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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

1/28/2020

O roteiro frenético de um advogado em busca de si mesmo


Em "Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram", o escritor Alper Tadeu solta o vocabulário ao retratar o universo jurídico na jornada de um herói em constante mutação

Personagens de má índole, canalhas, charlatões e viciados do universo jurídico são retratados com doses singulares de ironia e sarcasmo em Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram. A ficção, quase que psicografada, retrata as desventuras do advogado Ricardo dos Santos após ser expulso de casa por seu pai repressor.

Publicado pela Chiado Books, o livro do autor carioca Alper Tadeu Alves Pereira  é um verdadeiro “soco no estômago”, como intitula em seu prefácio. “Uma sátira caricatural do universo jurídico recheado de pessoas sem escrúpulos que utilizam o poder em benefício próprio sem qualquer preocupação com a salvação divina”.  

O guru medonho realmente não pregava prego sem estopa! Era um aliciador nato travestido de ser humano manipulando a mente das pessoas para transformá-las em marionetes. Por sorte, o meu papel, com a chegada de Renato, se tornou secundário e, com isso, as garras dele já não mais me prendiam. (Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram, pág. 168)

Nas 254 páginas da obra, o personagem principal é guiado pela incerteza absoluta de que nada é seguro. A vida é repleta de altos e baixos, por vezes com experiências inusitadas. Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram deve ser lido sob a ótica do encanto do filme que se revela sem que saibamos o fim do enredo.

O bunker do homem à margem da lei no subúrbio carioca era percebido a quadras de distância, se elevando entre as casas ao redor como uma igreja medieval portentosa em uma demonstração secular do poder. Depois de me anunciar, imaginava que a porta frondosa seria aberta como nos filmes, rangendo em slow-motion enquanto os tambores, rufando ao fundo, marcariam os meus passos. Na verdade, entrei por uma porta estreita como se fosse um buraco para enfiar fichas de fliperama. (Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram Pág. 72)

Mesmo diante da falta de escrúpulos e de toda a miséria revelada, o protagonista encontra também pessoas altruístas, que são luz no caminho enquanto perambula pelos meandros da vida. Altos e baixos que levam o herói ao encontro de contas consigo mesmo e, o leitor, a recuperar o fôlego após refletir – e rir – sobre os assuntos mais densos da sombra humana.

Ficha técnica:
Título: Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram
Autor: Alper Tadeu Alves Pereira
ISBN: 978-989-52-6288-5
Editora: Chiado Books
Páginas: 254 
Altura: 22 cm
Largura: 14cm
Preço: R$ 39,00
Link de compra: http://bit.ly/2RbltGU

Sinopse: A obra quase que psicografada é uma torrente emocional pelos corredores do Poder, retratando as desventuras do Advogado Ricardo Santos, um misto de Macunaíma, solto na Selva Urbana, que se enreda por completo nas tramas do Mundo Material. Tal qual um anjo caído, após ser expulso de casa por seu pai repressor, personificação da classe média da zona sul carioca, adepto da tradição, propriedade e família, inicia sua jornada em um mundo recheado de personagens de má índole, canalhas, charlatões e viciados, para compreender que há esperança na humanidade, pois, mesmo diante de toda a miséria revelada, encontra também pessoas altruístas que são luz no caminho enquanto perambula pelos meandros da vida. A escalada ao topo da pirâmide social, compreendendo o sistema de freios e contrapesos, leva o herói ao encontro do seu destino, cujo desfecho será um encontro de contas consigo mesmo, cercado por todos aqueles que contribuíram, para o bem ou para o mal, à sua completa (de) formação como Homem. O título do livro embora apocalíptico, como se derivasse de ciências ocultas, nada mais é do que a revelação metafísica da descoberta que marcianos somos todos nós (apesar de não ser um tratado extraterrestre, pelo contrário, e nem alinhado às teorias da conspiração) e que o Planeta Marte, que é a nossa própria vida, pode muito bem ser objeto de construção ou total destruição (não é autoajuda também!), pois, basta enveredarmos para um dos dois caminhos (sem ser maniqueísta ou fatalista!). 


Sobre o autor: 
Alper Tadeu Alves Pereira nasceu em 1968, no Rio de Janeiro.  Advogado navegando à deriva em um mundo de sombras e tons de cinza, sempre teve nas artes o refúgio para a desesperança, sobretudo ao lidar com a vaidade e ambições desmedidas. A imaginação, combustível que alimenta o universo em que orbita, é o seu maior aliado, enquanto a jornada não se encerra.



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