Mário Laginha regressa ao piano a solo com “Retorno”

Mário Laginha lança o disco Retorno com concertos no CCB, a 5 e 6 de fevereiro de 2026, num regresso ao piano a solo após 19 anos.
Mário Laginha ao piano durante apresentação do disco Retorno no CCB

Novo disco marca o reencontro do compositor com a solidão criativa do piano


“Retorno” é menos um regresso e mais uma afirmação de liberdade musical

O Centro Cultural de Belém recebe, nos dias 5 e 6 de fevereiro, os concertos de lançamento de “Retorno”, o novo disco a solo de Mário Laginha. As apresentações acontecem no Pequeno Auditório, às 20h, em duas noites que prometem um encontro íntimo entre o pianista e o seu instrumento, num formato que privilegia a escuta atenta e o risco criativo.

“Retorno” é composto por 14 temas originais, todos da autoria de Mário Laginha, e chega ao público a 5 de fevereiro de 2026. O disco é uma produção da ONC Produções Culturais, com edição digital pela Timbuktu Records, e assinala o segundo álbum de piano a solo do músico, quase duas décadas depois de “Canções e Fugas”.

Ao longo do disco, Laginha constrói uma narrativa aberta, onde convivem temas estruturados e improvisos gravados no momento, sem rede. Essa liberdade formal traduz-se numa escuta viva, em constante movimento, onde o compositor se permite explorar o inesperado, aceitar o erro e transformar o impulso imediato em matéria musical.

O alinhamento reflete essa diversidade de abordagens, alternando peças de forte identidade rítmica, como “Fugato Baião” ou “Batuque”, com momentos mais contemplativos e introspectivos, como “No Segundo Dia” ou “A Rotina Tem Qualquer Coisa de Eternidade”. Os improvisos, numerados e subtitulados, funcionam como pequenas janelas para o processo criativo, ora mais narrativo, ora mais abstrato, sempre marcado por uma relação física e emocional com o piano.

Nas palavras do próprio músico, a longa espera por este segundo disco a solo não se deveu a um vazio criativo, mas a um percurso intenso de partilha musical em projetos variados. Ainda assim, “Retorno” simboliza um reencontro com uma solidão criativa que nunca lhe foi estranha. Um regresso ao piano como espaço de liberdade absoluta, agora enriquecido por novas permeabilidades, incluindo uma aproximação mais assumida ao universo do fado, resultado natural da colaboração continuada com Camané.

Estes concertos no CCB são, assim, mais do que apresentações de um novo disco. São momentos de escuta rara, onde o público é convidado a acompanhar o pensamento musical de Mário Laginha em tempo real, entre composição, improvisação e silêncio.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
“Retorno” confirma Mário Laginha como um dos pianistas e compositores mais livres e inquietos da música portuguesa contemporânea, capaz de transformar a solidão do piano num espaço de diálogo profundo com quem escuta. 
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