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22 de julho de 2018

Malala no Brasil: A importância da jovem paquistanesa na luta pela educação de mulheres

Malala é o símbolo da luta de mulheres pelo direito à educação / Créditos: Southbank Centre

Mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, a ativista foi baleada pelo Talibã por ir à escola.

Por Lorraine Vilela Campos

Mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, defensora do direito à educação para meninas e mulheres, ativista que vê na escola o papel transformador para a sociedade, vítima de um atentado pelo fato de ser mulher e estudar. Esta é a paquistanesa Malala Yousafzai, de 21 anos, que esteve no Brasil neste mês de julho.

Malala ficou conhecida mundialmente após ser baleada pelo grupo Talibã, enquanto estava no ônibus voltando de sua escola, na aldeia de Swat, no Paquistão. Em 2012, aos 15 anos, a adolescente já era conhecida por sua luta pelo direito de meninas poderem ir à escola, ação condenada pelo regime Tabilã. Por dar voz às jovens estudantes e contar sobre a pressão sofrida no país, a ativista foi vítima do atentado.

Para sobreviver, Malala teve que deixar o Paquistão e passou a morar com a família em Londres. Recuperada do atentado, a jovem ganhou o mundo como ativista ao invés de se calar. Pensando em buscar investimentos na educação para as populações menos assistidas, principalmente meninas, a paquistanesa criou a Fundação Malala.

É possível ver a importância que a educação tem na vida de Malala em seu livro: "Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã", assim como em um documentário. Diferente de muitas meninas de sua região, ela teve o apoio de seu pai desde pequena e, com isso, passou a se interessar pelas questões sociais e políticas. Aos 11 anos, começou a escrever com um pseudônimo para contar as dificuldades enfrentadas pelas jovens estudantes. 

"O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir mentes de pensar". - Malala Yousafzai em 'Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã' (2013)

Malala no Brasil

Em sua visita ao Brasil, Malala abordou a importância da educação para a emancipação (ser cidadão), falou sobre a necessidade de empoderamento da população feminina por meio do estudo, dimuindo assim a evasão escolar tão comum na adolescência da periferia, além de criticar o projeto 'Escola sem Partido', já que a proposta retira de sala de aula a possibilidade de abordar questões importantes sobre sexualidade (como o que é abuso, prevenção de doenças e gravidez) e propaga o preconceito contra homossexuais.

A visita da jovem paquistanesa não foi só para falar sobre seu trabalho. A Fundação Malala vai patrocinar e acompanhar três escolas brasileiras, sendo duas no nordeste e uma em São Paulo. Apesar dos avanços na igualdade entre homens e mulheres, o Brasil ainda chama a atenção para a necessidade de equiparar os gêneros: mais de 1,5 milhão de meninas está fora das escolas.

A proposta de Malala é ajudar as áreas mais necessitadas. Dados levantados pela Fundação mostram que só 30% de crianças negras termina os estudos no país, por exemplo. Em relação aos indígenas, que representam 0,5% da população brasileira, contam com cerca de 30% fora das salas de aula ou como analfabetos.

O legado de Malala

A mensagem que Malala traz para a sociedade não é de "supremacia feminina", como muitos militantes contrários aos movimentos feministas insistem em dizer. O objetivo da jovem é que homens e mulheres tenham os mesmo direitos, em especial na educação, já que é comum a evasão escolar entre meninas e adolescentes ou até mesmo a proibição por regimes como os que a fizeram se vítima de um atentado. 

"Não quero ser lembrada como a “menina que foi baleada pelo Talibã” mas como “a menina que lutou pela educação”. Esta é a causa para a qual estou dedicando minha vida." - Malala Yousafzai em 'Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã' (2013)

Malala luta pelo acesso irrestrito à educação independente de crença ou religião. Mesmo militando, a ativista mantém sua fé e seus costumes, já que é Muçulmana, mas não tolera que os Direitos Humanos sejam feridos em nome de uma crença ou preconceito.

A sociedade precisa de mais "Malalas" para dar voz às minorias. Que a educação seja forma de inserção social e possibilite uma realidade com mais igualdade de gênero.

Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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