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sexta-feira, agosto 27, 2021

VISÕES FEMININAS - A potência das mães solo

Desvincular a maternidade de um estado civil é um primeiro passo em busca de reconhecimento das famílias monoparentais.


Mãe solteira, termo muito utilizado para classificar as mulheres que criam seus filhos sozinhas, é parte desse comportamento nocivo que a sociedade tem em relação às mães solo. Desvincular a maternidade de um estado civil é um primeiro passo em busca de reconhecimento das famílias monoparentais.


Por: Lu Magalhães*


Em meio à emoção das medalhas, as Olimpíadas deram visibilidade a uma questão social muito presente no Brasil: os desafios enfrentados pelas mães solo. Antes da emoção da medalha da ginasta Rebeca Andrade houve muita luta de dona Rosa Santos, que cria sete filhos sem a ajuda do pai. Essa é a realidade de 11,5 milhões de brasileiras, sendo que mais da metade delas, vive abaixo da linha da pobreza.  


Abordar esse tema é também falar sobre preconceito. Mãe solteira – um termo muito utilizado para classificar mulheres que criam seus filhos sozinhas – é parte desse comportamento nocivo que a sociedade tem em relação às mães solo. Diante disso, um movimento potente passou a defender a desvinculação do estado civil. Ao demonstrar de forma mais adequada, temos uma importante vitória na luta pelo reconhecimento de famílias monoparentais. Entretanto, o fato de criar os filhos sozinhas não exclui a responsabilidade de governos e da sociedade de dar suporte à essas cidadãs. 


E cidadania é algo que as mulheres têm que batalhar para conseguir nesse Brasil. Um absurdo essa notícia dos planos de saúde que exigem “autorização” do marido para as mulheres que querem colocar um dispositivo intrauterino (DIU). Claro que, à primeira vista, enxergamos um ato machista. Entretanto, acho importante vermos que às mulheres negam a existência como cidadãs. Uma notícia recente aponta que o Procon São Paulo está pedindo explicações aos 11 planos de saúde, depois da denúncia. Isso! Você não leu errado... são onze empresas que exigem o preenchimento e assinatura de um termo de consentimento. Que mundo estamos vivendo no qual a mulher não é a senhora absoluta da sua própria saúde reprodutiva?


Qual é a justificativa de uma sociedade nega à mulher o direito ao pleno exercício da cidadania? Qual é o motivo dessa sociedade que exalta as mães solo somente quando os filhos delas recebem medalhas? Estamos diante de um momento no qual muitas questões que envolvem as mulheres devem ser discutidas e alvo de mudanças imediatas. Fica a sensação de que a cada avanço temos, na sequência, um retrocesso. Mas, não podemos permitir nenhum recuo nos direitos conquistados! 


*Lu Magalhães é presidente da Primavera Editorial, sócia do PublishNews e do #coisadelivreiro. Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, Estados Unidos). A executiva atua no mercado editorial nacional e internacional há mais de 20 anos.


SOBRE A EDITORA | A Primavera Editorial é uma editora que busca apresentar obras inteligentes, instigantes e acalentadoras para a mulher que busca emancipação social e poder sobre suas escolhas. www.primaveraeditorial.com 

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