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7/07/2019

Ouça o debute dos piauienses da Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo

CajuPingaFogo (Por Sergio Loureiro)

Ouça “Rosa dos Ventos”, álbum que une cultura popular e a tradição do pífano com a energia jovem da Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo.

Em “Rosa dos Ventos”, primeiro álbum do grupo piauiense, todo o enaltecimento da cultura nordestina através da arte do pífano e com toda energia da jovem banda.

(Ouça Rosa dos Ventos no seu player favorito: https://ilinks.com.br/cajupingafogo)

A Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo nasceu de maneira totalmente despretensiosa no ano de 2016, quando Maguim do Pife (Pífano, rabeca e voz) reuniu os integrantes e deu inicio ao que seria o protótipo da banda para a realização de uma apresentação na Festa Junina da Universidade Federal do Piauí, de onde todos eram estudantes. Os primeiros ensaios foram debaixo do cajueiro ao lado da Rádio Universitária, no campus da UFPI. Daquele momento em diante, começaram a aparecer shows em todos os cantos da cidade e eles não pararam mais de tocar.

Ao tentar fazer uma flauta de PVC, Maguim começou a estudar instrumentos de sopro e chegou tipicamente brasileiro e nordestino, a proposta natural foi de enaltecer a cultura nordestina. Era necessário chegar ao som ancestral do pífano e dos instrumentos percussivos que se unem nas bandas tradicionais, porém
com uma linguagem mais contemporânea. Desta forma, os integrantes do projeto foram reunidos um a um.

A dançarina Rafaela Gomes (pratos, percussão e voz) foi a primeira integrante da banda, convidada inicialmente para compor o corpo de dança e posteriormente, dada as vivências da própria banda, assumindo instrumentos percussivos. Tauana Queiroz (zabumba, percussão e voz) era estudante de jornalismo quando foi convidada para a banda. Ela já fazia parte do trio pé de
serra As Fulô do Sertão e também se apaixonou pela percussão do pífano. Leo Mesquita (pífano e voz) já tocava outros tipos de flautas quando aprendeu a tocar pífano em uma oficina ministrada pelo Maguim. Leo se destacou pela habilidade no instrumento sua presença se fez essencial na banda. E Javé Montuchô (caixa, percussão e voz) já era conhecido na universidade por seu
trabalho como baterista da banda de rock Alcaçuz, mas sempre foi muito interessado na mistura regionalizada do rock, como os piauienses Rock Moreira e Narguilé Hidromecânico.

Estava formada a banda de Pífanos Caju Pinga Fogo. O estudo das tradições musicais do nordeste e do pífano somados à juventude dos integrantes deixaram os shows únicos e cheios de energia, atraindo atenção por onde passavam. Com o processo de ensaios e composição das canções autorais parecia natural querer registrar as canções em um álbum. Surgiu Rosa dos Ventos, álbum que tem esse nome “pelo significado literal, de representar os pontos cardeais, o movimento e o caminho, mas também tem o significado simbólico por ser o nome do local onde a banda se reune e ensaia na UFPI”, conta Javé.

Arte de Daniel Vicent

Ouça Rosa dos Ventos no seu player favorito: https://ilinks.com.br/cajupingafogo

O álbum de 14 faixas autorais, que não se restringem apenas as sonoridades das tradicionais bandas de pífanos, mas que abraça todos os estilos do nordeste. “Nós partimos da a ideia que o pífano não é um limite criativo, e sim muito versátil. No disco e no show provamos isso, pois tocamos os mais diversos ritmos. E a pesquisa não para. Podem vir outros ritmos, outros instrumentos, mais o Pífano sempre vai tá no meio”, contou Javê. Um exemplo é “Forro pra pife ver”, quarta faixa do álbum: “Uma festa no interior que reúne amigos no terreiro pra levantar poeira ao som do pífano. A composição mistura xaxado e o tradicional baião”, nos contou Tauana.

Essa mistura nordestina continua ao longo de todo o trabalho, como pode ser visto no faixa a faixa do álbum feito com a banda:

Faixa a faixa: Rosa dos Ventos
01. “A saga do caboco rumo ao vento”
uma das poucas músicas instrumentais do disco, as percussões fazem uma dança entre as variações do arrasta pé, enquanto os pífanos são a expressão da miscigenação entre o branco e o índio (caboclo).

02. “Laço de Fita - Terror do Nordeste”
Sample com a toada de Mestre Manoel Luciano (do boi Terror do Nordeste). Gravada no Poti Velho em Teresina. Áudio extraído do documentário “Laço de Fita” de Paulo Cezar Saraceni, gravado em Janeiro de 1976.

03. “Barca Velha”
As barcas já foram o transporte mais usado para atravessar os rios que cortam a cidade e hoje ainda fazem da rotina de trabalhadores, estudantes e passageiros que transitam diariamente entre Timon e Teresina. A ciranda segue o curso da água e os pífanos compõem a parte metálica desse ritmo tão envolvente.

