Bocarra: a força da voz e do corpo em resistência

Espetáculo “Bocarra” de Luísa Saraiva no CCB, um ritual coreográfico que une voz, corpo e resistência feminina através do canto polifónico.
Cartaz alusivo ao espetáculo Bocarra de Luísa Saraiva no CCB

Luísa Saraiva apresenta no CCB uma coreografia vocal intensa, onde canto, gesto e som se fundem num ritual contemporâneo de libertação feminina 


Um concerto-coreografia onde o corpo é o verdadeiro instrumento

O alkantara festival apresenta no CCB o espetáculo Bocarra, criação de Luísa Saraiva, nos dias 20 e 21 de novembro, quinta às 20h00 e sexta às 21h30, na Black Box.

Bocarra — palavra que designa uma boca muito aberta, desmesurada — parte do repertório de canto polifónico feminino do norte de Portugal e da Galiza, onde se exprimem sentimentos de amargura e se evocam violências brutais contra mulheres. Essas vozes, gritadas ou murmuradas, ritualizadas ou fragmentadas, emergem como gestos de não-conformidade e resistência.

Em palco, três intérpretes — Luisa Alfonso, Alexandre Achour e Luísa Saraiva — cantam, movem-se e interagem com um conjunto de objetos sonoros originais. Feitos de pedra, cerâmica, plástico e metal, estes instrumentos artesanais funcionam como extensões do corpo e da respiração, ativados por sopros, fricções e toques que amplificam a presença física e sonora.

Como num concerto em que cada canção se impõe como protagonista, Bocarra constrói uma coreografia vocal e sensível, onde os corpos, transformados em instrumentos, produzem imagens e assombrações melódicas — gritos que ecoam como formas de resistência.

Ficha Artística
Coreografia e direção artística: Luísa Saraiva
Criação e interpretação: Luisa Alfonso, Alexandre Achour, Luísa Saraiva
Instrumentos: Inês Tartaruga Água
Desenho de som: Francisco Antão
Desenho de luz: Cárin Geada
Figurinos: Isabelle Lange
Treino de autodefesa: Zeina Hanna, Manuel Pérez Bouza
Treino vocal: Fabíola Augusta
Olhar externo: Niklaus Bein
Agradecimentos: Matthias Mohr, Arnaldo Saraiva
Produção: Associação Calote Esférica e Crybaby GbR
Produção executiva: Övgü Özen, Nadine Freisleben / Apricot Productions (Alemanha), Mariana Costa / Associação Calote Esférica (Portugal)
Coprodução: Festival Dias da Dança / Teatro Municipal do Porto, La Manufacture CDCN Nouvelle-Aquitaine, PACT Zollverein
Financiamento: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, Ministério da Cultura e Ciência Nordrhein-Westfalen / NRW Landesbüro Freie Darstellende Künste, Kunststiftung NRW
Apoio: Residências Paraíso, Colectivo RPM

Sobre Luísa Saraiva
Nascida no Porto, vive entre a sua cidade natal e Berlim. Estudou Psicologia na Universidade do Porto e Dança na Folkwang Universität der Künste, em Essen. O seu trabalho situa-se entre o movimento e a composição musical, explorando a linguagem do corpo e da voz como meios de expressão e pensamento. Foi bolseira danceWeb em 2019 e coreógrafa residente no K3 | Tanzplan Hamburg (2019/2020). Em 2022/2023, integrou o programa Tanzpraxis da Cidade de Berlim. Nos últimos anos, tem desenvolvido oficinas e participado em debates sobre saúde mental na comunidade da dança.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
“Bocarra” é mais do que um espetáculo: é um grito artístico contra o silêncio imposto. A fusão entre corpo, voz e resistência feminina transforma o palco num território de força e escuta — onde cada gesto é uma afirmação de liberdade.
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