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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

6/12/2020

Grupo solidário que já ajudou mais de 3 mil pessoas em SP durante pandemia chama novos voluntários

Foto Ana Paula Venturi

Projeto Formigueiro - Amigos da Rua distribui alimentos, roupas, produtos de higiene e serviços para moradores de rua, comunidades carentes, ocupações e favelas da Capital Paulista


Além de ter afetado o emprego, saúde e vidas de milhares de pessoas, a pandemia de Covid-19 (coronavírus) evidenciou alguns problemas de São Paulo. A maior cidade do país possui cerca de 24 mil moradores de rua, de acordo com uma pesquisa de 2019 da Prefeitura, sendo que nesse momento essa população tem sofrido ainda mais por problemas como a dificuldade de acesso a produtos de higiene, alimentos e até mesmo moradia, já que a principal medida de combate ao vírus é o isolamento social em casa. Segundo um levantamento específico, divulgado no início de maio, pelo menos 22 moradores de rua já morreram em decorrência da Covid-19 na Capital Paulista

No meio desse cenário difícil para a população mais vulnerável da metrópole, ações beneficentes se multiplicam. Esse é o caso do Projeto Formigueiro – Amigos da Rua, que atua distribuindo alimentos e produtos e fornecendo serviços para a população carente há cerca de três meses.

O movimento já distribuiu mais de 8 mil refeições e 8 mil garrafas de água para moradores de rua, pessoas de comunidades carentes, ocupações e favelas da Capital Paulista. Ao todo, cerca de 4 mil pessoas já receberam alimentos e outros produtos, como kits de higiene e máscaras de proteção, por causa do cenário de pandemia.

Alexandre Zanela, um dos criadores e coordenadores do projeto, explica que atualmente são distribuídas refeições completas e água por duas vezes na semana. Além disso, os voluntários realizam em todos os domingos o “Café na Praça”. No segundo domingo do mês é promovido o “Café Solidário”, que além do tradicional café da manhã, também oferece kits de roupas, sapatos e cobertores a moradores de rua, além das refeições. Cada um destes eventos atende cerca de 400 pessoas.

“A ideia não é distribuir somente os alimentos, mas também respeito, empatia e solidariedade, promovendo o acolhimento das pessoas atendidas. Tudo isso é realizado de forma horizontal, fazendo com que todos se sintam acolhidas por pessoas iguais a elas, no intuito de promover o bem estar e levar amor e esperança aos que necessitam”, conta.

Nas últimas ações do grupo, realizadas na semana passada, foram distribuídos cobertores a desabrigados, incluindo 70 famílias da ocupação localizada embaixo do viaduto da Avenida Rudge Ramos, no bairro Bom Retiro, onde também foram entregues mais de 60 kg de alimentos, máscaras e papel higiênico. Além disso, foram entregues cerca de 900 refeições e café da manhã e roupas para outras 400 pessoas.

O Projeto

Zanela explica que o “Projeto Formigueiro – Amigos da Rua” surgiu em março de 2020, inspirado pelas ações da “Dona Leila”, uma humilde moradora do bairro Jardim Ipanema, próximo ao Jaraguá, que há 11 anos produz marmitas e as entrega para moradores de rua da região do Elevado João Goulart (Minhocão) e Praça Marechal Deodoro.

“A história da Dona Leila chegou a mim através de um colega de sala, no primeiro dia de aula na faculdade de psicologia. Eu estava buscando na universidade uma forma de dar um sentido à vida, depois de um longo período de tratamento de depressão profunda e acredito que encontrei esse sentido logo no primeiro dia. A ideia tomou conta de mim e vi que muitas outras coisas podiam ser feitas com base nele”, conta.

Atualmente, o movimento possui um grupo de 1751 “formiguinhas”, como são chamados os voluntários e colaboradores que integram o projeto. O conceito é baseado justamente nos insetos que, com organização, disciplina e colaboração mútua, através de pequenos atos criam um formigueiro complexo, algo impossível de ser imaginado se um deles estivesse agindo sozinho.

“Aplicando essa filosofia, muitas pessoas foram aderindo à ideia e, em menos de 3 meses de existência, o grupo já tem quase 1,8 mil pessoas. O número de refeições pulou de cerca de 60 para 800 por semana. O café da manhã, que acontecia uma vez por mês, passou a ocorrer todo domingo e toda uma corrente de interação com outros grupos, entidades e empresas está se formando rapidamente”, afirma Alexandre Zanela.

