PDRN: o que você precisa saber sobre o uso estético

A SBD-RESP alerta sobre a falta de liberação da Anvisa para uso injetável de PDRN na estética no Brasil e explica os riscos envolvidos.

Cartaz informativo com alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre os riscos do uso injetável de PDRN no Brasil.


Alerta sobre o uso injetável de PDRN no Brasil para fins estéticos e dermatológicos


O uso tópico em cosméticos é a única via atualmente regulamentada para cuidados com a pele

São Paulo – janeiro 2026 - Não é raro aparecer alguma notícia de famosos que fizeram uso do PDRN com objetivo estético de melhorar a qualidade da pele, mas essa aplicação tem limitações quanto ao seu uso. “O PDRN é um polímero de DNA extraído do salmão e sua família. Através da biotecnologia e um controle rigoroso, extraiu-se um produto altamente purificado e com propriedade regenerativa. Até o momento não há liberação da ANVISA para atividade estética ou dermatológica com o uso de PDRN injetável no Brasil e a aplicação injetável em consultórios é uma prática não aconselhada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia”, diz a dermatologista Dra. Marina Cintra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP)*. “O PDRN utilizado topicamente em cosméticos tem gerado preocupações devido ao uso indevido e à falta de regulamentação. Embora aprovado para aplicação em pele íntegra, sua aplicação em procedimentos invasivos como injeções, com técnicas que aumentam sua absorção, como o uso de microagulhamento, pode gerar reações adversas e coloca os profissionais de saúde em risco legal, pois o uso indevido não segue as especificações do produto”, acrescenta o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista e diretor de comunicação da SBD-RESP.

A Coreia do Sul é um dos principais países a utilizar o PDRN em tratamentos regenerativos, para rejuvenescimento e reparação da pele. “Já na Europa, o PDRN é mais utilizado em tratamentos de regeneração da pele, tais como feridas crônicas e lesões vasculares. No Brasil, o tratamento é mais utilizado via tópica, mas sem respaldo sanitário para utilização injetável”, comenta a Dra. Marina Cintra. “Diversas pesquisas indicam que o PDRN aumenta a proliferação de fibroblastos e de colágeno tipo 1, favorece a liberação de fatores de crescimento e estimula a regeneração tecidual. Mas as evidências científicas são mais robustas em estudos com terapias reparadoras no Brasil, tais como cicatrização de lesão, úlcera e queimadura. Agora, na estética, os dados ainda são limitados e carecem de ensaio clínico randomizado”, destaca a dermatologista.

Existem contraindicações absolutas e relativas para o uso do PDRN. “As relativas são doenças autoimunes ou para quem tem uma imunossupressão severa. Gestante não pode usar, lactante também não. Essa é uma restrição relativa. No caso da contraindicação absoluta é por quem tem hipersensibilidade, alergia a derivados de peixes e infecções cutâneas ativas no local da aplicação”, explica a Dra. Marina Cintra. “Existem riscos imunológicos, alergias ou rejeições devido à origem animal. O risco é baixo, mas ele existe, especialmente em indivíduo com alergia a peixe, por exemplo. Hoje em dia, o PDRN, a purificação industrial segue padrões internacionais com grande eliminação das proteínas alergênicas, enfim, reduzindo a probabilidade de alergia, mas ela existe”, diz a dermatologista.

No caso de cosméticos com PDRN na sua formulação, a médica diz que eles têm efeitos promissores na melhoria da qualidade da pele e da hidratação. “Mas esse é um efeito progressivo, porém mais sutil quando comparado aos procedimentos realizados em consultório por um dermatologista. O mais importante sempre é consultar um médico para diagnóstico e indicação correta do procedimento”, finaliza o diretor da SBD-RESP.

*SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA – REGIONAL SÃO PAULO (SBD-RESP): Fundada em 1970, a SBD-RESP é uma entidade médica criada para fomentar a pesquisa, o ensino e o aprimoramento científico da Dermatologia como especialidade médica. A SBD-RESP reúne todos os dermatologistas filiados e os serviços credenciados do Estado de São Paulo, que são constituídos por hospitais com cursos de especialização em Dermatologia (residência médica e/ou estágio) certificados pela SBD Nacional. Atualmente, a SBD-RESP reúne cerca de 4.000 associados e organiza uma série de eventos de ensino e de reciclagem. Entre eles: RESP em foco, Jornadas, COPID (Congresso Paulista de Interligas de Dermatologia), e a RADESP (Reunião Anual dos Dermatologistas do Estado de São Paulo). Instagram: @sbd_resp

 

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