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10/16/2019

CCB | estreia em Portugal > APOCALYPSE NOW: FINAL CUT de Francis Ford Coppola | 20/10


Belém Cinema
APOCALYPSE NOW: FINAL CUT (1979)
De Francis Ford Coppola
Com Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duval
Versão restaurada em 4K, nova e definitiva montagem
Duração: 183 minutos

You smell that? Do you smell that? Napalm, son. Nothing else in the world smells like that.

I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for 12 hours.

When it was all over, I walked up. We didn't find one of 'em, not one stinky' dinky body.

The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like… Victory.

Someday this war's gonna end.

CCB ▪ domingo ▪ 20 outubro ▪ 16h ▪ Grande Auditório

No ano em que se celebram 40 anos da estreia de Apocalypse Now, o seu realizador, Francis Ford Coppola, supervisionou uma nova montagem e um restauro digital em 4K, com um profundo trabalho sobre o som, e assumiu esta como sendo a versão definitiva do seu mais mítico filme.

A versão de estreia em 1979 tinha 147 minutos. Em 2001, Coppola pôde repor uma série de cenas que tinha sido obrigado a retirar para encurtar o filme e estreou então a versão Redux, com 202 minutos. E agora, o realizador apresenta a Final Cut, de 183 minutos, desta obra de arte visual, surreal e alucinatória, e que é um incontornável épico sobre o horror da Guerra do Vietname, um dos eventos mais trágicos da segunda metade do século XX.

Inspirado na trama de Coração das Trevas (Heart of Darkness) do escritor britânico de origem polaca Joseph Conrad, Apocalypse Now conta a história da subida do rio Nung pelo capitão Benjamim Willard (Martin Sheen) com a perigosa e alucinante missão de executar o coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando) que, no vizinho Camboja, se tornou um déspota incontrolável venerado pelas tribos locais.

Durante a estreia do filme em Cannes, em 1979, Coppola afirmou que Apocalypse Now não era um filme sobre o Vietname, mas antes o Vietname, assumindo uma posição muito crítica em relação à atitude dos norte-americanos naquela guerra onde, com acesso a dinheiro e a armas – e, portanto, poder –, se transfiguraram e entregaram à loucura e amoralidade. Mas este é também um filme sobre as profundas transformações que os horrores da guerra provocam no âmago da consciência e das emoções do ser humano.

Filmado nas Filipinas, a rodagem foi, tal como o cenário retratado no filme, verdadeiramente caótica. Coppola começou por não contar com a colaboração das Forças Armadas norte-americanas e a ter de pactuar com o ditador filipino Ferdinando Marcos para conseguir alugar os meios aéreos necessários para a cena da Cavalgada das Valquírias. Porém, estes meios eram regularmente requisitados de urgência pelo estado filipino, interrompendo as filmagens. A produção foi também suspensa por várias semanas depois de um tufão destruir o imenso cenário e arruinar milhares de dólares em equipamentos. Ao fim de uma semana de rodagem, Coppola decidiu substituir Harvey Keitel, que seria o protagonista, por Martin Sheen. Porém, Sheen sofreu um grave ataque cardíaco e, novamente, a rodagem foi suspensa durante semanas, até se aguardar a sua recuperação. Perante estas e outras inúmeras adversidades, Coppola não conseguia escrever o fim do filme, numa corrida contra o tempo, pressionado sobretudo pela disponibilidade limitada de Marlon Brando e por um orçamento que se desvanecia velozmente. Alguma imprensa, ao constatar todos estes desaires, chegou mesmo a questionar de forma jocosa – «Apocalypse when [para quando]?»

Foram 238 dias de filmagens, 250 horas de material e uma derrapagem para mais do dobro do orçamento previsto, o que obrigou Coppola a hipotecar tudo o que tinha para poder terminar o filme.

Os dois anos de montagem de Apocalypse Now resultaram numa obra gigantesca – e ainda assim considerada um work in progress pelo realizador –, com cenas e elementos de antologia e que se tornaram memoráveis referências culturais do século XX. O famoso ataque à aldeia ao som de A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner, entrou nos cânones do cinema; assim como a não menos famosa frase de um dos intervenientes – «Adoro o cheiro de Napalm pela manhã» –; ou ainda a mítica canção The End, dos The Doors.

Nesta nova e derradeira versão, Coppola não se limitou a fazer um simples restauro digital 4K. O processo técnico e criativo envolveu mais de um ano de trabalho de arquivo e conseguiu recuperar extraordinários detalhes da imagem, sobretudo nos planos noturnos, através de um novo processo de digitalização dos negativos. Ainda mais notável é o trabalho de som, feito a partir da gravação original em seis pistas, o que não só permitiu torná-lo mais límpido e recuperar os sons de baixa frequência, como refazer as misturas recorrendo às tecnologias mais modernas de pós-produção, adaptadas também às condições atuais de exibição das salas de cinema.

Em 1979, Apocalypse Now foi recebido em Cannes com um longo aplauso e venceu a Palma de Ouro. Nesse ano, foi nomeado para oito Óscares (onde ganhou nas categorias de Fotografia e Som) e arrebatou diversos Globos de Ouro e prémios BAFTA. Mais importante é o legado que Coppola deixa para a história da 7.ª Arte, com um dos maiores filmes alguma vez feito, uma obra fundamental que se tornou uma influência para inúmeros cineastas e que vem sendo revisitada e admirada de geração em geração. E que reencontra agora, nesta derradeira e restaurada versão, toda a sua magnificência.

APOCALYPSE NOW: FINAL CUT - Official Trailer

1 comentário:

  1. Nobre colega Armindo,

    O título deveria ser alterado para Apocalypse Now and forever.

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