Companhia Paulo Ribeiro-Segunda 2

SEGUNDA 2, é uma coreografia que se desafia a si própria, que se coloca no limiar da falha que será sempre uma aliada e não uma adversária. Uma peça que convoca algumas memórias de tantas outras e que, nos seus percursos secretos, se inspira em muito daquilo que os tempos nos têm dado. Não olhamos para a falha como obstrução, assim como não olhamos para todos os sonhos desfeitos, os impasses que teimam em ser condição de vida, as dinâmicas culturais, tantas vezes inconclusivas, a tentativa vã de fixar e construir.

SEGUNDA 2
Companhia Paulo Ribeiro


Coreografia, Direção Artística e Montagem Sonora Paulo Ribeiro

Interpretação Ana Moreno, Catarina Keil, Margarida Belo Costa,

Pedro Matias, Sara Garcia e Valter Fernandes

Textos de Isabel Nogueira

Texto de Paulo Ribeiro lido por Catarina Keil


SEGUNDA 2

Há vinte e seis anos criei a primeira peça da Companhia Paulo Ribeiro: Sábado 2. Foram tempos em que acreditei e acreditámos que tudo seria possível. O mundo prometia abertura, a Europa consolidava um projecto comum e Portugal estava empenhado em tornar-se maior. De sábado a segunda passou um fim-de-semana e um quarto de século. Foi belo, foi intenso e, sobretudo, permiti tornar sonhos em realidade. O momento actual obriga a algum balanço. Às vezes, à força de fazer, há um olhar que se pode perder num tempo que nos ultrapassa.


SEGUNDA 2

Segunda 2 parece-me ser a lógica continuação de um projecto que é obrigatoriamente de autor e que surge do imperativo de voltarmos todos a uma suposta normalidade. Um trabalho individual com o foco no colectivo. É o início da semana, o momento propício para produzir e ir em frente. Aprendemos todos muito com os tempos que a nível global fomos obrigados a (ultra)passar. Voltamos a projectos âncora, voltamos com vontade de fazer melhor, voltamos com a dimensão do sonho e a vontade de recuperar o tempo que ficou para trás. Voltamos com a imensa vontade de voltar a estar próximos, de celebrar a vida, de reencontrar a festa.


SEGUNDA 2

É uma coreografia que se desafia a si própria, que se coloca no limiar da falha que será sempre uma aliada e não uma adversária. Uma peça que convoca algumas memórias de tantas outras e que, nos seus percursos secretos, se inspira em muito daquilo que os tempos nos têm dado. Não olhamos para a falha como obstrução, assim como não olhamos para todos os sonhos desfeitos, os impasses que teimam em ser condição de vida, as dinâmicas culturais, tantas vezes inconclusivas, a tentativa vã de fixar e construir.


A dança continua num lugar confinado, mas isso não nos interessa, na próxima segunda tudo vai mudar, se não for na próxima será na outra, ou na seguinte, e para isso acontecer, vamos continua a desafiarmo-nos, a brincar, a provocar e exorcizar a falha. Vamos ser singulares e colectivos. Vamos reencontrar a festa. Vamos reencontrar o corpo. Vamos continuar a dançar.

Paulo Ribeiro

(o autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico)


Crédito da foto: Tomás Pereira 

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