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sexta-feira, janeiro 15, 2021

Por que a esperança nem sempre deveria ser a última a morrer?

A esperança massacra a vida de alguém quando ela espera que algo fora do seu controle mude para que ela possa, então, viver bem.


*Por Dr. Bayard Galvão

 

Esperança é a anestesia dos sofredores. Às vezes se torna real, mas em muitas outras se mostra como pura fantasia.

 

Pensemos em três variáveis na vida, com diferentes níveis: (I) controle sobre algo, (II) esforço para atingir determinado resultado e (III) provável efeito. Como a capacidade de trocar o canal de TV (controle nível 9, esforço 1 e resultado bastante provável); alterar a mentalidade de um filho de 25 anos viciado em cocaína (controle nível 2, esforço 10 e resultado de baixíssimo efeito); e ser bem-sucedido na vida profissional (controle 7-8, esforço 8-10 e resultado de probabilidade aumentada).

 

A esperança massacra a vida de alguém quando ela espera que algo fora do seu controle mude para que ela possa, então, viver bem. Já vi pessoas que aguardam, com fé, a mudança do que as circundam, seja se esforçando pouco ou tentando controlar o que está fora das suas capacidades. Como em casamentos ruins, doenças irreversíveis e a gravidade.


A esperança de uma mudança de alguém ou situação profissional muitas vezes traz a tranquilidade de uma fantasia sobre o presente por um possível agradável futuro. Contudo, muitas vezes torna o presente similar/igual ao passado, "analgesiando" a vida no presente e insensibilizando cada um sobre a própria situação.


É preciso observar o que leva cada indivíduo ao sofrimento, avaliando o que está dentro e o que está fora do seu controle. Aquilo que estiver dentro, que seja feito, e o que estiver fora, ou se aceita ou muda a situação e paga os respectivos custos. Perder peso e ficar com o corpo malhado tem custos, assim como tentar melhorar um casamento, que por vezes, não mudará.


Vivemos em uma sociedade que facilmente mata o presente em prol de esperanças, “a-morte-cendo” a vida. Fantasias de um futuro melhor trazem conforto para o presente, mas frequentemente tornam pessoas distraídas do presente, a única “realidade real”, contra uma “realidade virtual fantasiosa”. Não são poucos os que se distraem da vida tal qual como ela é para não ter que lidar com os pesos das mudanças, procurando fórmulas fáceis e não palpáveis, seja de uma vida após esta ou da mudança existencial de alguém que se entende como tendo as respostas certas sobre o sentido da vida, mas que duvida de si em nada.


Para qualquer decisão na vida, algumas perguntas são válidas: em que nível atingir determinado objetivo está dentro do meu controle? Em que medida vale eu usar a minha vida para fazer algo que eu tenho quase zero de controle? Aquilo que eu não puder mudar, o que eu faço para aceitar ou como eu posso mudar o meu contexto? Quanto estou disposto a me exigir para chegar na meta almejada?


A vida é apenas simples para quem pensa pouco sobre ela, pois quão complexa é uma conversa entre amigos, pensar o sentido da vida, decidir sobre maternidade e paternidade e como lidar com doenças e morte?


*Bayard Galvão é Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.  www.hipnoterapia.com.br 

Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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