ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

14 de setembro de 2011

O depois de Lisboa





Por: Armindo Guimarães
Doutorado em Robertologia Aplicada e Ciências Afins
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(matéria publicada em 13-03-2006, no Portal Clube do Rei)

A cidade de Guimarães, terra onde nasceu o 1º Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, O Conquistador, foi invadida por milhares de admiradores de Roberto Carlos, o Rei da Música Popular Brasileira.

Se desde o início da sua carreira Roberto Carlos conquistou Portugal, agora pode dizer-se que conquistou também o berço da nação lusa, espalhando amor aos corações.


Confirmando o êxito obtido nos dias 8 e 9 no Pavilhão Atlântico, de Lisboa, no dia 11 de Março o Pavilhão Multiusos, de Guimarães, foi palco de mais um concerto daquele que, parafraseando Camões, por obras valerosas se vai da lei da morte libertando e que aqui sem jeito mas com convicção, escrevendo espalharei por toda a parte se a tanto me ajudar o engenho e arte.

O concerto estava marcado para as 22,00h e nós, eu, a Helena e a Bárbara, chegamos cedo. Eram cerca de 16,00h, os vários e espaçosos parques de estacionamento existentes no local estavam completamente vazios, aqui e ali viam-se pequenos grupos de pessoas, quiçá como nós sem saber o que fazer até ao início do concerto, já que à volta do pavilhão nada existe em termos atractivos ou de lazer, a não ser dois ou três pequenos cafés um pouco distantes do local, pelo que a solução seria uma visita à baixa da cidade e ao castelo da Fundação. A abertura das portas de acesso ao pavilhão estava prevista para as 20,00h e cerca das 17,30h duas filas já se começavam a formar e pelas 19,00h o vasto recinto contíguo ao pavilhão era agora mais notoriamente invadido por pessoas vindas de todos os lados, em especial do norte de Portugal e também da vizinha Espanha.

Na fachada principal do pavilhão um enorme cartaz com a foto de Roberto Carlos anunciava os seus concertos nos dias 11 e 12 de Março e muitos fãs aproveitavam para, junto do cartaz, posarem para a fotografia.

De camisa branca vestida com a foto do último CD do Roberto que a minha cara-metade mandou gravar oferecendo-me na véspera para minha surpresa e contentamento, e de insígnia com o logótipo do Portal Clube do Rei que improvisei colocando-o na lapela do casaco, deambulo pelo recinto feito perdido esperando encontrar alguém do Portal, mas, em vez disso, era alvo da curiosidade de fãs que me perguntavam onde havia comprado a camisa e o que era a insígnia do Portal Clube do Rei que trazia comigo. Aí pensei que para a próxima, apesar de não poder levar mais exemplares das ditas camisas para vender porque tal não é permitido, ao menos poderia levar propaganda acerca do melhor Portal do mundo.

ESTÁ NA HORA! ESTÁ NA HORA!

Eis que chegam as 20,00h e, contrariamente ao que estava anunciado as portas não se abrem, ouvindo-se aqui e ali, “Está na hora! Está na hora!”, ao mesmo tempo que se cantava, “Di qui váli o céu ázul e o sol sempri á brilhárr...”. Cerca das 20,40h, ou seja, quarenta minutos depois, finalmente as portas abrem-se para que todos ocupem os seus lugares. Agora só iríamos aguardar mais oitenta minutos e, finalmente, teríamos o Rei ao vivo. Iríamos, disse, porque o início do concerto estava marcado para as 22,00h e a essa hora iria mesmo começar tal como aconteceu em Lisboa, ou seja, à hora certa, ou com pontualidade inglesa, como se costuma dizer. Os enormes ecrãs laterais junto ao palco com o logótipo de RC, de vez em quando anunciavam o Cruzeiro 2007 no maior iate da Europa e por certo muitos de nós aproveitamos para, enquanto esperávamos pelas 22,00h, nos imaginarmos a bordo de tanto luxo, sentindo o Roberto por perto. “Era o delírio!”, diziam alguns pensando em voz alta. O relógio marcava 21,50h e ainda estavam muitos lugares por ocupar nas bancadas, nas plateias e nos lugares VIP, facto estranho atendendo a que os ingressos há muito estavam esgotados. Um fã atrás de mim comentou: “Por este andar, o concerto só vai começar as 22,30h”. Respondi-lhe que não. De certeza que iria começar à hora prevista, estivesse quem estivesse, a exemplo do que havia acontecido em Lisboa. Chegam as 22,00h, 22,05h, 22,10h e eu a pensar para os meus botões: “Queres ver que o gajo é bruxo?”. Olho o meu relógio: 22,30h e Roberto nem vê-lo.

