Os três grandes problemas do mundo ocidental: Questões identitárias, crise do capitalismo ultraliberal e intolerância religiosa - Portal Splish Splash

Recentes

sexta-feira, janeiro 08, 2021

Os três grandes problemas do mundo ocidental: Questões identitárias, crise do capitalismo ultraliberal e intolerância religiosa

Sobre as cenas assistidas ao vivo no dia 06 de janeiro de 2021, de invasão da parte mais radical dos apoiadores de Donald Trump no Capitólio, nós nos perguntamos: vai ficar por aí ou vai continuar?


Advogado especialista em relações internacionais explica que não é com a saída de Trump nem de Bolsonaro que esses problemas terminam


Sobre as cenas assistidas ao vivo no dia 06 de janeiro de 2021, de invasão da parte mais radical dos apoiadores de Donald Trump no Capitólio, nós nos perguntamos: vai ficar por aí ou vai continuar?


Ao pensar nestas imagens da democracia liberal americana vamos imaginar um vaso de flores bonito. Este vaso quebrou. Este vaso pode ser colado, mas nunca mais será a mesma coisa. A pergunta que eu faço para mim mesmo e para os demais é: o Trumpismo vai acabar ou continuar com a saída de Trump?


A resposta é que o Trumpismo continuará, assim como o Bolsonarismo no Brasil, pois eles são apoiados em três grandes problemas que nós temos atualmente no mundo ocidental.


Primeiro com as questões identitárias, onde estão as pautas ligadas a raça e diversidade. Este é um problema que bate de frente com os valores do Trumpismo e da direita mais conservadora. O segundo deve-se ao capitalismo ultraliberal, que no momento atual já está ultrapassado. Ele não sustenta mais a globalização como nós conhecemos até então, porque a miséria, a desigualdade e a pobreza estão fora de controle. Este aumento na parcela da população que se encontra em situação de miséria, leva muitas delas a se acomodarem no terceiro problema, que seria a extremidade e intolerância religiosa. Essas pessoas se acomodaram nessa intolerância, porque é colocado para elas que o outro, que aquele que vem mudar os seus costumes, aquele que vem de fora, o imigrante, o LGBTQ+, os negros, a China, são os responsáveis pelos seus fracassos.


Vale lembrar que em sua gestão, Donald Trump tinha um índice de desemprego de 2% a 3% antes da pandemia, depois passou a ser de 6% a 7%, e no meio disso o advento do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).


Esses problemas continuarão tanto em território nacional, quanto nos Estados Unidos. Não é com a saída de Trump ou com a saída de Bolsonaro que eles terminam. Isso é o que coloca em xeque a democracia, e por isso ela é atacada com a questão do voto impresso, voto digital. Vale ressaltar que Donald Trump perdeu de todas as formas: no voto impresso, nos eleitores, no colégio eleitoral, na justiça e ontem na sua tentativa de golpe e atentado à segurança nacional, que não foram absorvidas pelos militares.


Isso tem um preço para a democracia americana, que se encontra ferida. Por influência dos atos de ontem, nós não sabemos o que vai acontecer nos países em que as instituições são mais fragilizadas e fisiológicas. Não temos como prever as consequências disso em países, por exemplo, como o Brasil.


O que resta é aguardar quais serão as medidas tomadas pelos Estados Unidos em relação a Trump, se ele vai ser processado, se vai ser preso, porque ele insuflou estes atos contra a nação americana. Vamos esperar o que vai acontecer no mundo nos próximos meses e anos em decorrência desses problemas atuais do mundo ocidental.










*Cássio Faeddo: Sócio Diretor da Faeddo Sociedade de Advogados. Mestre em Direitos Fundamentais pelo UNIFIEO.  Professor de Direito. MBA em Relações Internacionais/FGV-SP  Instagram: @faeddo  Site: www.cassiofaeddo.com.br 

Nenhum comentário:

Postar um comentário