Mais de 100 organizações sociais da América Latina se reúnem em Bogotá para Conferência de Direitos Humanos

Do Texto: A situação dos direitos não foi apenas agravada pela pandemia, mas também por fenômenos anteriores, como o racismo, as mudanças climáticas e a crise e
Guerra e criança em grande plano.

RegionaR 2022 busca identificar desafios enfrentados para efetivação dos direitos humanos na região               

Nos dias 29 e 30 de novembro, a partir das 9 da manhã, no Hotel Capital, na cidade de Bogotá, será realizada a Conferência Regional de Direitos Humanos, RegionaR 2022. O evento reunirá lideranças de mais de 100 organizações de diversos países da América Latina, que se dedicam à proteção e defesa dos direitos humanos na região.

A Conferência identificará os novos desafios enfrentados pelo movimento de direitos humanos, a fim de motivar um espaço de análise sobre os fatores comuns que ameaçam e afetam os direitos na região. Ademais, visa também ter uma abordagem regional em torno da defesa dos direitos para promover novas narrativas que se adaptem à dinâmica da sociedade atual. Assim, o objetivo é gerar impacto na criação de políticas públicas com perspectiva interseccional na América Latina.  Alguns aspectos-chave que serão analisados durante a RegionaR 2022 são o antirracismo, cosmogonia, feminismo, direitos humanos, pautas LGBTI+, justiça climática, entre outros.

A Conferência Regional de Direitos Humanos é organizada por 14 organizações sociais da região que compõem o Comitê Gestor do Fórum Regional de Direitos Humanos, também chamado de RegionaR. Esta iniciativa foi concebida em agosto de 2021, na Costa Rica, com o objetivo de constituir um espaço permanente de análise e reflexão sobre os direitos humanos.

Na atividade haverá uma apresentação virtual do ex-presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solis. México, Brasil, Venezuela, Colômbia e Equador são alguns dos países onde as ONGs organizadoras estão localizadas.

A este respeito, María Fernanda Escobar, representante para a Colômbia do Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos (Raça e Igualdade), uma das organizações do Comitê Gestor, diz que após várias reuniões e encontros sobre a situação dos direitos humanos após a pandemia de Covid-19 na América Latina, ficou evidente que as ONGs da região tinham vários consensos em torno dessa questão.

"A situação dos direitos não foi apenas agravada pela pandemia, mas também por fenômenos anteriores, como o racismo, as mudanças climáticas e a crise econômica. Isso também nos levou a querer materializar e construir um espaço de reflexão entre as organizações regionais para pensar sobre nossas ações de uma maneira diferente, para criar novas narrativas e pensar sobre agendas regionais dos direitos humanos na América Latina. No mais, tendo em conta a perspetiva setorial que integra questões como as alterações climáticas, antidiscriminação, as comunidades étnicas, as comunidades rurais, os direitos das mulheres, as pessoas LGBTI+, o direito à saúde, o fechamento de espaços cívicos, as vítimas de tráfico, as prisões. Por isso, decidimos criar esse espaço de encontro regional para integrar diferentes perspectivas, mas de forma inovadora, em um diálogo que era necessário e endividado", explica Escobar.

"Avaliamos como muito importante essa oportunidade de intercâmbio entre diversas organizações da América Latina comprometidas com a proteção e a defesa dos direitos humanos. O período da pandemia foi determinante para o agravamento da situação dos direitos humanos na região, deixando a população mais exposta às diversas formas de violência. É fundamental que durante a RegionaR possamos produzir um espaço de reflexão e compartilhamento de novas narrativas e alternativas conjuntas para o enfrentamento destas violações de direitos”, destaca a coordenadora de incidência política de Terra de Direitos, Gisele Barbieri. A organização também integra o Comitê gestor da atividade.

Um olhar sobre os problemas na América Latina

Sendo uma região tão desigual, a América Latina e o Caribe sofreram desproporcionalmente com os impactos da pandemia de COVID-19, e por isso, hoje há um aprofundamento dos problemas estruturais de desigualdade, pobreza, informalidade e vulnerabilidade que historicamente afetam essa região.

De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em 2021, o número de pessoas em extrema pobreza chegou a 86 milhões, enquanto o número total de pessoas em situação de pobreza chegou a 201 milhões. Os níveis relativos e absolutos estimados de pobreza e pobreza extrema mantiveram-se acima dos registados em 2019, refletindo a continuação da crise social e económica.

A América Latina e o Caribe são uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas no mundo. As mudanças climáticas, assim como a pandemia, acentuam e exacerbam as desigualdades e geram uma série de problemas graves, como deslocamento de pessoas, maior pobreza e desigualdade.

Comitê Gestor do Fórum Regional de Direitos Humanos / RegionaR

As entidades que compõem o Comitê Acionário RegionaR são: Associação Interamericana de Defesa Ambiental (AIDA), Artigo 19, Centro PRODH, CEJIL, Coalizão de ONGs LGBT que litigam contra o SIDH (Synergia), COFAVIC, Consultoria para Direitos Humanos e Deslocamento (CODHES), Fórum Indígena de Abya Yala, Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos (Raça e Igualdade),  Grupo de Trabalho Latino-Americano (LAWG), Rede de Mulheres Afro-Latinas, Afro-Caribenhas e da Diáspora; o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS-LAC), Terra de Direitos e Women's Link Worldwide.

Para mais informações, consulte aqui: https://regionar.org/ 

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