Além do senso de solidariedade, cuidado e amor ao próximo, principalmente com pessoas que muitas vezes são tratadas como invisíveis, a filosofia do grupo é disciplina, disposição, respeito mútuo e nunca fazer julgamentos, apenas acolher ou “fazer o bem sem olhar a quem”.

Foto Ana Paula Venturi
Novos voluntários

O Projeto Formigueiro possui duas equipes. A primeira equipe é chamada de “Cozinheir@s da Rua” e é composta por cerca de 35 pessoas que preparam e embalam as refeições. Esse trabalho é realizado na casa de cada “formiguinha cozinheira”. Além do capricho com que são feitas as refeições, as tampas das embalagens são decoradas com desenhos e mensagens de amor, carinho, força, fé e esperança e, nesse processo, até os próprios filhos das cozinheir@s ajudam. Essa equipe é coordenada por Luciana Maniero, que junto com seu marido, André Henning, encontraram Alexandre e se apaixonaram também pela iniciativa de Dona Leila.

A segunda equipe é chamada de “Logística”. Zanela diz que essas pessoas são responsáveis por ações como a coleta das doações por toda a cidade de São Paulo. Também são elas que fazem a triagem das roupas e outros mantimentos doados e a própria distribuição das refeições.

A triagem de roupas e doações atualmente está sob a coordenação de Ana Paula Venturi, que além de ser uma das responsáveis pelos registros visuais das ações do grupo, através das lentes de sua câmera, também organiza os trabalhos dos voluntários, que separam e montam os kits que serão entregues aos atendidos pelo Projeto Formigueiro.

“Agora nós estamos na campanha do inverno. Já distribuímos cerca de 400 cobertores e, até o final de julho, teremos distribuído cerca de outros mil e quinhentos. No mesmo período, entregaremos cerca de mil pares de meias grossas e muito mais roupas. Nosso trabalho não acaba nunca”, lembra o criador do projeto.

Como o movimento está em franco crescimento, Alexandre afirma que estão sendo procurados novos voluntários para fazerem parte do projeto. As novas “formiguinhas” serão importantes para participar de ações mais complexas de atendimento a moradores de rua e população carente.

De acordo com Zanela, entre os programas futuros do Projeto Formigueiro estão o atendimento psicossocial de pessoas em situação de rua, crianças carentes e suas famílias, dependentes químicos, pessoas com transtornos mentais e emocionais. Além disso, serão feitos projetos de alfabetização de adultos, reforço na educação de crianças e adolescentes, capacitação profissional, fomento da produção artística e cultural, entre outras ações.

No dia 14 de junho o grupo fará a primeira de uma série de ações diferenciadas. O evento “Barba, Cabelo e Anteninhas” marcará a estreia de uma nova equipe de voluntários, todos cabelereiros e barbeiros que, além de artistas das maquininhas, tesouras e navalhas, também tem um coração gigante, chamados de as “Formigas Cortadeiras”.

Além de lavar e cortar os cabelos e barbas da população de rua, o evento também visará oferecer tratamento para piolhos e escabiose.

“A visibilidade de nosso trabalho é essencial para que ele possa continuar a ser feito. O que nós queremos é mostrar para as pessoas que é possível sim mudar o mundo, se cada um fizer um pouquinho. Nossas pequenas ações, quando conjuntas, são capazes de gerar uma diferença no todo que, no caso, é a vida de milhares de pessoas que estão recebendo um olhar de atenção, um pouco de carinho, um prato de comida saudável e serviços e outros elementos que lhes possam dar uma vida um pouco mais digna”, finaliza Alexandre Zanela.

Contato para quem quiser ajudar doando alimentos, produtos de higiene ou se voluntariar:
Grupo Projeto Formigueiro – Amigos da Rua no Facebook:
https://www.facebook.com/groups/AMIGOSDARUA.FORMIGUEIRO/
Telefone: (11) 98578-4432 (Alexandre Zanela)

2 comentários:

  1. Este projeto me deu um novo sentido, uma nova maneira de entender a vida.
    Sem romantizar a rua, sem julgamentos, apenas empatia e acolhimento a quem pede.
    Através das minhas lentes posso contar histórias, existe uma alma dentro de cada imagem.
    Imensamente honrada por fazer parte deste formigueiro.

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  2. Trabalho sensacional.....minha esposa, eu , minha filha Roberta e minha cunhadinha Amanda fazemos parte desse projeto, inclusive ganhando apoio de amigos do nosso condomínio.....vale a pena

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