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quarta-feira, março 17, 2021

A ameaça psicológica da segunda onda da Covid

Nas últimas semanas temos acompanhado um Brasil totalmente tomado por um pânico coletivo diante da chegada da segunda onda da Covid no país.

Por: Dra. Silvia Queiroz*


Nas últimas semanas temos acompanhado um Brasil totalmente tomado por um pânico coletivo diante da chegada da segunda onda da Covid no país. De um lado, pessoas dizendo que esse pânico e stress não são tão necessários. De outro, parte do país afirmando que essa nova onda é muito mais transmissível e letal. Mas, o problema está longe de se tratar do vírus em si, da microscópica molécula capaz de levar pessoas à morte. Nosso problema, na verdade, é enfrentar a Covid simbólica, aquela criada no imaginário da população e que é capaz de fazer muito mal também. Deixe-me explicar.


Antes que alguém me critique por parecer insensível e ingênua diante da ameaça global, quero dizer que acredito, sim, no poder letal deste vírus. Fui, inclusive, uma das primeiras a falar, ainda no ano passado, com um grupo de amigos e parentes sobre evitarmos aglomerações de forma a conter a disseminação da doença, pensando no coletivo, nos leitos que poderiam faltar (e que já estão faltando), nos idosos e demais pessoas em vulnerabilidade que poderiam sofrer. A quarentena iniciada no ano passado é mais que necessária e eu realmente acredito no poder que ela tem.


Contudo, a despeito dessa já tão sofrida realidade, existe uma outra ameaça circulando pelas casas dos brasileiros e, talvez, na casa de muitas pessoas mundo afora. Trata-se do medo e da ansiedade causados tanto pela doença em si, quanto pelas repercussões que têm provocado. Mesmo sabendo tudo o que é necessário ser feito para se evitar a contaminação, muitas pessoas têm se contaminado por uma espécie de histeria coletiva. Quantas não são as pessoas que têm passado o dia penduradas em seus dispositivos eletrônicos buscando e recebendo todo tipo de informação (seja esta pertinente ou não) nas redes sociais? Milhares de pessoas ouvindo notícias minuto a minuto de como as coisas estão, não tem servido para muita coisa, além de se criar essa “pandemia psicológica” que tem adoecido muitos. São inúmeros os casos de pessoas em estado depressivo e ansioso por conta da Covid. Em momentos assim, pacientes psiquiátricos podem ficar em vulnerabilidade e outros podem se tornar pacientes da psiquiatria.


Quando não podemos negar que estamos todos, digo o mundo todo mesmo, passando por uma situação tão difícil, não podemos deixar de pensar em como administrar nossos recursos internos, nossas emoções e pensamentos para podermos passar por esta ilesos de problemas psicológicos.


E isso está longe de ser algo difícil de se fazer. A primeira grande providência a se tomar é parar de assistir a cada minuto notícias sobre o alastramento da doença. Vale muito mais obedecer às autoridades, manter a quarentena, continuar tendo os cuidados necessários que ser telespectador e propagador de más notícias.


Observar o curso dos pensamentos é imprescindível. Nossa mente produz dois tipos de pensamentos: os voluntários e os involuntários. Os chamados voluntários são aqueles que administramos. Agora, por exemplo, estou voluntariamente escolhendo as palavras que quero que façam parte desse meu pequeno texto. Estou voluntariamente pensando no que vou escrever. Já os ditos involuntários são aqueles que vêm a nossa mente sem que nós peçamos. Enquanto estou escrevendo aqui, posso ser lembrada (involuntariamente) que hoje noite tenho que ligar para uma amiga com a qual me comprometi em conversar. Não preciso lembrar disso agora, tenho anotações em minha agenda, mas, como o nome diz, este tipo de pensamento é involuntário e simplesmente vem à minha mente. Note que todos nós somos bombardeados por pensamentos que são involuntários o tempo todo. O problema é o que fazemos com eles. Assim como uma interrupção provocada por alguém, esse tipo de pensamento nos atrapalha, nos tira do norte que estávamos e, por vezes, nos adoece.


Esse tipo de pensamento indesejado (e que em casos de adoecimento podem ser negativos e pessimistas) são responsáveis pela preocupação excessiva em nossa mente. Não sei se você já conseguiu ligar os pontos, mas num tempo de disseminação de tantas notícias ruins, alimentar sua mente com estas é dar munição para os pensamentos involuntários te invadirem e dominarem suas emoções. Principalmente se você é alguém que já passou por algum tipo de trauma emocional desencadeado pela Covid (morte de pessoas próximas, desemprego, etc.).


Nosso cérebro é o centro de comando de nosso corpo e de nossa mente. Por isso precisamos preservá-lo. Cuide bem das notícias que você lê e assiste. Procure focar em informações úteis como aquelas que podem te ajudar a não se expor e pegar a doença. Fuja de sensacionalismo. Tire o foco dessa situação. Leia livros, veja filmes, procure amigos para conversar online, mate a saudade de algumas pessoas por meio de ligações telefônicas, use a criatividade. Exercite sua fé. A esperança está completamente relacionada com esta.


E não se “pré-ocupe” com relação ao futuro. Diante das incertezas trazidas pela Covid no mundo todo, nunca foi tão premente a relevância de se pensar em soluções ao invés de se focar nos problemas. Nem sempre fazer isso é algo simples e fácil. Mas, observo pessoas guerreiras que já estão se reconstruindo, se refazendo diante de toda essa adversidade, enquanto outras apenas lamentam. Que sejamos sábios, maduros emocionalmente e fortes o suficiente para enfrentarmos tudo isso juntos. Nosso país é riquíssimo de recursos naturais e humanos. Somos um povo inteligente, criativo e esforçado que já viveu muitas adversidades e superou grandes desafios. Com fé em Deus, vamos vencer essa intempérie. Façamos nossa parte e entreguemos aquilo que não nos é possível para o Único que pode todas as coisas!


*Silvia Queiroz é Psicóloga Clínica, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, Mestre em Teologia, Coach e Analista DISC pela SLAC, Escritora, Palestrante e Membro Toastmasters Internacional.www.silviaqueiroz.com.br 

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