Tinha eu os meus 10 anos de idade quando comecei a ser despertado pela música, não só pelo que ouvia pela rádio (o único meio existente), mas, sobretudo, pelo fato de assistir em casa do meu amigo Roberto Artur Carneiro (que já foi Ministro da Educação) aos ensaios da orquestra superiormente dirigida pelo seu pai o Maestro At Carneiro. Essa orquestra, ao fim-de-semana, tocava nos clubes americanos sediados na Base Aérea das Lajes. Muitos desses músicos (alguns já falecidos) acabaram por serem meus amigos com o decorrer dos anos.
Evidentemente que, a partir dessa época, virei-me mais para os programas de rádio da única estação existente, o Rádio Clube de Angra que, aos sábados, transmitia os discos pedidos pelos ouvintes. Quem queria ouvir uma música preferida, lá enviava até quarta-feira uma carta com a desejada solicitação e o nome das pessoas a quem a música era dedicada. O programa chamava-se QUE QUER OUVIR, com início às 19 horas e términus às 21. Com o tempo-tempo sempre escutava atentamente Roberto Carlos, Erasmo, Agostinho dos Santos, Agnaldo Timóteo e Ângela Maria. A par de Amália Rodrigues (sempre ela na vanguarda), muitas preferências musicais incidiam nos artistas brasileiros. E foi a partir daí que fiquei com o ouvido no Calhambeque. Mai tarde, já na fase de adolescente-quase-adulto, comprei o LP do Roberto Carlos que continha a referida música, conforme já contei num anterior BAÚ.
Mas posso garantir que ainda hoje, aos domingos de manhã, quando ouço Roberto Carlos, escolho sempre o CALHAMBEQUE, a forma de, em parte, recordar aquele saudoso tempo em que vivíamos com o que tínhamos inclusive um pequeno receptor que era, ao cabo, e bem vistas as coisas, a nossa alegria.
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Por: Carlos Alberto Alves
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