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14 de março de 2018

Igreja, médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas e hospitais farão enterro simbólico do ministro Ricardo Barros em 5 de abril, na Sé


Igreja, médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, Santas Casas e conjunto de agentes da saúde farão enterro simbólico do ministro Ricardo Barros em 5 de abril, na Sé

Encenação com atores em macas e cadeiras de rodas, balões pretos como forma de luto pelo Sistema Único de Saúde e enterro simbólico do ministro da Saúde, Ricardo Barros. Esses serão alguns dos elementos do ato público da Frente Democrática em Defesa do SUS, em 5 de abril, diante da Catedral da Sé. Os detalhes foram acertados pelas entidades que formam o grupoem 12 de março, em reunião na sede da Associação Paulista de Medicina.

O ato público de 5 abril terá como ponto de concentração a sede da APM, às 10h30, que, nesta data, estará com toda a sua fachada de 14 andares coberta por uma bandeira de 25 metros, em defesa do SUS. O protesto foi propositalmente marcado às vésperas de 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, para chamar a atenção dos cidadãos à causa. Cerca de 30 organizações já confirmaram participação no ato.

Abrindo os trabalhos, o diretor de Defesa Profissional da APM, Marun David Cury, reafirmou que muitas reivindicações de direitos são atendidas em razão de uma participação coletiva. “A única forma de sensibilizar um governante se dá por manifestação popular. A nossa associação e parceiros, por exemplo, sempre esteve à frente de atos significativos que conseguiram não só mobilizar a imprensa, como resolver muitas questões. Temos de nos empenhar agora para trazer um número representativo de pessoas. Precisamos ‘arregaçar as mangas’ em defesa da assistência pública”, convocou Marun.

Em consonância, o diretor adjunto de Defesa Profissional da APM, João Sobreira de Moura Neto, acredita que a conscientização e a mobilização pública são capazes de reverter o quadro de colapso que o SUS está enfrentando.

“A Saúde realmente é um ponto crucial, o mais sensível no País. Em 2013, as pessoas foram às ruas, principalmente, para pedir melhores condições assistenciais. Hoje, presenciamos o desmonte do sistema público”, afirmou, ao expor o posicionamento do Ministério da Saúde favorável à implantação de planos de saúde “acessíveis”, com coberturas limitadas.

“São planos intitulados populares, mas enganosos. Em reunião na Fiesp, semana passada, o próprio ministro usou a analogia de que algumas pessoas podem andar de Mercedes e outras de fusquinha, como se a Saúde fosse mercadoria. Querem ludibriar as pessoas para que comprem esses planos mais baratos para, depois disso, essa mesma saúde privada ofertar serviços ao governo, em uma privatização total do sistema”, garante Sobreira.

“Do jeito que vai caminhando, os planos de saúde com capital estrangeiro comprarão tudo. O desmonte do SUS está por trás dessa assistência popular”,
acrescentou o médico e vereador Gilberto Natalini.

Grande presença no ato público
 

Natalini ainda reiterou a importância da participação massiva da população no ato para tentar reverter a situação atual do sistema. “A causa é justíssima. Agora, é hora de chamar todo mundo, cada um com suas cores. É uma forma de demonstrarmos a nossa indignação. As pessoas estão sofrendo com a desassistência em São Paulo e no Brasil, e o ministro da Saúde é o responsável atual pelo sistema. Cabe a nós nos mobilizarmos por melhorias.”

“Como capelão do Instituto de Infectologia do Emílio Ribas há mais de 20 anos, nunca vi uma situação tão crítica como a de hoje com a Saúde. A ameaça da Prefeitura de São Paulo de fechamento das AMAs é mais um motivo para essa luta”, disse o padre João Inácio Mildner, da Arquidiocese de São Paulo, que também apoia o movimento. “Não é um ato de classe ou de uma entidade. Temos que chamar sindicatos, movimentos populares, associações, igrejas, denominações religiosas. É um ato de todos, da sociedade civil em defesa do SUS”, acrescentou.

A primeira secretária do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), Eduarda Ribeiro dos Santos, compartilhou da opinião: “A Enfermagem é uma grande força de trabalho no Sistema Único de Saúde, temos um conselho grande e forte com mais de 500 mil pessoas, todas geralmente bem engajadas na causa da saúde pública. E vamos nos comprometer a divulgar o ato em nossos meios digitais de comunicação”.

Participaram ainda do encontro: Antonio Vitor Ramon Cardoso (UBS/Cambuci), Carlos Benedito Marcondes e Carlos Cabral (UBS/AMA – Sé Frederico Alvarenga), Celina Araújo Moraes Mello, Maria Alice Araújo Mello Susemihl (Associação Brasileira de Epilepsia), Edemilson Cavalheiro (APM Regional Guarujá), Heldio Fortunato Gaspar de Freitas (Medicina Desportiva da Sociedade Paulista e Brasileira), Henrique Carriço da Silva e Ivone Meinão (Sociedade Paulista de Reumatologia), João Fernandes (Oftalmologia), Luís Carlos Uta Nakano (Angiologia e Cirurgia Vascular – Sociedade Brasileira Regional São Paulo), Márcio Arnaldo Guimarães Lois e Luciana Feldman  (vereador Natalini), Marcos Lipay (Urologia – Sociedade Brasileira Seção São Paulo), Maria Aparecida S. Salvador (Faculdade Anhanguera), Orlando Cândido dos Passos (Siatoef – Observatório da Saúde), Paulo Manabu Honda (Neurocirurgiões – Sociedade de São Paulo e Brasileira), Paulo Nicolau (Obstetrícia e Ginecologia – Associação de São Paulo), Sérgio Eiji Furuta (Associação Paulista de Homeopatia), Thaís Cavaletti (ABE), Wilson Barbosa (Instituto de Olhos na Saúde e Prevenção de Câncer), Wilson Rubens Andreoni (Cirurgia Plástica – Sociedade Brasileira).

A próxima reunião para alinhar o plano de ação será no dia 26 de março.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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