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17 de janeiro de 2018

Angela Maria estreia espetáculo dedicado a canções de Roberto e Erasmo


Prestes a completar 89 anos, turnê da cantora começa em São Paulo e tem previsão de percorrer outras capitais, incluindo Belo Horizonte 

RAPHAEL VIDIGAL

Angela Maria é assim conhecida há praticamente sete décadas por conta de uma proibição familiar. Para não ser descoberta pelos parentes, a carioca Abelim da Cunha inventou o nome artístico com o qual se consagrou Rainha do Rádio nos anos 50. Hoje, nem o Rei é capaz de lhe negar nada. “Perguntei até se poderia gravar ‘Detalhes’, e ele disse: ‘de repente, até pode ser’. Mas, por respeito, preferi deixar ela de fora”, conta.

Angela reproduz o diálogo travado com Roberto Carlos no camarim de um show em São Paulo, oito meses antes de lançar, no ano passado, “Angela Maria e as Canções de Roberto & Erasmo”. O título serve de base para o espetáculo que a cantora estreia esta quarta-feira (17), em São Paulo, e já tem previsão de percorrer capitais do Brasil em turnê, incluindo Belo Horizonte. “São poucos os artistas que conseguem gravar um disco com dez canções do Roberto. Normalmente fazem uma ou duas, porque ele não costuma permitir. Mas, comigo, ele foi muito gentil. Me falou que todo compositor gostaria de ser gravado por mim”, orgulha-se a cantora. 

Com a ajuda do produtor Thiago Marques Luiz, ela selecionou canções guiada apenas pelo coração. “O Thiago tem uma coleção com todos os discos do Roberto. Fomos ouvindo juntos e anotando as que eu gostava, já que poderia gravar a que eu quisesse. E, no final, nós enxugamos a lista”, afirma.

Uma, porém, teve um sentido especial para a cantora. Escolhida para fechar o disco, “Como É Grande o Meu Amor por Você” traz a participação do amigo Cauby Peixoto, falecido dois dias após o aniversário de Angela, em 2016. O feito só foi possível graças a um take antigo com a voz de Cauby, recuperado para a gravação. 

“Nós começamos praticamente juntos nos anos 50. Eu cantava na Vogue, que era uma boate high society (gíria para chique, na época) e o Cauby, em uma casa em frente, que era mais popular, não tinha discriminação. Ele me chamou para cantar na boate dele, e eu fui. Só que na hora ele não aguentou e subiu no palco para cantar comigo”, recorda-se, aos risos. “Ali começou a primeira dupla sertaneja do Brasil”, diverte-se. 

Convidados. No espetáculo desta quarta-feira, Angela também estará acompanhada. Assim como recebe amigos de longa data, a cantora abre alas para a nova geração. “Todos estão no meu coração. Sou madrinha da Claudette Soares. Aquela voz rouca dela é muito bonita”, elogia. “Com o Agnaldo Rayol eu vou cantar ‘Ave Maria no Morro’ (de Herivelto Martins), que é uma canção lindíssima”, entrega. 

Já com Márcio Gomes, ela dará voz a “Torturas de Amor”, clássico da carreira de Waldick Soriano. “O Márcio me segue há muitos anos em shows. É um dos cantores mais talentosos do cenário atual. Por isso surgiu a ideia de cantar com ele”, observa. Segundo colocado no programa “The Voice Brasil” em 2015, o jovem Ayrton Montarroyos, de apenas 22 anos, divide os vocais com Angela em “Sentado à Beira do Caminho”. “Quando o vi pela TV fiquei emocionada. Estava numa torcida bárbara para ele ganhar. É um cantor com uma voz diferente e um repertório próprio, com muita personalidade”, diz.

Romântica. A faixa da qual Montarroyos participa no show traz a presença de Erasmo Carlos no álbum. Angela lamenta o fato de a agenda do cantor (que se prepara para lançar novo disco) não ter permitido a dobradinha no palco. Porém, ela aproveita para relembrar de um encontro nos anos 70, quando os dois protagonizaram o espetáculo “A Melhor e o Pior”, na ocasião anunciado como “o maior quebra-pau musical do ano”. “Aquilo foi uma sátira, uma brincadeira. A gente ria o tempo todo, quase não teve show porque era só gargalhada”, assegura. 

Números que já constavam no set list daquela época permanecem intactos nas apresentações da cantora, casos de “Babalú”, “Gente Humilde”, “Lábios de Mel” e “Tango pra Tereza”. “É um sucesso impressionante. Tem 30, 50 anos que gravei elas. Música boa não envelhece; as ruins, sim”, afirma Angela, que se vale desse ensejo para refletir sobre a passagem do tempo. “Tudo mudou, mas eu não quis mudar. Isso se chama personalidade”, garante. “O brasileiro é romântico. Todos nós prestamos atenção quando uma música fala de amor”. 

No repertório
“Você em Minha Vida”
“Sua Estupidez”
“Não se Esqueça de Mim” 
“Eu Disse Adeus”
“O Show Já Terminou”
“Desabafo”

in-www.otempo.com.br
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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