O Baú do Carlos Alves (23)




Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@bol.com.br



Estou indignado! Há dias em que um tipo acorda, lê o jornal on-line e só pode ficar, primeiro com a alma humedecida com as sábias palavras que lê, depois solidário com as tormentas sociológicas que alguns articulistas têm de sofrer, e por último solidário e indignado com este estado de coisas. Era só o que faltava, em pleno século XXI tanta falta de bons costumes, tanto esquecimento da nossa gloriosa tradição centenária e tanto desrespeito pelos santos dogmas.



Era só o que faltava, não ter hoje um senhor da PIDE em cada esquina a zelar pelos bons costumes da nação, ou então no cais de Alcântara a ver os navios que chegam. Era só o que faltava, viver num país devassado pela modernidade, onde o axioma do “orgulhosamente sós” não é mais que uma distante memória. Era mesmo só que faltava, viver num país europeísta, atlântico, moderno, governado por um governo democrático e socialista, claramente com inspirações bolcheviques.



Assim não dá! Estou indignado que este meu país (Portugal) obrigue saudosistas da velha senhora a viver no meio desta barafunda toda. Tanto sofrimento para a direita reacionária, tantas provações que esses bravos ex-pides tem de sofrer.



Onde já se viu um país onde qualquer um pode estudar, onde o fato de ter nascido com um brasão ferrado no coração não conta para nada, onde qualquer um pode ser o que quiser e onde o governo lute para não sermos “pobres e honrados”.



Depois do aborto e do casamento gay o que mais teremos? A partir daqui só monstros de sete cabeças a cuspir fogo e a anunciar o fim do mundo.



NOTA FINAL

1 - Para quem não sabe ou quem já não se lembra, PIDE (Polícia Internacional Defesa do Estado) era a segurança do ditador António Oliveira Salazar. Uma polícia muito temida na altura. Paradoxal que possa parecer (será?), ex-pides aparecem agora como colunistas de alguns jornais portugueses. E esta, heim!

2 – Quando fui para Angola, viajei de Angra para Lisboa no velho Carvalho Araújo e desembarquei no Cais de Alcântara. Não sei se lá estava algum pide. O que sei isso sim é que à minha espera (e dos outros militares que também estavam mobilizados para Angola) estava o tenente Orlando Ramin que foi guarda-redes da Académica e do Belenenses. Anos volvidos, Ramin foi para a minha terra, a ilha Terceira, treinar o Lusitânia. Pouco tempo depois de deixar o clube, encontrei-o na ilha da Madeira, terra da sua mulher. E ainda mais tarde, estive com o Ramin quando ele ocupou o cargo de Diretor Técnico do Clube União da Madeira. E digam lá que o mundo não é pequeno...
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