O Programa “Roberto Carlos – Noite Feliz” (2ª Parte)

Análise do especial de fim de ano de Roberto Carlos, com detalhes das participações de João Gomes, Jorge Ben Jor, Fafá de Belém, Supla e Sophie Charlo
Cartaz alusivo ao Especial Roberto Carlos - Noite Feliz: Reencontros e Emoções
 

A Noite de um Rei: Convidados e Emoções no Especial de Roberto Carlos


Roberto Carlos reúne amigos e apresenta um repertório repleto de histórias e emoções

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O programa começou com a exibição de um clipe gravado na madrugada do dia 14, onde o rei reviveu a história da canção “O Cadillac” (2003): “Peguei meu Cadillac/ Mil novecentos e sessenta/ E nele me sentia/ Com metade de quarenta/ Em meu Cadillac, meu Cadillac/ Sai pela cidade me sentindo um jovenzinho...”. Foi aí que o Cadillac aprontou um perrengue com o rei. O Cadillac começou a descer de ré uma elevação. Roberto pisou no freio obedecendo ao coração, mas o Cadillac não parou e bateu – essas imagens ficaram apenas nos bastidores. No desfecho dessa história a arte imitou a vida através da canção “O Calhambeque” (Road Hog) (1964): “Mandei meu Cadillac pro mecânico outro dia/ Pois há muito tempo um conserto ele pedia/ E como vou viver sem um carango pra correr?/ Meu Cadillac bi-bi/ Quero consertar meu Cadillac”.

Com vocês, Roberto Carlos, vestindo um terno branco e uma camisa de cetim de seda azul celeste (figurino do estilista Ricardo Almeida) e sob os aplausos do público, o rei abre o show com “Emoções” (1981), a recordista de participações nos especiais. Em seguida, canta seu último grande hit “Esse Cara Sou Eu” (2012).

Na sequência, chamou o primeiro convidado, o cantor e compositor de forró e piseiro nordestino João Gomes, destaque nacional de 2025. O estreante, junto com o rei, cantou “Eu Tenho a Senha” (João Gomes, 2021) e resgatou a canção “Fé” (RC/EC, 1978), que desde 1994 não aparecia na setlist dos especiais. Apesar da diferença dos estilos musicais, a dupla surpreendeu com uma apresentação descontraída e agradável. No final da sua apresentação, o forrozeiro cantou à capela um trecho de “A Volta” (RC/EC, 1966). Era a senha para o presente reservado para RC ao final do show, o chapéu de couro personalizado com as iniciais do artista, que ele usou na gravação do especial.

Depois foi a vez do rei, com lágrima na voz, interpretar “Amigo” (RC/EC, 1977), em homenagem ao seu parceiro de longa data, amigo de fé e irmão camarada Erasmo Carlos, com direito a citação do seu nome na frase final da letra da canção: “É muito bom saber que o Erasmo é meu amigo”.

O compadre Jorge Ben Jor foi o segundo convidado a dividir o palco, dezenove anos depois. Os remanescentes da “Turma do Matoso” fizeram duetos nas canções “Eu Sou Terrível” (RC/EC, 1967), com alguns desencontros vocais, e em “Chove Chuva” (Jorge Ben Jor, 1963). Pelo desconhecimento da obra de Jorge Ben, muitos órgãos de imprensa divulgaram que a retirada da palavra ruim da letra da canção “Chove Chuva” deveu-se ao TOC do Roberto, que não canta palavras negativas, quando foi o próprio autor que já dizia “Roberto Corta Essa”. Podemos constatar isso nas gravações dos álbuns ao vivo “Jorge Ben Jor (Ao vivo no Rio)” (1991) e “Acústico Jorge Ben Jor A + B” (2002). Um detalhe a ser observado é que ele entrou usando um modelo de óculos escuros e terminou usando outro modelo. Esperava bem mais desse encontro.

Seguindo a tendência das canções religiosas do show, canta “Luz Divina” (RC/EC, 1991), com um show de imagens e mais um solo do Paulinho, que já tinha feito também na participação do Jorge Ben Jor.