Ao meu lado, uma senhora vai dizendo a título de desabafo que é compreensível que tenha havido qualquer percalço mas que ao menos deviam dar uma satisfação à malta. Começa-se a ouvir assobios de todos os lados e eu, não assobiando de jeito, juntei-me ao coro daqueles que gritando chamavam: “Roberto! Roberto! Roberto!”. Entretanto, se calhar para desviar a atenção da malta que gritava e assobiava que se fartava, a organização aproveita para voltar a anunciar o Cruzeiro 2007 nos ecrãs laterais, mas o que é certo é que a paciência tem limites e a malta não estava pelos ajustes e, por isso, assobiou e gritou ainda mais. No meio da confusão, reparo que pese embora a hora tardia, continuam a entrar pessoas para ocuparem os lugares que finalmente começavam a ficar totalmente preenchidos e a tal senhora de que atrás falei, que por sinal tinha como passatempo assistir a todo o tipo de concertos de norte a sul do país fosse de que artista fosse (portanto uma experta na matéria), disse que noutros sítios a organização, perante um contratempo como este, já estava preparada para apresentar qualquer coisa que ajudasse a melhor passar o tempo, como por exemplo, alguém a cantar, a contar anedotas ou qualquer coisa do género. Não lhe disse nada mas pensei para os meus botões que com bastante antecedência um portuga louco se havia oferecido para essa ou outra qualquer quebra de tempo, aproveitando para com um número de ilusionismo totalmente dedicado a Roberto Carlos, homenagear simbolicamente a sua arte, a sua obra, mesmo que para isso tivesse que actuar sob anonimato, género Mágico Mascarado. A organização dos concertos em Portugal achou óptima a ideia mas pelos vistos a produtora de RC não a aceitou.


SENHORAS E SENHORES... ROBERTO CARLOS!

Finalmente e após 40 minutos de inquietação, apagam-se as luzes e uma voz off anuncia: “Senhoras e senhores... Roberto Carlos!”, ao mesmo tempo que uma miríade de luzes coloridas salpicavam todo o palco penetrando no fumo que do nada surgia e se espalhava por todos os lados ao som da música tocada pela orquestra de RC dirigida pelo maestro Eduardo Lages, após o que do mesmo fumo, qual nevoeiro sebastianista, surge El-Rei Roberto Carlos cantando Emoções, de fato azul, camisa branca e sapatos brancos. Todos se levantam para receber Sua Majestade batendo palmas e gritando, “Roberto! Roberto! Roberto!”.

Roberto Carlos agradece os aplausos sorrindo, fazendo notar o facto de ser a primeira vez que em Portugal actua na cidade de Guimarães.

Para além de Emoções, do repertório constaram ainda Como é grande o meu amor por você, Além do horizonte, Não quero ver você triste assim, Eu estou apaixonado por você, Aquele beijo que te dei, Splish splash, Negro gato, O cadillac, Acróstico, Índia, Proposta, Seu corpo, Os seus botões, Café da manhã, Música suave, As baleias, A volta, Pra sempre, Cavalgada, Coimbra, É preciso saber viver, Jesus Cristo, Amigo, Eu quero apenas, Amada amante e O calhambeque. Durante O cadillac, a dado passo aparece como que por magia um grande e bonito cadillac vermelho que surpreendeu tudo e todos.

EU ESTOU AQUI. NÃO FUGI!!!

