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12/02/2019

Nikki Bedi Comprova Que Sabe Polemizar Em Terras Alheias...

Nikki Bedi e seus polêmicos convidados e convidadas
Por: Tâmara Oliveira Santana
Fotos: Assessoria de Imprensa Teatro Gamaro 


Nickki Bedi apresentadora britânica que esteve no Brasil para a gravação de seu programa de rádio The Arts Hour On Tour exibido e produzido pela BBC World, ratificou que sabe “colocar lenha na fogueira”, quando a questão é polemizar em país alheio, porém, quando a refutação é sobre seu próprio país, a aprazível ex-atriz esquiva-se em se posicionar.

Nikki recebeu como convidados no palco do teatro Gamaro em São Paulo, os cineastas: Felipe Braga, Estela Renner, Quico Meirelles (filho do eminente diretor Fernando Meirelles), Josias Teófilo, o comediante Warley Santana e os cantores e compositores Emicida e Xênia França.

Xênia França "emprestando" sua beleza e voz para ilustrarem a noite com um "toque a mais" de pimenta
O palco “pegou fogo” quando perguntados sobre o atual cenário cultural no Brasil. A maior parte dos convidados criticou a forma do atual presidente Jair Bolsonaro em cortar verbas importantes para a cultura brasileira.

A plateia se manifestou com gritos e vaias quando Josias Teófilo, diretor do filme o Jardim das Aflições, trabalho que retrata a vida e ideias de Olavo de Carvalho, (filósofo, professor, jornalista conservador do Brasil, radicado nos EUA e considerado “guru” de Jair Bolsonaro), defendeu veemente as posições do atual governante do Brasil e chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ladrão. Do auditório soaram gritos como: “seu mentiroso!”. “Prove que Lula é ladrão!”. Com tanta rejeição o diretor foi obrigado a beber uma água para refrescar a mente.

Quem também parece não ter agradado muito foi o comediante Warley Santana com seu set de piadas sobre o Brasil um tanto quanto duvidoso. Mais uma vez o público se mostrou nada empolgado, dando risadas espaçadas e sem entusiasmo, quando o comediante disse que brasileiros colocam ketchup em tudo, “inclusive em produtos de beleza”, afirma o comediante. Ele lembrou a fama dos canarinhos pela hospitalidade e logo emendou: “Até terrorista tem medo de vir ao Brasil”, ressalta Warley. Brincadeiras à parte, a produção da BBC World mostrou que estava receosa quanto a segurança no País de Tom Jobim, pois montou um sistema ferrenho de entrada no Gamaro na noite da gravação.

Seguranças uniformizados ficaram em diferentes pontos próximos ao palco e locais estratégicos do teatro. Na noite, todos que adentravam o local passavam por revista por seguranças com detectores de metais, prática nada comum no Teatro Gamaro e em outras casas de espetáculos na cidade de São Paulo.

Após a gravação, Nikki Bedi conversou com a jornalista do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Confira nossa “Rapidinha”:

PSS- Seu pai é indiano, sua mãe inglesa e você nasceu em Aylesbury, Bucks, no Reino Unido. Até que ponto ser filha de pessoas de países diferentes contribuiu para ser o que você é?

NB- Sou uma pessoa de muita sorte em ter duas culturas distintas, bem marcantes em minha vida. Ter duas heranças culturais é uma das melhores coisas da vida. Isso me ajuda bastante profissionalmente com o meu programa em rodar o mundo e entender outras culturas.

PSS- Mesmo tendo pai indiano, e se considerar uma indiana, você foi bem-recebida na Índia quando decidiu investir em sua carreira de atriz em Mumbai? Ou eles te viram como uma britânica branca “metida” a indiana?

NB- Minha família paterna Moolgaoker é uma família muito importante na Índia. Meus avôs paternos eram pessoas muito notáveis, meu avô era presidente de uma famosa e bem estabelecida companhia de carros e caminhões na Índia, e minha avó uma célebre assistente social. Eles eram muito respeitados. Porque meu sobrenome era Moolgaoker, eu usava o nome Nikki Moolgaoker imediatamente as pessoas já sabiam quem eu era, então eu era bem aceita porque as pessoas percebiam que eu tinha uma forte e estreita  conexão com minhas raízes indianas.

PSS- Você foi casada com o famoso ator indiano Kabir Bedi. Quais as vantagens e desvantagens em casar com uma celebridade em nível mundial como Kabir Bedi?

NB- Inicialmente eu conheci Kabir porque nós atuamos juntos. Ele era Otelo e eu Desdêmona em uma grande produção de Shakespeare. Nós erámos colegas e nos apaixonamos. Quando você ama, você não vê o ator famoso, você vê o homem que você ama. Você não vê o ator, mas o homem que você divide sua vida, que te conforta, que te guia. Eu aprendi muito com Kabir, viajei o mundo com ele. Eu era muito privilegiada em ser sua esposa. Por outro lado, é difícil quando seu companheiro é uma grande estrela no sentido que você não pode sentar em uma pequena cafeteria em Bombay, por exemplo, para tomar um café, porque haverá muitas pessoas querendo falar, querendo autógrafos, querendo tirar fotos com seu marido. Mas são essas pessoas, esses fãs, que pagam as contas do artista, certo? O Kabir é uma pessoa fantástica, mesmo após a separação continuamos amigos e muito próximos.

PSS- Em entrevista para um programa da própria BBC você disse gostar de ver a cidade acordar. Você já viu a urbe São Paulo despertando? Caso sim o que achou?

NB- Ainda não vi a cidade de São Paulo acordar. Quando me refiro em ver a cidade acordar é quando saio umas cinco da manhã para correr e então vejo o acordar da cidade, acho lindo. Ainda não vi São Paulo, mas já está combinado que amanhã saio da Avenida Paulista onde estou hospedada e vou até o Parque Ibirapuera bem cedo, dai poderei ter o prazer em ver São Paulo despertando.

PSS- Quanto ao Brexit você votou contra ou a favor?

NB- Eu trabalho para BBC, e uma das nossas políticas é imparcialidade. Então nós não somos permitidos a dar nossa opinião publicamente, caso contrário irei me comprometer.

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