Fafá de Belém foi a terceira convidada em sua quarta participação. Fizeram dueto em “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo” (RC/EC, 1968) com solo do Tutuca e no bolero “Já Se Passaram Os Anos”, adaptação de “Com Han Pasado Los Años” (Rafael Ferro/Roberto Livi, 1995). A gravação em espanhol foi lançada por Rocío Dúrcal em 1995. A escolha da Fafá para apresentar essa canção talvez tenha sido pela semelhança do seu estilo com o da cantora espanhola. Essa versão foi a melhor novidade do especial. Muitos cantores regravaram a versão em espanhol, mas temos também outras versões em português, como a do cantor português Marco Paulo com o título “Como Passaram Os Anos” (adap. Manuel Echea) e a do cantor Rony Lira com o título “Como Passaram-se Os Anos” (adap. do mesmo). No Brasil, ficou conhecida na voz de Julio Iglesias, devido à inclusão na trilha sonora da novela “Celebridade”, exibida pela TV Globo em 2003.

Antes do primeiro intervalo, a atriz Sophie Charlotte, no papel de garota propaganda do patrocinador, anunciou a oferta de uma rosa virtual para ser enviada (QR code) para quem quisesse.

A noite feliz seguiu com mais uma canção religiosa “Nossa Senhora” (RC/EC, 1993), com o público transbordando de emoção e participando algumas vezes cantando à capela. Em trechos da canção, ouviram-se vozes adultas de um grande coral, provavelmente a utilização de playback.

O momento rock and roll chegou com o quarto convidado, o veterano cantor Supla, mas um novato no especial. A excentricidade da sua vestimenta chamou a atenção do rei. Ele trouxe “Garota de Berlim” (Rodrigo Andrade, 1985), sucesso da banda TókiO, que na época tinha o Supla como vocalista. Roberto pouco participou. Depois cantaram o medley Elvis Presley “Tutti Frutti” (Dorothy Labostrie/ Richard Penniman/Joe Lubin, 1955) / “Hound Dog” (Jerry Leiber/ Mike Stoller, 1953) / ”Blue Suede Shoes” (Carl Perkins, 1956) / “And I Love Her” (John Lennon/ Paul McCartney, 1964). Foi o momento mais dançante do especial. O Supla é, como disse Roberto: “É a mistura perfeita de atitude, carisma e talento”.

A serenidade voltou ao palco com a mensagem de “Meu Menino Jesus” (RC/EC, 1998), que contou com a participação do Coral Vozes de Gramado Infanto-Juvenil. Que as palavras ditas na canção possam se tornar realidade. Linda apresentação.

A última convidada da noite foi a atriz/cantora Sophie Charlotte. Com a sua elegância em um figurino que deu o que falar e também a delicadeza e a suavidade da sua voz, ela performou brilhantemente em duas canções: “Proposta” (RC/EC, 1973), tema de sua personagem na novela “Três Graças”, que gravou com Roberto em novembro, e “As Canções Que Você Fez Pra Mim” (RC/EC, 1968). O momento de descontração aconteceu antes do início da segunda canção, quando Roberto comentou sobre a terceira participação dela e que, pela tradição – regra do quadro criado por Tadeu Schmidt, no Fantástico -, teria o direito de cantar outra música. Apesar do seu nervosismo, a sua apresentação teve emoção, respeito e técnica vocal. Nota dez.

E para dizer que ainda estava aqui, ele canta “Jesus Cristo” (RC/EC, 1970). O agradecimento ao seu público veio nas palavras da canção “Eu Ofereço Flores” (RC, 2003) e finalizou com “Noite Feliz” (Stille Nacht) (Padre Joseph Mohr/Franz Xaver Gruber, 1818 – 1ª versão em Português de Pedro Sinzig, 1912) e seus votos de fim de ano.

Sobre a audiência, o especial em São Paulo registrou 16,4 pontos e no Rio de Janeiro 19 pontos. Em São Paulo houve um aumento de 33% (+4 pontos) e em 9 pontos a participação, no comparativo com a faixa média das quatro terças-feiras imediatamente anteriores. Já  no  Rio de Janeiro o crescimento foi de 12% de audiência (+2 pontos) e 5 pontos a mais de participação. Nas redes os registros foram os seguintes: No X, a #RobertoCarlosGlobo ficou 11 horas nos TT’s Brasil e 2h nos TT’s mundo. No Google Trends, a busca "Especial Roberto Carlos" ficou em tendência por 13h. Foi o melhor resultado da TV Globo no dia da exibição, tendo superado todas as demais emissoras juntas.

Finalizo desejando a todos um Feliz Ano Novo e a frase do Roberto Carlos "Que nós nos amemos cada vez mais".
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ℹ️Confira a Parte 1 deste artigo.

*Carlos Marley, nasceu na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará – Brasil, onde reside. Formado em Ciências Contábeis, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Auditoria. Auditor Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. Leia Mais sobre o autor...



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