Lembranças de Roberto Carlos na minha adolescência

Recordações nostálgicas da adolescência ao som de Roberto Carlos, entre bailes, televisão em P&B e ídolos do faroeste.
Montagem com capas de discos e fotos antigas de Roberto Carlos, retratando memórias da adolescência do autor ao som da Jovem Guarda.

As emoções, músicas e cenas da adolescência embaladas por Roberto Carlos


"Quando a vida era a preto e branco, Roberto Carlos cantava a cores."
Vímara Porto

Era a época do que diz os versos da canção “no meu radinho de pilha sempre escuto/ melodias que me lembram de você”. A televisão era em preto e branco “diferentes emoções todos os dias, ilusões, fantasias/ e até depois do meu adormecer/ são as estrelas dos programas/ que em sonhos posso ter”. As cantoras que se apresentavam nas tarde de domingo no programa Jovem Guarda ficavam no nosso imaginário. “À noite ligo a televisão/ pra ver se esqueço dela/ o que fazer/ se a moça do telejornal pra mim é ela”.

O período era de mudanças de comportamento “e as mudanças desse mundo/ o ser humano é que faz/ estamos sempre em busca de uma solução”. O telefone era fixo e a discagem era num disco. Não usávamos computador e nem internet.

A transformação da moda ficava evidente e as mulheres se destacavam nesse quesito. “Mulher bonita a gente sempre vê no jornal/ fazendo poses, bicos, caras e bocas etc. e tal/ cabelo pop, punk, rock é um toque/ de capa de revista ou de televisão”. Já Roberto sofria a pressão dos fofoqueiros. “A Candinha quer fazer da minha vida um inferno/ já está falando do modelo do meu terno/ e que a minha calça é justa que de ver ela se assusta/ e também a bota que ela acha extravagante/ ela diz que eu falo gíria e que é preciso maneirar”.

Vivíamos também o tempo dos bailes e das tertúlias com luz negra. Muitas delas realizadas nos finais de semana nas próprias residências. A concorrência era grande para escolher as preferidas para dançar, além da timidez e o medo de levar um fora. “Fico em pé olhando e esperando/ que ela se afaste da multidão/ para eu me aproximar/ com ela dançar”. Ao contrário do baile da fazenda que não tinha hora pra acabar. Esse tinha. No salão “gente dançando só pelo prazer da dança/ e outros só pelo prazer de se abraçar/ o povo se diverte nessa festa/... / casais dão passos soltos no salão inteiro/ e um casalzinho quase não sai do lugar/... / o baile tá bom, mas bom também é namorar”. Por isso “me abrace mais forte/ não se importe com os outros casais/ que bom se essa música/ não terminasse jamais”.

No cinema vivíamos o ciclo de filmes de faroeste, com narrativas da trajetória de homens conhecidos por suas habilidades com armas. Um dos personagens era aquele “que tinha há muito tempo/ a fama de ser mau/ seu nome era temido/ sabia atirar bem/ seu gênio violento/ jamais gostou de alguém/ e ninguém jamais/ viveu pra dizer/ que o contrariou/ sem depois morrer”. Mas o valentão nunca tinha um final feliz e surgia sempre um mocinho “com ele quis luta/ e o mundo até tremeu” e o homem mau, apesar de sua reputação, é derrotado e morto. Esses mocinhos eram os meus heróis da época.

Todos esses momentos sempre serão lembrados com muita saudade. Alguns deles ficaram registrados na memória, em velhas revistas ou nos filmes dos arquivos dos programas de televisão.

Roberto Carlos – O Homem (RTP, 1966)


*Carlos Marley, nasceu na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará – Brasil, onde reside. Formado em Ciências Contábeis, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Auditoria. Auditor Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. Leia Mais sobre o autor...
2 Comentários

Comentários

🌟Copie um emoji e cole no comentário: Clique aqui para ver os emojis

  1. Olá, Marley!
    O teu texto tem um sabor delicioso de memória afetiva misturada com referências musicais, televisivas e culturais que marcaram toda uma geração — especialmente para quem, como nós, viveu a adolescência nos anos dourados de Roberto Carlos. Deu para passear por todas as recordações que citaste e muitas que me surgiram em consequência, como quando fui ao cinema ver "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" e a malta acompanhava o RC, cantando "Eu sou terrível, e é bom parar..." e batia com os pés no chão avisando o Roberto da proximidade dos bandidos que na estrada o perseguiam. Era o delírio Robertocarlistico! Parabéns, bicho! Abraço. 👏

    ResponderEliminar
  2. Nobre colega Armindo, agradeço o seu comentário e que bom que se identificou com algumas situações da época.

    Um forte abraço

    ResponderEliminar