresentado em formato trio, com André Carvalho (contrabaixo, composição e direcção musical), Paulo Gaspar (clarinete) e Filipe Duarte (guitarra e composição). 

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Num tempo ruidoso e apressado, este disco lembra que o silêncio também diz muito — e que ouvir é, talvez, o gesto mais radical.



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