Dietas restritivas: saiba os riscos que podem trazer à saúde física e mental

DO TEXTO: O maior número de pessoas com obesidade entre os homens está na faixa etária de 45 a 54 anos, com 35,6%, e, no caso das mulheres, 11,8% estão entre 18
Caderno de dietas e fita métrica.

Somente 2% dos conteúdos sobre planos alimentares presentes na internet são realmente benéficos para a saúde


Segundo um estudo realizado pela Universidade de Dublin, somente 2% dos conteúdos sobre planos alimentares presentes na internet funcionam, enquanto 97,1% são prejudiciais à saúde


A obesidade é um mal que não prejudica somente o corpo, mas também afeta a autoestima de quem se encontra nessa condição. Por conta disso, é comum ver pessoas que aderem a dietas restritivas para conseguir perder peso. O problema é que esse tipo de ação mais prejudica do que ajuda.

Segundo um estudo publicado pela revista científica The Lancet, apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 24,3% dos adultos brasileiros são obesos. O maior número de pessoas com obesidade entre os homens está na faixa etária de 45 a 54 anos, com 35,6%, e, no caso das mulheres, 11,8% estão entre 18 e 24 anos.

Esse cenário fica ainda mais claro quando vemos os números da internet. Segundo um levantamento realizado pela UOL e publicado em maio de 2024, somente no TikTok existem cerca de 10 milhões de vídeos indicando técnicas para perder peso. O grande problema é que nem sempre esses conteúdos são feitos por profissionais de saúde, muito menos resultam no emagrecimento. 

De acordo com outro estudo, realizado pela Universidade de Dublin em parceria com o MyFitnessPal, somente 2% dos conteúdos sobre planos alimentares presentes na internet são realmente benéficos para a saúde. Enquanto isso, 97,1% não possuem nenhuma comprovação científica e não passaram em nenhuma pré-avaliação de especialistas na área.

Com tudo isso, aderir a esses tipos de programas de emagrecimento sem a orientação de um profissional formado em uma faculdade de nutrição pode ocasionar uma série de problemas de saúde não somente de ordem física, mas também mental. 

Efeito “sanfona”

Durante um jejum intermitente ou de eliminação completa de um tipo de caloria, sem um substituto adequado, acontece o que os especialistas chamam de “efeito rebote”. Ao ingerir poucas calorias durante o dia, o organismo tende a ficar mais lento e indisposto para se exercitar. Isso leva à dificuldade na manutenção do peso após o emagrecimento e até mesmo ao ganho de massa, que pode até mesmo superar a perda inicial.

Hipotireoidismo

Com a atividade do organismo em baixa, existe uma redução nos níveis do hormônio T3, produzido pela tireoide. Essa mudança de níveis hormonais pode provocar o hipotireoidismo, uma condição que faz com que o corpo ganhe peso com extrema facilidade, facilitando a evolução para uma condição de obesidade.

Deficiência nutricional

Ao cortar diversos alimentos da dieta, devido ao alto teor de calorias, não se leva em consideração que eles também possuem diversas proteínas e nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Até mesmo frutas são consideradas inimigas em algumas dietas. O resultado disso são quadros de fraqueza muscular, dores de cabeça constantes e até mesmo perda de cabelo.

Mais estresse

Devido às restrições alimentares, a pessoa pode também sentir mais irritação durante o dia. Isso acontece porque o organismo fica com o nível de cortisol, hormônio responsável por controlar o estresse, totalmente desregulado, resultando em mudanças radicais de humor.

Transtornos alimentares

Realizar essas dietas restritivas pode também gerar transtornos alimentares. Segundo o Dr. Silas Soares, médico especialista em saúde integrativa e funcional, em entrevista ao UOL, esse tipo de técnica para emagrecer pode desregular o funcionamento do organismo.

“Cortar completamente guloseimas, até mesmo em ocasiões especiais, ou não se permitir comer ocasionalmente, comer muito pouco durante o dia, e contar calorias de cada refeição podem ser comportamentos relacionados a diversos distúrbios alimentares. Isso porque, em muitos pacientes, a alimentação está ligada à saúde mental. A preocupação com o controle de peso pode desenvolver anorexia, bulimia e compulsão alimentar", explica Silas.


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