Mariana Xavier leva comédia acolhedora ao Teatro da Ilha

Mariana Xavier apresenta o monólogo Antes do Ano que Vem no Teatro da Ilha, com humor e empatia para falar de saúde mental na virada do ano.
Mariana Xavier em cena no espetáculo Antes do Ano que Vem no Teatro da Ilha

Monólogo de sucesso nacional usa humor e empatia para falar de saúde mental na virada do ano


Rir pode não resolver tudo, mas ajuda a respirar. E, às vezes, respirar já é meio caminho andado

Mariana Xavier chega ao Teatro da Ilha com o aclamado monólogo “Antes do Ano que Vem”, uma comédia sensível e afiada que transforma a noite de Réveillon num espelho das angústias, contradições e esperanças da vida contemporânea. O espetáculo faz apenas duas apresentações, nos dias 30 e 31 de janeiro, sexta e sábado, às 20h, trazendo ao público carioca uma experiência que já emocionou e divertiu mais de 50 mil espectadores em 24 cidades brasileiras.

A trama começa durante um plantão de Ano Novo no CAD – Centro de Apoio aos Desesperados. A psicóloga responsável não aparece e Duzuíte, funcionária da limpeza do local, decide atender as ligações de pessoas em crise. O que parecia apenas mais um turno cansativo transforma-se numa sequência de relatos intensos, humanos e, muitas vezes, absurdamente reconhecíveis. É nesse jogo entre o riso e o desconforto que o espetáculo se constrói.

Escrito sob medida por Gustavo Pinheiro, o texto permite que Mariana Xavier transite com precisão por um amplo leque de personagens femininas, todas atravessadas por solidão, frustração, expectativas sociais e pela chamada “felicidade obrigatória” imposta pelas datas comemorativas e pelas redes sociais. Sem trocas de figurino ou grandes recursos cenográficos, a atriz dá vida a cada tipo apenas com corpo, voz e intenção — e isso faz toda a diferença.

A direção assinada por Ana Paula Bouzas e Lázaro Ramos aposta numa comédia que não zomba da dor alheia. Pelo contrário: convida o público a rir com empatia. Entre as personagens estão Telma, uma terapeuta em depressão; Jussara, atendente de telemarketing exausta; Gracinha, anfitriã abandonada pelos convidados na noite da virada; e Maria de Lourdes, uma milionária falida à beira de cometer um crime passional. Todas exageradas, sim, mas nunca desumanizadas.

Para Mariana Xavier, a escolha do Réveillon como cenário não é casual. Datas associadas à felicidade compulsória costumam intensificar sentimentos de inadequação e fracasso pessoal. A peça nasce justamente da necessidade de falar sobre saúde mental, autocuidado e acolhimento sem didatismo nem peso excessivo. O humor funciona aqui como porta de entrada para reflexões profundas — e necessárias.

Lázaro Ramos resume bem a proposta ao afirmar que rir, hoje, é quase um remédio de primeiros socorros. O espetáculo aposta num humor que provoca, afaga e transforma, especialmente ao colocar mulheres no centro da narrativa sem recorrer a estereótipos fáceis. O riso surge do reconhecimento, não do deboche.

Desde a estreia, em março de 2022, “Antes do Ano que Vem” passou por temporadas lotadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de circular pelas cinco regiões do país, com apresentações em capitais e cidades do interior. A produção é da WB Produções e da Trampo Produções, com produtores associados Bruna Dornellas, Mariana Xavier e Wesley Telles.

Com 20 anos de carreira, Mariana Xavier é um nome consolidado no teatro, no cinema e na televisão. Revelada nacionalmente no cinema com “Minha Mãe é Uma Peça”, brilhou em novelas da Globo, participou do Dança dos Famosos, integrou o elenco de séries e filmes recentes e construiu uma relação direta e honesta com o público nas redes sociais. Fora dos palcos, também atua como palestrante e coautora do livro “Gordelícias”, reforçando seu papel como referência em autoestima e autenticidade.

Mais do que um espetáculo de humor, “Antes do Ano que Vem” é um convite à escuta, à empatia e à ação. Como diz o próprio autor do texto, talvez seja a hora de cada um pensar no que pode fazer por si mesmo, pela própria felicidade, o quanto antes. Se possível, antes do ano que vem.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Num tempo em que se romantiza a exaustão e se esconde a dor atrás de sorrisos filtrados, uma comédia que acolhe em vez de julgar é quase um ato político. E, convenhamos, sair do teatro mais leve já é um excelente começo. 
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