04. “Forró pra pife ver”
Uma festa no interior que reúne amigos no terreiro pra levantar poeira ao som do pífano. A composição mistura xaxado e o tradicional baião.

05. “Mestre Manoel Messias”
Vinheta com audio extraído de entrevista do Mestre Manoel Messias concedida a Marcus Sousa (Maguim do Pife) em Maio de 2017.

06. “Dibuia o milho”
Tudo começou quando Manoel Messias tocou de boca um frevo super agitado que compôs anos atrás. A música, com sua marcação intensa e floreios dançantes, ganhou vida no pife no mesmo instante e pouco tempo depois já fazia parte do repertório da Caju.

07. “Garrô Amô”
Um samba de matuto swingado onde os pífanos fazem as dobradinhas e a percussão agita no pagodão.

08. “Maria Marmeleira”
Rabeca e vocais cantam juntos nessa toada que tem como grande inspiração o cavalo marinho pernambucano. A levada é de cavalo marinho, mas tocada com percussão de banda de pife. Uma ótima mistura para fazer trupé!

09. “Maria da Inglaterra”
Trecho da música “Vivo no mundo a sofrer”, extraída do documentário “Laço de Fita” de Paulo Cezar Saraceni, gravado em Janeiro de 1976; e trecho de entrevista extraída do documentário “Maria da Inglaterra Entre Amigos” de José Dantas e Márcio Bigly, gravado em Dezembro de 2013.

10. “Toca toca pife”
Coro, canto e pífanos se juntam nesse samba de matuto. O resultado disso é uma pifada que dá pra cantar, dançar só e coladinho xamegando.

11. “Enquanto o jegue não vem”
O jegue é o ônibus. A pifada, uma forma de matar o tempo. O xaxado entra na agonia de uma espera que parece nunca ter fim.

12. “Samba de Biu”
Biu é forró, é sambador, é o samba e é o pifeiro. E matuta é a levada onde os pífanos sambam.

13. “Marcha das Formigas”
Um exército de formigas marcha em direção ao piquenique na praça.Uma grande guerra fotravada e o resultado disso é essa pifada que mistura elementos rítmicos da marcha marcial e do xaxado.

14. “Zé Pião”
Feita pra girar, pular, cair e levantar. Todo mundo que entrar na farra desse arrasta pé gostoso, se transforma em Zé Pião!

O álbum foi gravado no Estúdio Jardim Elétrico em Teresina no ano de 2018, com produção do consagrado músico e produtor pernambucano Zé da Flauta, que agregou muito a feitura do trabalho. Todo o processo foi registrado numa web serie de 5 episódios (assista aqui), que demonstra todo o caminho para chegada do disco e também apresenta um pouco mais os integrantes da banda, a história do pífano, um instrumento tão presente na nossa cultura nordestina e, mesmo com toda essa presença, pouco conhecido pelos jovens atualmente.

Outra característica marcante da banda são suas apresentações ao vivo, cheias de energia e misturando elementos da dança, teatro e interagindo muito com o público presente. As apresentações impactam para além da música, criando uma simbiose entre músicos e público, como pode ser visto na apresentação do grupo captada na web serie citada acima.

O objetivo da Banda de Pífanos Caju Pinga Fogo é celebrar e enaltecer a cultura nordestina e levála aos quatro cantos do mundo. Perpetuando a cultura tradicional de raiz, uma tarefa difícil num mundo cada vez mais veloz e globalizado. Com uma linguagem jovem e irreverente, o grupo une tradição e modernidade, em um show cheio de energia e alegria pra todas as idades.

Ficha Técnica:
Produção Musical: Zé da Flauta e Caju Pinga Fogo
Gravado no Estúdio Jardim Elétrico por André Melo em Dezembro de 2018, Teresina-PI Mixado e Masterizado no Estúdio Underground por Zé da Flauta e Renato Santos em Janeiro de 2019, Recife-P
Todas as Músicas e Arranjos por Caju Pinga Fogo exceto “Dibuia o Milho”, letra de Mestre Manoel Messias
Preparo Vocal: Edivan Alves
Arte: Daniel Vincent
Caju Pinga Fogo é:
Maguim do Pife: pífano, rabeca e voz
Leo Mesquita: pífano e voz
Tauana Queiroz: zabumba, percussão e voz
Javé Montuchô: caixa, percussão e voz
Rafaela Gomes: pratos, percussão e voz
Participações especiais:
Arnaldo Boa Esperança: percussões
Jaziel Oliveira: pífano em “Saga do Cabôco Rumo ao Vento”
Sarminina (Hananda Soares, Adê Porfírio e Manu Vieira): coro em “Maria Marmeleira”
Zé da Flauta e Layanna Ariel: palmas em “Forró pra Pife ver”.

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