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domingo, setembro 19, 2021

Joan Manuel Serrat - O Ferro-velho | Compro garrafas, papéis, trapos, roupa usada...

Há dias perguntaram-me quem era afinal o "Homem do saco" que antigamente as mães anunciavam às crianças, caso elas se portassem mal: "Olha que vem aí o homem do saco e leva-te!"


"Mau, já começo a chatear-me. Não lhes disse a vossa mãe que eu sou o homem do saco?"


Por: Armindo Guimarães

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Há dias perguntaram-me quem era afinal o "Homem do saco" que antigamente as mães anunciavam às crianças, caso elas se portassem mal: "Olha que vem aí o homem do saco e leva-te!"


A minha mãe nunca me assustou com o homem do saco, mas lá na rua não eram poucas as mães que tinham que se valer dele.


Até hoje nunca ninguém soube quem era o homem do saco, mas lembro-me que estava muito associado ao homem do ferro-velho que de longe a longe passava pela rua a apregoar o seu mister: "Compro garrafas, papéis, trapos, roupa usada, guarda-chuvas, móveis velhos!". O pregão do homem do ferro-velho há muito que deixou de ser ouvido pelas ruas da minha cidade, assim como outros pregões que ainda me recordo e que deixei registados sob o título "Pregões do Porto".


A atestar a associação do homem do ferro velho ao homem do saco, lembrei-me do grande cantor/compositor catalão reconhecido internacionalmente, Joan Manuel Serrat, que gravou algumas das suas obras em português, entre elas "O Ferro-velho" que, trago à estampa, convicto que irá ser do agrado dos nossos estimados leitores.




O Ferro-velho

Joan Manuel Serrat


Sempre de manhã,

com chuva ou com sol,

mesmo com frio ou nevoeiro,

de ruela em ruela,

ouvíamos gritar:

"Mulheres, chegou o ferro-velho!"


Todas as manhãs

te víamos chegar...

com um grande saco às costas,

um charuto apagado,

o fato esfarrapado,

a boina e as alpargatas.


E sempre, sempre seguido

pela canalha miúda.

Eras a grande atracção.

Tu, o teu saco e a canção.


Sou o ferro-velho,

compro garrafas, papéis,

compro trapos, roupa usada,

guarda-chuvas, móveis velhos...


Sou o ferro-velho,

os miúdos gritam e cantam.

"Mau, já começo a chatear-me.

Não lhes disse a vossa mãe

que eu sou o homem do saco?"


E até à noite assim,

de ruela em ruela,

e de taverna em taverna.

Com os teus papéis

encharcado em vinho,

voltarás à tua casa.


E voltas feliz,

porque tudo compraste:

o peixe, o vinho, uma vela.

E um pouco de amor

que te deve ter dado

qualquer rameira velha.


Sem tempo para pensar.

Toca a dormir. Sopra a vela.

E amanhã pelo mundo a girar

tu, teu saco e a canção...


Joan Manuel Serrat - O Ferro-velho

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