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1/05/2020

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A Esperança na Voz do Rei

O termo "Esperança" nas canções de Roberto Carlos.

Extraindo o termo esperança das canções do repertório de Roberto Carlos, esbarramos nessa expressão empregada em diferentes sentidos. Vejamos como o Rei cantou alguma dessas esperanças.


Por: Carlos Marley

Começa um novo ano e com ele nascem novas esperanças: Para o mundo paz, para os governantes sabedoria, para as famílias harmonia, para as pessoas saúde, trabalho, segurança e prosperidade, com as bênçãos de Deus. 

Esperança que tem como definição o ato de esperar, tendência do espírito para considerar como provável a realização do que se deseja, o que se espera, expectativa, suposição, probabilidade.

A esperança é a segunda das virtudes teologais, as outras duas são a Fé e a Caridade (Amor). 

Extraindo o termo esperança das canções do repertório de Roberto Carlos, esbarramos nessa expressão empregada em diferentes sentidos. Vejamos como o Rei cantou alguma dessas esperanças. 

A primeira delas é a esperança pela paz, que na passagem a seguir é demonstrada na força da união, quando várias vozes vão se juntando ao canto solitário, tornando-o cada vez mais forte: 

E saí cantando meu pequeno hino/ Quando vi que alguém também cantava/ Vi minha esperança na voz de um menino/ Que sorrindo me acompanhava/ Outros que brincavam mais além/ Deixavam de brincar pra vir também/ E cada vez crescia mais aquele batalhão de paz/ Onde já marchavam mais de cem” (A guerra dos meninos - 1980);

Apesar da violência dos dias atuais não devemos desistir nunca. Neste caso a esperança se apresenta em forma de obstinação:

“Toda essa multidão/ Tem no peito amor e procura a paz/ E apesar de tudo/ A esperança não se desfaz” (Jesus Cristo - 1970);

A fé é outra forma de esperança que nos dá a certeza de que conseguiremos o que almejamos: 

“Eu sonho como criança/ Não perco a esperança de um tempo de paz” (Quero paz - 1990);

Mesmo que não a sinta tão perto e que não seja duradoura:

“No céu ainda olhava e encontrava esperanças/ De um dia tão distante, pelo menos por instantes/ Encontrar a paz sonhada” (O divã - 1972). 

Os problemas sentimentais estão sempre povoando os corações apaixonados. O nascer de um novo ano surge como uma esperança de soluções. Uma delas pode até ser o final de um relacionamento:

“Você, uma lembrança, uma esperança/ O sonho mais bonito que viveu pra se acabar” (A namorada - 1971);

Em outra situação a esperança surge como uma possibilidade de reviver um grande amor:

“Quando a solidão/ Revivendo as lembranças/ Me fez sentir/ Um resto de esperança” (Mais uma vez - 1978);

Outras vezes o amor se vai, mas fica um pouco desse amor pelo caminho e a esperança de um novo encontro:

“Esse sol que queima no meu rosto/ Um resto de esperança/ De ao menos ver de perto o seu olhar/ Que eu trago na lembrança” (Sentado à beira do caminho, 1979 – participação no CD “Erasmo Carlos Convida”, de Erasmo Carlos);

O desejo é a esperança que abranda o coração. As estações podem até modificar a paisagem, mas não o amor de quem ama: 

“Mas tenho a esperança que ela vai voltar/ As folhas quando caem/ Nascem outras no lugar” (Folhas de outono - 1967);

A falta de esperança é a morte de um sonho: 

Já não suporto mais/ Viver tão longe de você sem esperança” (Maior que o meu amor - 1970);

Existe a esperança solidária daqueles que ainda não foram atingidos pela flecha do amor:

Se a vida inteira você esperou um grande amor/ E de triste até chorou/ Sem esperanças de encontrar alguém/ Fique sabendo que eu também andei sozinho” (E não vou deixar você tão só - 1968);

A porta da esperança abre-se pela janela da alma:

“Tem os olhos cheios de esperança/ De uma cor que mais ninguém possui” (Olha - 1975);

A realização profissional é a esperança que só se alcança através de muito esforço. A batalha é árdua e a sua busca deve ser constante. Vejamos como foi a luta de Roberto Carlos no início da sua carreira:

“Ia cantar minha esperança/ Num programa de calouros” (Minha tia - 1976);

Mesmo que não consigamos tudo o que desejamos nesse novo ano, a nossa máxima deve ser sempre "A esperança é a última que morre", pois como escreveu o poeta: 

“Mas renova-se a esperança/ Nova aurora, cada dia” (Coração de estudante - 2006 - original de 1985);

E agradecer pelo o que conseguimos e pelo o que temos, principalmente pela vida:

Obrigado, Senhor, pela esperança/Obrigado, Senhor/Agradeço, obrigado, Senhor” (A montanha - 1972).

Salve 2020!

6 comentários:

  1. Um dia ainda alguém há-de fazer um estudo sobre o género de fãs/admiradores de cantores/compositores e não me admirava nada que se chegasse à conclusão que os fãs de Roberto Carlos são sui generis na medida em que estudam e se dedicam à obra do seu artista preferido nos mais variados e até inusitados aspectos, como aquele que incrivelmente sabe de cor o ano do lançamento de qualquer música do Rei, o autor da letra e da música, em que LP, single, CD ou DVD consta, em que faixa, e, pasmem-se, quantos minutos de duração da música; aquele que sabe tudo sobre o artista, tanto, tanto, que até lhe chamam "Enciclopédia Ambulante", aqueles que andam por todo o sítio bancando uma de RC, os chamados "Cover", aqueles e em especial aquelas que acompanham o Rei em todos os shows, mesmo que sejam no exterior e o próprio Roberto sabe disso pois no estrangeiro, aquando das visitas ao camarim, não raro diz para alguém do seu staff para deixarem entrar as meninas loucas, aqueles que falando outra língua aprendem português para melhor entenderem as letras de Roberto Carlos, aquele que decidiu fazer como Maomé que não indo a montanha ter com ele, foi ele ter com a montanha, batendo papos telefónicos com o Rei e elementos da sua orquestra e do seu staff. E é claro, o nosso amigo Carlos Marley, mais conhecido por "Nobre" nos meios Robertocarlisticos pois é com esse termo que se dirige a toda a malta, e que desde o tempo do saudoso Portal Clube do Rei escreve excelentes textos sobre a obra do Rei, como é o caso do presente texto. É caso para dizer que os textos do Marley sobre a obra do Rei, é obra.

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    1. Nobre colega Armindo, fico lisonjeado com o seu comentário, mas dentre os inúmeros fãs e admiradores de RC eu sou apenas um eterno aprendiz em relação a sua vasta obra.

      Um forte abraço

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    2. Nobre colega Armindo, gostei da minha foto no perfil.

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    3. Nobre colega Armindo, eita que a foto agora ficou com a cara de espantado.

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    4. Amigo Marley, há muito que já tinha pensada que não ficava bem no gadget de comentários o logo do Blogger naqueles que têm conta no Gmail mas não tem incluída foto, como é o teu caso. Por isso, lembrei-me de experimentar trocar o logo e resultou mas ainda está na fase experimental mas já estou a ver que gostaste mais da foto anterior. ☺ Abração.

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  2. Sempre bom ler ideais bem explicadas em portugues corretissimo. Abraco Armindo Guimaraes e, como nao podia deixar de ser, mil beijos ao Rei.

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