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sexta-feira, outubro 01, 2021

CCB | O DESPREZO > companhia auéééu | 8 a 11 outubro no Pequeno Auditório

O sentimento de desprezo pressupõe uma relação do olhar do outro sobre o ser desprezado – um olhar que o torna invisível, que renega ao primeiro gesto de humanidade pois não o reconhece como seu semelhante, que o reduz a uma insignificância e lhe retira existência – ou melhor, que lhe confere uma existência indiferente. Os auéééu, inspirados pelos filmes Le Mépris e Weekend de Jean-Luc Godard, propõem-se pensar este sentimento, esta ausência de consideração pelas relações que cultivamos nas nossas vidas, o exercício de poder dominante, a manutenção dos seres desprezados.


O Desprezo

Criação e produção auéééu

Com Beatriz Brás, Frederico Barata, Filipe Velez, Joana Manaças,

João Silva, Miguel Cunha e Sérgio Coragem

M/18 anos

CCB • 8 a 11 outubro • sexta a segunda • Pequeno Auditório

Dias 8 e 11 às 21h00 | dia 9 às 19h00 | dia 9 às 19h00 | dia 10 às 16h00


O sentimento de desprezo pressupõe uma relação do olhar do outro sobre o ser desprezado – um olhar que o torna invisível, que renega ao primeiro gesto de humanidade pois não o reconhece como seu semelhante, que o reduz a uma insignificância e lhe retira existência – ou melhor, que lhe confere uma existência indiferente. Os auéééu, inspirados pelos filmes Le Mépris e Weekend de Jean-Luc Godard, propõem-se pensar este sentimento, esta ausência de consideração pelas relações que cultivamos nas nossas vidas, o exercício de poder dominante, a manutenção dos seres desprezados. 


O que nos diz este desprezo? O que nos diz acerca de quem despreza e de quem é desprezado? Que pensamento estruturante é revelado a partir dessa observação?


De que se vestem as emoções? Como se traja o desprezo? Como se pode tornar estético, bonito e interessante um sentimento cuja natureza se rege pela falta de apreço ou consideração por alguém ou alguma coisa?


O desafio de pensar a dramaturgia dos figurinos da mais recente produção dos auéééu resultou de uma dedicação profunda e absoluta a este sentimento/conceito que preside o espectáculo, precisamente o contrário daquilo que a sua definição implica.


Conforme já vem sendo habitual no registo cénico da companhia, este espectáculo vive de referências muito concretas das quais o grupo se apropria e reinventa, de modo a criar a sua própria escrita cénica original. Assim, partiu-se do filme Le Mépris (1963) de Jean-Luc Godard, o realizador fetiche da companhia, que tornou icónica a imagem de Brigitte Bardot num roupão amarelo canário.


As personagens do enredo de O Desprezo dos auéééu são as mesmas do filme em que se inspiraram, e o sentimento de desprezo não só é evidentemente herdada da narrativa cinematográfica godardiana, como se concretiza cenicamente no casal sem nome que serve de metáfora a esse sentimento.


A citação das cores do filme manifesta-se nas cores dos actores em cena, de modo a tornar evidentes as relações entre personagens e a sobreposição de planos ficcionais de que vive este espectáculo, formando pares funcionais/disfuncionais, revelando de que forma o amarelo significa o divino e o dinheiro, o azul claro as referências clássicas, e o vermelho a ferocidade das forças de produção. O verde serve os indecisos e as indecisões, e o azulão a reunião das ficções. Sendo o branco a junção de todas as cores, esta é a cor que veste a intersecção e o domínio de todos os planos da cena. As cores da terra, em vez de expressarem o significado que lhes é inerente (conforto, segurança, integridade, consciência e responsabilidade), servem, paradoxalmente, a citação de Bertolt Brecht, autor de eleição de Jean-Luc Godard: «Só o fragmento pode conservar a autenticidade.»


De que forma o desprezo habita as nossas vidas, como convivemos com ele e de que forma o reciclamos artisticamente, tornando-o produtivo, significativo e autêntico numa linguagem teatral? Comece-se por se vestir um roupão amarelo canário. O resto, é ficção, citação e jogo cénico.


O Desprezo

auéééu

Teatro

8 a 11 outubro de 2021

8 e 11 outubro | 21h00

9 outubro | 19h00

10 outubro | 16h00

M/18 anos

Duração aproximada: 80 minutos

Pequeno Auditório


Ficha artística

Criação e produção auéééu

Com Beatriz Brás, Frederico Barata, Filipe Velez, Joana Manaças, João Silva, Miguel Cunha e Sérgio Coragem

Apoio à criação Statt Miller e Francisco Salgueira (estagiário)

Desenho de luz Manuel Abrantes

Cenografia Joana Sousa

Figurinos Statt Miller

Apoio à pesquisa David Antunes e Francisco Luís Parreira (Inúteis Conversas)

Apoios DGArtes, República Portuguesa – Ministério da Cultura, Garantir Cultura, SPA/AGECOP

Coprodução Centro Cultural de Belém

Residência de coprodução O Espaço do Tempo e Centro Cultural Vila-Flôr

Residência de produção ProDança

Agradecimentos Às nossas famílias, Siegfried Stuber  e Teatro da Politécnica


Sobre a Companhia auéééu

A companhia auéééu foi fundada em 2014 e é constituída por oito atores que se juntaram aquando da sua licenciatura em Teatro, na Escola Superior de Teatro e Cinema.

Esta companhia nasce da vontade de pensar a criação em coletivo, numa relação de poder horizontal, na qual se valoriza e se inclui a diferença, o caos e a diversidade individual nos seus processos de construção artística.

A criação dos seus espetáculos parte do desejo de colocar uma questão ou da tentativa de compreensão e desdobramento de algum conceito – disso são exemplo as temáticas já abordadas como a tradição, o trabalho, a relação com os deuses, a democracia e a liberdade, o espectador e o agente, a cópia e a fraude, o desprezo e os jogos de dominação –, sendo de notar que em todos eles existe uma ligação, direta ou indireta, com as relações de poder. São, por isso, criações artísticas que parecem ter vindo a aliar um pensamento político, que dialoga ou questiona uma determinada organização social, com um tom poético, onírico, mais amplo e abstrato, que se contradiz, que contempla o problema, que o deixa em aberto. A partir daí, existe um trabalho de colagem de retalhos, em que se juntam materiais de variadas naturezas, provenientes de diversos ramos do saber, no qual está fortemente presente a criação de uma dramaturgia e escrita para cena de autoria própria. Tendo uma linguagem estética multidisciplinar, cuja experimentação se baseia numa pesquisa literária, filosófica, cinematográfica e performativa, a companhia procura desenhar territórios de encontro através do que se pode chamar corpo sensível – um corpo que sente e pensa enquanto escreve. Consciente desse jogo cénico, utiliza o real dentro da ficção e a ficção dentro do real. 

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