O Paraíso São os Outros: teatro imersivo no CCB

Espetáculo imersivo de Valter Hugo Mãe e Nídia Roque no CCB. Para a infância e juventude, sobre o amor e os afetos. De 27 jan a 1 fev.
Cartaz alusivo ao espetáculo O Paraíso São os Outros, com ilustração de Ângela Rocha, no CCB.

Um espetáculo sensorial para infância e juventude sobre o amor e o encontro


O amor começa quando aprendemos a escutar o outro


O Centro Cultural de Belém recebe, de 27 de janeiro a 1 de fevereiro, na Black Box, O Paraíso São os Outros, um espetáculo imersivo pensado para a infância e juventude, com texto de Valter Hugo Mãe e encenação de Nídia Roque, numa criação do Teatro da Cidade que aposta na escuta, na proximidade e na experiência sensorial como formas de encontro.

Partindo de uma pergunta simples e, ao mesmo tempo, gigantesca — onde reside o amor? —, o espetáculo convida o público a acompanhar o olhar atento de uma rapariga que observa o mundo à sua volta. É através dessa voz que se desenha um percurso delicado por diferentes formas de afeto: o amor nas famílias, nas amizades, nos animais, nos pequenos gestos quotidianos e nas relações que nos moldam enquanto pessoas. Nada é explicado em excesso; tudo é sentido.

A encenação aposta num dispositivo cénico imersivo que aproxima intérpretes e espetadores, criando um espaço partilhado onde a escuta ganha corpo e o tempo abranda. Aqui, o teatro não se limita a contar uma história: propõe um lugar de encontro, de construção emocional e de reflexão conjunta, onde cada presença conta. O paraíso, sugere o espetáculo, pode estar precisamente nesse estar-com-os-outros.

Em palco, Beatriz Brás dá voz e corpo a este universo sensível, acompanhada pela música original ao vivo de Leonardo Outeiro, que assina também a composição musical. Palavra e som entrelaçam-se numa experiência que privilegia a contemplação e o sentir, convidando públicos a partir dos 8 anos a desacelerar e a reconhecer a importância do outro como elemento central da nossa humanidade.

Mais do que um espetáculo narrativo, O Paraíso São os Outros assume-se como uma experiência poética e sensorial, onde o amor é pensado não como conceito abstrato, mas como prática diária, presença silenciosa e construção coletiva. Um teatro que não grita, mas fica.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Num tempo em que tudo corre depressa e se consome ainda mais depressa, este espetáculo lembra algo quase revolucionário: parar, escutar e olhar para o outro. Às vezes, o paraíso não está longe. Está sentado ao nosso lado, na penumbra de uma sala. 
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