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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

7/06/2011

José de Almeida acredita no ressurgimento da Frente de Libertação dos Açores



Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Portal Splish Splash


Na sequência do artigo anterior que o Splish Splash publicou sobre o então movimento da FLA nos Açores, hoje voltamos a tocar no assunto, trazendo à estampa, com a devida vénia, uma entrevista que o líder da FLA, Dr. José de Almeida, concedeu ao jornal micaelense Correio dos Açores, entrevista essa

conduzida pelo meu querido amigo e companheiro, João Paz, com quem tive o prazer de trabalhar no Jornal Açoriano Oriental nos anos de 91-92, numa altura em que a Impraçor (já mudou de nome) me convidou para chefiar o Jornal do Desporto (saídas às segundas e sextas-feiras), tendo depois passado para suplemento do próprio Açoriano Oriental.



"Estão a surgir grandes movimentações de vários quadrantes da população açoriana no sentido de reactivar o projecto que a FLA-Frente de Libertação dos Açores protagonizou nas décadas de 70 e 80, face à actual conjuntura política regional e nacional. Vários têm sido os elementos simpatizantes do independentismo que têm, nos últimos tempos, contactado o ‘Correio dos Açores’ dando conta das suas preocupações e do seu desejo neste sentido. Sabemos que, junto de sectores predominantes da nossa actividade pecuária, tem havido uma vontade de reagrupar forças que possam dar corpo e substância ao movimento.

Com base nos elementos que disponhamos, e face àquilo que tem sido também o comportamento político do líder da Madeira, Alberto João Jardim, que ainda há pouco tempo declarou que pode lançar um referendo sobre o futuro da Madeira, o ‘Correio dos Açores’ quis saber o que pensa o líder histórico da FLA, José de Almeida, sobre estas e outras questões já que alguns elementos que outrora componham a linha pensante da FLA se encontram, neste momento, comprometidos com a governação regional.

Correio dos Açores - Dr. José de Almeida, confirma estas movimentações?

Têm-me chegado de muitas pessoas o desejo de ver a FLA ressurgir. E o meu problema, em termos pessoais, é este: Nós não estamos em 75 ou em 76. Por isso, ressurgir como, a não ser a nossa convicção de que a FLA é um estado de espírito.
A independência dos Açores não é um estado de espírito mas a FLA é um estado de espírito. Isso quer dizer que não é assim que se faz nada. Não é caminhando às cegas, de qualquer maneira e viva o Espírito Santo. Não posso estar aí. Nunca estive aí nem vou estar.

Face a esta mobilização em seu redor, não está disponível para voltar a reflectir, em termos públicos, a independência dos Açores face às novas circunstâncias que estão a colocar-se?

Para mim faz pouco sentido voltar a pensar a independência dos Açores. Eu sempre pensei a independência dos Açores. O problema não está em criarem-se grupos mais ou menos espontâneos, ou mais ou menos empurrados. O problema está em perceber que, nos Açores, a estabilidade social, a estabilidade política, a estabilidade económica, a estabilidade do projecto passa por um processo de independência. E isso, sobretudo porque somos ilhas, não se compadece, de forma nenhuma, com espontaneidade que podem trazer calor humano ao processo, mas podem não ter fundamentação racional para agir.

Existem condições para a FLA vir para a vanguarda da política nos Açores?

Como a FLA é um estado de espírito, eu deixava ao senhor jornalista João Paz que se ponha a analisar o estado de espírito que se vive nos Açores. E encontra aí as respostas para esta pergunta. É uma questão de estar atento.
Eu também já escrevi uma vez e foi publicitado que ‘sempre que Lisboa treme, os Açores trepam’.

Será isso que está a acontecer?

Analise. Sabem tão bem como eu…

Mas o importante é a sua opinião.

A minha opinião é essa. Lisboa treme, os Açores trepam.

É o que está a acontecer?

É a minha opinião.

Quase toda a acção que tem vindo ultimamente de Lisboa é no sentido de coarctar a livre governação dos Açores pelos açorianos…

Eu suponho que Lisboa sente, quer a nível interno, quer a nível externo, que a questão açoriana é difícil de controlar e não é um problema do século XIX, do século XX, ou do século XXI. Nós somos, por natureza, uma inspiração para atitudes que não digo açorianas mas internacionais que podem levar a inquietar a soberania portuguesa nos Açores.

REFERENDO, SIM, MAS
SÓ COM AÇORIANOS

Como veria um referendo sobre a independência dos Açores?

Com a maior das naturalidades, desde que fosse dado tempo a todos os intervenientes para que este referendo fosse democraticamente equilibrado, democraticamente pronunciado e democraticamente acompanhado.

Objectivamente, é um promotor de um referendo com este objectivo…

Sempre escrevi sobre esta matéria. Simplesmente com um pormenor que é o meu parêntesis. Os únicos a pronunciarem-se sobre este assunto serão os açorianos.

Pretende-se reacender este processo de independência dos Açores…

O independentismo dos Açores não precisa de ser reacendido nem reaceso. É neste contexto que não concordo com o termo reacender. Ele está aceso. O que precisa é onde pousar a alavanca. E, para mim, a alavanca do independentismo passa, não por movimentações espontâneas, não por aquilo que eu chamo erupções independentistas, mas por um processo racional, estruturado, dialogado, exigente, reconhecido e responsável.

Continua disponível para estar num processo destes?

Estive sempre numa posição de ser independentista. Não me recordo de um momento de hesitação quanto ao que julgo que é melhor para os Açores. Nunca tive um momento de hesitação a este respeito. Para mim, o melhor para os Açores é um processo de independência.
E mais: Sempre acrescentei que o meu processo de independência não é um processo anti-Portugal. É um processo de independência com Portugal. E aí é que faz a diferença entre mim e muita gente.

Que papel fica reservado aos EUA?

Para mim os Estados Unidos é uma nação privilegiada no acompanhamento desse processo.

A referência que o General Rocha Vieira faz no seu livro sobre um encontro consigo traduz fielmente o que se passou?

Todos os jornais falaram neste encontro. Foi uma reunião que se realizou, de facto, em casa de meu amigo Rainer Danhart. Tivemos os acompanhamentos que o livro cita e que, se calhar, não os cita todos. Demorou sete horas e veja como o senhor General Rocha Vieira termina dizendo: “Quer a independência? Querem ter importância? Porque têm a importância que, efectivamente, merecem”. Está lá escrito.

Como caracteriza o General Rocha Vieira nesta relação com o independentismo?

Para mim, ele estava a cumprir uma missão.

Que missão?

A missão de estabelecer contacto connosco. Ele era um homem que estava numa situação privilegiada. Era o Ministro da República nos Açores. Antes também tinha tido – e também foi referenciado pelos jornais – uma reunião com o anterior Ministro da República, General Conceição e Silva, no seu palácio, em Angra do Heroísmo.

Vamos ter a independência dos Açores à tona de água…

(Sorriso) – A não ser que criminosos a afoguem."

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