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quinta-feira, fevereiro 11, 2021

Inovação ou Morte

Uma das tecnologias que mais revolucionou os transportes individuais, coletivos e de cargas foi o cinto de segurança. Estima-se que o seu uso reduz em até 40% o risco de morte, e 60% lesões mais graves como os traumatismos. Patenteado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1895, o equipamento só passou a ser usado nos anos 50, quando o Chevrolet Corvette passou a ser equipado com o modelo abdominal.


Por: Daniel Schnaider*


Uma das tecnologias que mais revolucionou os transportes individuais, coletivos e de cargas foi o cinto de segurança. Estima-se que o seu uso reduz em até 40% o risco de morte, e 60% lesões mais graves como os traumatismos. Patenteado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1895, o equipamento só passou a ser usado nos anos 50, quando o Chevrolet Corvette passou a ser equipado com o modelo abdominal. No Brasil, a primeira lei que obrigava os passageiros a utilizar o cinto de segurança foi aplicada na cidade de São Paulo, em 1994. E passados mais de 125 anos de sua invenção, ainda vemos nos noticiários, nos dias de hoje, pessoas que morreram no trânsito por não utilizarem o dispositivo.


Este é apenas um dos inúmeros exemplos sobre o quanto a tecnologia é subestimada quando tratamos, enquanto sociedade, governos e indivíduos o assunto segurança no trânsito. E mesmo olhando para os números, que mostram uma verdadeira chacina nas ruas das cidades e estradas brasileiras, percebemos uma certa inércia, um marasmo, como se tudo estivesse bem. Não está. O país luta há décadas a mesma guerra por um trânsito mais seguro. Porém, mal sabemos que já existem armas muito mais eficazes.


Internet das coisas, inteligência artificial, serviços de geolocalização, protocolos antifraude, monitoramento por áudio e vídeo, sensores e tantas outras tecnologias já estão à nossa disposição. Elas são acessíveis e não custam fortunas como se imagina. E o principal: o valor que elas trazem é inestimável: são capazes de salvar milhares de vidas todos os anos.


Segundo o Ministério da Infraestrutura, 53,7% dos acidentes são causados por negligência ou imprudência dos motoristas, seja por desrespeito às leis de trânsito (30,3%) ou falta de atenção do condutor (20,4%). Esses dados são assustadores quando se pensa que já existem tecnologias baseadas na internet das coisas, a famosa IoT (do inglês internet of things) que podem minimizar ou até mitigar os acidentes por erro humano. Com uma solução que integra um pequeno computador, conectividade com sensores acoplados ao veículo e outros acessórios específicos, é possível prevenir, monitorar e reduzir a severidade e os danos causados por estes acidentes.


As possibilidades são quase infinitas. Dependendo da tecnologia, é possível monitorar o comportamento dos motoristas por uma inteligência artificial, sendo capazes até de reconhecer um acidente meses antes que ele aconteça, incluindo a sua gravidade. Essas são informações preciosas que podem salvar muitas vidas. Se pensarmos que a maior causa é a desatenção, por exemplo, a telemetria é capaz de detectar sinais de fadiga dos condutores, controlar jornadas de trabalho para os motoristas profissionais ou até alertá-los sobre más condições climáticas que exigirão uma direção mais cautelosa. Já quando um acidente de fato ocorre, a IoT permite o acionamento dos serviços de emergência mais próximos, rapidamente, enviando informações cruciais como localidade exata e gravidade da colisão. Isso dá mais tempo para os socorristas agirem e pode significar muitas vidas sendo salvas.


Acontece que não podemos esperar que este tipo de inovação demore mais de 100 anos para se tornar algo aplicável em nosso dia a dia, como vimos acontecer com o nosso glorioso cinto de segurança. Pode-se dizer que um grande impeditivo é a letargia do Estado brasileiro. Acomodado, burocrático e incapaz de promover inovação através das tecnologias que estão à disposição, o preço é pago com as vidas de milhares de brasileiros todos os anos. Porque a tecnologia sozinha não é capaz de nada. A inovação está justamente na capacidade de aplicar as novas invenções socialmente e gerar valor.


Eu não sou ingênuo de acreditar que vá acontecer de uma hora para outra, ou em todo o país ao mesmo tempo. Mas acredito que de alguma forma há de se começar. Poderiam ser aplicados diferentes projetos pilotos em algumas cidades brasileiras e partir daí começar a observar as boas práticas, o que funciona ou não e, assim, criar multiplicadores para todas as regiões brasileiras. Eu penso, por exemplo, que deveríamos começar pelos CNPJs, incentivando às empresas a adotarem novas tecnologias de prevenção a acidentes em suas frotas. Com a popularização, eventualmente, isso chegaria a todos os veículos em circulação, criando verdadeiras malhas viárias e rodoviárias inteligentes.


Eu tenho a esperança de que consigamos, em breve, sensibilizar alguns gestores locais para iniciarmos os primeiros projetos de inovação do trânsito no Brasil. As últimas duas eleições trouxeram uma renovação em nossos governantes e esperamos que essa parcela atenda aos anseios daqueles que os colocaram ali. É preciso entender que estamos em uma hora de inovação ou morte e, embora essa metáfora se aplique a todos os aspectos sociais do país (empreendedorismo, educação, infraestrutura), quando falamos de trânsito, estamos nos referindo ao sentido literal: se não inovarmos, as pessoas vão, de fato, continuar morrendo!  

  

*Daniel Schnaider é CEO da Pointer by PowerFleet Brasil, líder mundial em soluções de IoT para redução de custo, prevenção de acidentes e roubos em frotas. LinkedIn

Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Fraga Bittencourt - Redatora do Portal Splish Splash.Leia Mais sobre a autora...

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