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9/29/2019

Pintando Novos Muros

Elian Chali, artista argentino, em frente ao Senai, edifício que pintou-Bruno Figueiredo

Priscila Amoni, uma das criadoras do Festival CURA, conta sobre a experiência de realizar uma edição do festival na Lagoinha, região de grande importância histórico-cultural para Belo Horizonte

O Festival CURA - Circuito Urbano de Arte já se tornou tradição em Belo Horizonte, a capital mineira espera ansiosa  pelo evento, no qual são apresentadas novas pinturas em empenas de vários edifícios, deixando a cidade mais colorida. Em setembro, o CURA teve uma edição extra na Lagoinha,  bairro que fica na região central e faz parte da história e do folclore de Belo Horizonte de uma maneira muito marcante.

Agora, quem passa pela avenida Antônio Carlos, enxerga novas cores tomando conta dos prédios da região. O edifício do Senai, por exemplo, chama atenção pelas  recém adquiridas formas geométricas multicoloridas que tomam conta da sua fachada, feitas pelo artista argentino Elian Chali. O edifício Novo Rio, na Rua Diamantina,  já bastante degradado pelo tempo, trazia tons cinzentos para o horizonte do bairro. Depois das pinturas feitas pela grafiteira Maria Raquel – dona do famoso personagem da arte urbana em BH, o Bolinho –  e Zé D. Nilson, a extensa fachada lateral do prédio trouxe um novo ar para o entorno, mais alegre e vistoso. 

A arte, por meio do CURA, trouxe os olhares dos belorizontinos  para a Lagoinha durante os dias do festival e, claro, deixa como legado as novas cores e uma região  redescoberta pelo público. Como lembrança, também fica um vínculo criado com a população local, conta Priscila Amoni, uma das criadoras do festival e artista:  "Esses 11 dias foram um processo de envolvimento da própria comunidade, a gente sentiu isso ao longo dos dias do festival. Todos estavam muito felizes e sentimos uma excelente receptividade".  No processo de articulação com os moradores da região, um fator essencial foi o Viva Lagoinha, uma iniciativa que busca, por meio da economia criativa, fomentar o bairro enquanto um ponto focal de cultura e lazer para o belorizontino, como já foi em outro momento.

Nessa edição extra do Cura, a Wäls esteve presente desde o início como parceira na realização do festival  – para comemorar seus 20 anos, a cervejaria decidiu se juntar a esse movimento de resgate histórico da Lagoinha e se conectar ainda mais com a cidade. Para corroborar com os esforços do grupo Viva Lagoinha na preservação e retomada da memória da região, a Wäls lançou uma petição online  com o objetivo de que o Copo Americano® seja reconhecido Copo Lagoinha®, termo muito típico da capital mineira. Nesse processo de reafirmação de identidade, um momento importante foi a feira gastronômica que aconteceu no final de semana de encerramento do evento, reunindo apenas cozinheiros locais. Na mesma ocasião, também foi lançado o Selo Estômago da Lagoinha, que é oferecido para os restaurantes e bares que são destaques gastronômicos na região. 

Priscila Amoni explica a importância dessa mudança territorial do festival dentro da cidade, contando por que esse movimento foi um passo significativo: "Ao sair da Sapucaí, o CURA dá um passo rumo a uma coisa mais profunda no seu potencial enquanto festival, que é o de viver um território, de potencializar esse território, de trabalhar junto com esse território, de suas especificidades –  com a vida particular que tem lá, com as pessoas e artistas da região. Então ir para a lagoinha foi uma expansão, pudemos ver que existem novas possibilidades, muito mais profundas.". 

Agora, BH  fica no aguardo da próxima edição, que retorna à Sapucaí, em novembro, entre os dias 5 e 17.

Cura Lagoinha, relação de artistas

Prédios:
Personagem Bolinho no Edifício Novo Rio, pintado pela artista Maria Raquel-Bruno Figueiredo

Bolinho (Floresta/BH) - Ed. Novo Rio  (06 a 15/09) - Rua Diamantina nº 645
Elian Chali (Córdoba, Argentina) - SENAI Lagoinha  (03 a 11/09) - Av. Pres. Antônio Carlos nº 561
Luna Bastos (Teresina/PI) - Grecar  (11 a 15/09) - Av. Pres. Antônio Carlos, nº 245
Zé d Nilson (Lagoinha/BH) - Ed. Novo Rio  (05 a 15/09) - Rua Diamantina nº 645

Empena, também no edifício Novo Rio, pintada pelo artista Zé D Nilson-Bruno Figueiredo

Muros:
Wanatta (Alto Vera Cruz/BH) - Mirante Lagoinha  (05 a 15/09) - Rua Diamantina s/n (próximo ao nº 720)
Rupestre Crew (Lagoinha/BH) - Casa Cura/Univeritás  (05 a 15/09) - Rua Diamantina, 632
Fênix (Santa Mônica/BH) - Mirante Lagoinha  (05 a 15/09) - Rua Diamantina nº 645 / Parceria Museu de Rua
Saulo Pico (Lagoinha/BH) - Mirante Lagoinha  (06 a 15/09) - Rua Diamantina s/n (próximo ao nº 720)
Priscila Amoni (Lagoinha/BH/MG) - Casa da Silmara (11 a 15/09) - Rua Caxambu nª 63

Mural pintado pela artista Luna Dias-Bruno Figueiredo

Bares:
Nila (Mateus Leme/MG) - Armazém nºoito  (05 a 15/09) - Rua Francisco Soucasseaux nº08
Gabriel Dias (Tupi/BH) – Restaurante do Luiz Atleticano  (09 a 13/09) - Rua Itapecerica nº904

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