Delirante, porque sui generis, foi quando Roberto Carlos, a propósito da inocência de algumas das suas primeiras canções, numa época em que não se sabia o que agora se sabe porque nem telenovelas havia, fala de propostas amorosas de então, recordando a propósito Proposta que canta, após o que apenas com fundo musical convida uma elemento do seu coro para com ele dançar, primeiro de mãos dadas e um pouco afastados um do outro e depois bem juntinhos, como afinal requeria a Proposta. Aqui, mais uma vez foi, para quem ainda duvidasse (haverá quem duvide?) a prova provada do humor e da simplicidade do Rei que, momentos antes já havia dado um ar dar sua graça quando, num dos normais black out ao palco para preparação de nova intervenção, Roberto Carlos, demorando um pouco mais a aparecer e quiçá sentindo a impaciência dos seus fãs, comentou no escuro: “Eu estou aqui. Não fugi! Eheheheheh”. Escusado será dizer que foi a gargalhada geral e todos se sentiram ainda mais com ele, saudando-o com mais uma calorosa ovação. Num instante de silêncio, alguém das bancadas não resiste e exclama em alta voz: “Ó Roberto, és o maior, pá!”.

Momento particularmente lindo e de emoção foi aquando da interpretação de Acróstico, canção dedicada a Maria Rita com os ecrãs laterais a projectarem a letra à medida que Roberto a cantava com todo o sentimento e com todo o amor que contagiou todos os presentes que em silêncio, muitos deles de isqueiros na mão fazendo de velas, homenagearam aquela que foi e é o seu amor para sempre.

ANIVERSÁRIO DO MAESTRO EDUARDO LAGES

A dado passo do concerto a orquestra toca Parabéns a você e ninguém sabia a que propósito se tocava aquela música. Até que Roberto Carlos anuncia o aniversário do seu amigo e camarada de longa data, Eduardo Lages, que sempre o tem acompanhado. O público, de pé, cantou os Parabéns a você acompanhando a música, e Eduardo Lages, emocionado, agradeceu.

ROBERTO DESPEDE-SE 3 VEZES E POR 3 VEZES REGRESSA AO PALCO

Canções que fizeram o público vibrar acompanhando Roberto Carlos do princípio ao fim, foram Coimbra que Roberto disse sempre gostar de cantar nos seus concertos em Portugal, Amigo, Amada amante, Cavalgada, As baleias, Jesus Cristo e, finalmente, após a habitual oferta de rosas brancas e vermelhas aos fãs que junto ao palco se acotovelavam por recordação tão simbólica, Roberto Carlos despede-se por três vezes e pelo mesmo número de vezes regressa ao palco porque ninguém arredava pé e todos o chamavam de volta gritando em uníssono: “Roberto! Roberto! Roberto!”. Após brindar todo mundo com mais dois dos seus êxitos, cantou O calhambeque, agora sim, despedindo-se de todos dizendo: “Vocês me desculpem mas agora eu vou me embora. Vai! Vai! Vai!”.

O concerto terminou às 00,50h e nesse mesmo dia, depois de dormir o sono dos justos, Sua Majestade O Rei Roberto Carlos iria voltar ao Castelo de Guimarães, perdão, ao Pavilhão Multiusos de Guimarães, para mais uma vez trazer amor aos corações, emocionando os seus súbditos.

3 comentários:

  1. Olá maninho!

    Já tinha lido esse texto lindo,mas foi muito bom ler de novo!
    Você escreve muito,muito bem.
    Fui lendo e divagando, como se estivesse lá com vocês, sentindo as mesmas emoções.

    Beijos,
    Carmen Augusta

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  2. Olá, maninha!

    Tu escreveste:

    "Fui lendo e divagando, como se estivesse lá com vocês, sentindo as mesmas emoções."

    E eu escrevo:

    Imagino. Maninha é mesmo assim: está sempre onde o maninho está!

    :)

    Beijinhos

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  3. Oi, maninha!
    Neste meu artigo, existe uma frase que eu, quando a leio-o fico sempre nas nuvens. A´frase é esta:

    ROBERTO DESPEDE-SE 3 VEZES E POR 3 VEZES REGRESSA AO PALCO

    Tás a ver, maninha, o único sítio do mundo onde o NMQT dá tris é na terrinha. ehehehehe

    E eu rio-me pra carago porque imagino a inveja dos meus amigos brasucas que sabem disso e ficam lixados pelo facto do Robeeto nem sequer bis dar pra eles, quanto mais tris. eheheheheh

    Mas se eles pensarem bem, vão achar natural. Afinal, as origens do gajo é aqui da terrinha. Os avós eram portugas! eheheheheh

    Beijinhos

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