Pedro Burmester regressa às Variações Goldberg no CCB

Pedro Burmester em foto de apresentação para o recital de piano no CCB com as Variações Goldberg de Bach.

Um recital de maturidade absoluta onde Bach ganha nova respiração ao piano


Há obras que nos acompanham pela vida fora — e intérpretes que regressam a elas transformados

"Quando a música é habitada por dentro, o tempo deixa de contar."
Vímara Porto

No dia 30 de janeiro, sexta-feira, às 20h00, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, Pedro Burmester apresenta ao vivo a sua leitura renovada das Variações Goldberg, BWV 988, de Johann Sebastian Bach, no âmbito do ciclo Sexta Maior. Um encontro raro entre uma obra absoluta e um intérprete que a conhece desde sempre — e que, décadas depois da sua primeira gravação, regressa com a liberdade dos mestres e a coragem de quem já não precisa de provar nada.

Como escreveu Valter Hugo Mãe, este disco — e agora este recital — é “o encontro de perfeitos: Bach e Burmester”. Os séculos desaparecem para dar lugar a uma inteligência comum, arriscada, inquieta, que não se satisfaz com o que já existia. Cada variação ganha identidade própria, respirando com naturalidade entre a contenção luminosa e uma interioridade mais crua, quase dilacerada. Há rigor, há técnica, mas sobretudo há entrega — aquela que só a maturidade artística permite.

Nesta interpretação “em pura intuição”, as Variações Goldberg deixam de ser apenas um monumento da história da música para se tornarem matéria viva. A célebre Variação XXV, descrita por Valter Hugo Mãe como “mais morredoira”, surge como um dos momentos de maior intensidade emocional, convocando uma escuta profunda, quase meditativa. O piano de Burmester não impõe — convida. E quem escuta sente-se convocado para um território onde a música se aproxima do sagrado.

Programa
Johann Sebastian Bach (1685–1750)
Variações Goldberg, BWV 988

A par do recital, o CCB propõe ainda, no mesmo dia 30 de janeiro, às 18h30, na Sala Lopes-Graça, a conferência Variações sobre a variação, por Paulo Ferreira de Castro. Uma oportunidade para aprofundar o conceito de variação enquanto técnica e género musical, explorando o seu percurso histórico desde o século XVI até à atualidade, numa abordagem clara, contextualizada e amplamente ilustrada com exemplos audiovisuais. Uma antecâmara ideal para preparar a escuta de uma das obras mais fascinantes da música ocidental.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Há intérpretes que executam obras-primas e outros que as atravessam por dentro. Pedro Burmester pertence claramente ao segundo grupo, e este regresso às Variações Goldberg confirma-o sem margem para dúvidas. 
Enviar um comentário

Comentários