Consumo de aparas de papel cai e falta incentivo do governo, mostra estudo inédito da GO Associados

O recuo, destaca o levantamento, é explicado pela menor demanda por papel para embalagem (- 1,9% no período) e de papel para imprimir e escrever (- 6,
Imagem IA sobre reciclagem do papel.


Houve queda de 1,8% em comparação a janeiro


Anap destaca crise na cadeia do setor, com preferência da indústria em usar celulose na produção, baixos preços e pressão de custos, apesar da importância do setor ao meio ambiente


O consumo de aparas de papel, insumo utilizado pelas empresas de embalagem na produção, está em queda neste ano. Em fevereiro (últimos dados apurados), houve queda de 1,8% em comparação a janeiro, conforme estudo inédito recém-concluído pela consultoria GO Associados, do economista Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade e da Sabesp. Essa tendência de queda na demanda se manteve nos últimos meses, conforme informa a Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), que encomendou o estudo à GO.

O recuo, destaca o levantamento, é explicado pela menor demanda por papel para embalagem (- 1,9% no período) e de papel para imprimir e escrever (- 6,6%). Somente aparas de papel cartão tiveram variação positiva, com alta de 5,5%, mostra o levantamento. “Há uma preferência da indústria de embalagem em utilizar celulose virgem na produção, em detrimento do material reciclado, embora este último não afete o meio ambiente”, afirma João Paulo Sanfins, vice-presidente da Anap.

Em relação a fevereiro do ano passado, houve alta no consumo, com destaque para embalagens, mais 12,5%. Mesmo assim, a Anap considera a procura insuficiente para estimular a cadeia de reciclagem, diante da falta de incentivo governamental, a alta dos custos e queda nos preços. “Esse quadro está levando os catadores e pequenos comerciantes a não recolher papel e papelão nas ruas das cidades, material que tem como destino os aterros e lixões”, diz Sanfins.

A GO Associados constatou uma pressão recente de custos sobre os aparistas de papel. “O preço do óleo diesel (um dos itens essenciais aos aparistas) vinha apresentando uma tendência de queda de julho de 2022 a julho de 2023”, mas voltaram a registrar “alta até o fim de 2023”, destaca o levantamento. “Já em março, o preço voltou a ter alta chegando a R$ 5,19/L, com variações de 0,15% em relação a fevereiro, quando o litro estava a R$5,18 e de 0,87% em relação a março de 2023 (R$ 5,15/L).”

Já o preço médio do quilo do arame recozido (também essencial aos recicladores) está em queda, mas ainda assim excessivamente elevado diante das dificuldades da cadeia de reciclagem. “Uma das promessas do governo, de um decreto para ‘obrigar’ as indústrias de embalagem a utilizar na produção um percentual de papel reciclado, como forma de incentivar a cadeia, ainda não se concretizou”, diz Sanfins.

O estudo da GO lembra que “o Ministério do Meio Ambiente planeja publicar portarias e decretos apertando as regras da Política Nacional de Logística Reversa que responsabiliza setores pela coleta, transporte, armazenamento, reciclagem e tratamento de resíduos produzidos pelo descarte de produtos e embalagens no pós-consumo. Uma das propostas é exigir um conteúdo mínimo de material reciclado na fabricação de novas embalagens, a começar pelos modelos feitos de plástico”.

O levantamento da consultoria aborda ainda questões como mercado externo, importação e empregos.


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