Conheça o lado sofisticado da sempre econômica Lisboa em 36 horas

Arco  do Triunfo Rua Augusta - Lisboa


SETH SHERWOOD
New York Times Syndicate

Barata. Essa é a etiqueta normalmente fixada na testa da capital portuguesa. Por todo o continente, a cidade à beira-mar é vista principalmente como a sede encantadoramente desbotada de um império comercial de séculos atrás, onde basta algumas moedas para viajar em um velho bondinho amarelo, visitar praças e igrejas barrocas, fartar-se de refeições baratas de peixes e frutos do mar, beber taças de vinhos tintos portugueses por 2 euros e regressar ao seu hotel econômico. Mas Lisboa está cada vez mais sofisticada. Durante o dia, novos museus ambiciosos e bairros industriais renovados oferecem uma infusão de arte contemporânea e design. À noite, uma nascente onda de restaurantes neoportugueses, casas noturnas elegantes e hotéis com design inovador fornece muitas opções de atividades. A melhor parte? A cidade continua sendo extremamente barata.


Sexta-feira

17h - Industrial chique
 
A metamorfose de Lisboa está vividamente exposta na LX Factory (Rua Rodrigues de Faria, 103, 351-21-314-3399;
lxfactory.com), um complexo industrial desativado que passou a receber novos escritórios de arquitetura, novas empresas de Internet, butiques e cafés acolhedores. Instalada em um espaço parecido com um hangar, cheio de enormes máquinas de impressão antigas, a Ler (351-21-325-9992; lerdevagar.com) está repleta do chão ao teto de livros novos e usados (muitos em inglês) sobre tudo, desde a arquitetura da Ilha da Madeira até Jack, o Estripador. As prateleiras de Organii (351-21-099-9763; organii.pt) exibem cosméticos orgânicos da Myeko, uma marca especializada portuguesa, e outras marcas famosas internacionais. Para um lanche, vá ao Landeau (351-91-727-8939; landeau.pt), que produz apenas uma coisa – um bolo de chocolate diabolicamente bom (2,80 euros por fatia, ou aproximadamente US$ 3,70 dólar, com o euro cotado a US$ 1,31).

20h - Materiais restaurados
 
Placas de madeira compensada rústicas parecem mais apropriadas para um canteiro de obras do que para um restaurante chique, mas o Restaurante 560 (Rua das Gáveas, 78; 351-21-346-8317;
restaurante560.com) emprega o material com um efeito deslumbrante. Recortadas em pequenos quadrados iluminados, as superfícies adquirem uma sensação pixelada. A cozinha também reformula alimentos simples de formas inesperadas. O cardápio de entradas está cheio de petiscos para um fazendeiro fidalgo gourmet, de massa folhada com mel recheada com uma cremosa farinheira (chouriço de gordura de porco) até torradas grossas cobertas com grandes pedaços de cogumelos e queijo derretido dos Açores. Para os pratos principais embebidos em vinho, o moscatel forma o molho do confit de pato, enquanto um vinho da Madeira xaroposo cobre a combinação mais bombástica do cardápio: peixe-espada grelhado com bananas fatiadas. Jantar para dois, sem bebidas, custa cerca de 50 euros.

22h - À beira-mar
 
Durante grande parte de sua vida, o bairro do Cais do Sodré era um atoleiro de marinheiros, sereias e sordidez. Atualmente, novos pontos da vida noturna estão surgindo em meio aos velhos bares sujos. Provando que Lisboa oferece mais do que fado melancólico, o novo e cavernoso Gloria Live Music Club (Rua do Ferragial, 36A; 351-91-359-6474;
glorialivemusic.com; couvert, 7 euros) recebe bandas de funk, soul e pop no seu palco com iluminação azul. Outro vintage de 2010, o Sol e Pesca (Rua Nova do Carvalho, 44; 351-21-346-7203), presta homenagem à história marítima da cidade, com equipamento de pesca cobrindo as paredes e centenas de pequenas latas de sardinha, atum, anchova e outros peixes – todas à venda – empilhados como latas de sopa de pop art em vitrines iluminadas. Todos casam bem com um copo de cerveja Super Bock (1,50 euro).

Sábado

11h - Fantasias da moda
 
Alguma vez sonhou em se pavonear em um vestido de pele de crocodilode Jean Paul Gaultier,servindo chá de um bule de prata Andrea Branzi com alça de madeira de vidoeiro branco? As fantasias de moda e design ganham vida no Mude (Rua Augusta, 24; 351-21-888-6117;
mude.pt), um antigo banco agora convertido em um museu de moda e design, inaugurado em 2009. O velho cofre subterrâneo e a galeria no segundo andar recebem exposições rotativas, enquanto o piso térreo exibe uma coleção permanente de roupas icônicas e experimentais, eletrodomésticos, móveis e capas de discos – até mesmo uma Vespa.


Joao Pina/The New York Times

Terreiro do Paço, uma das principais praças de Lisboa, próxima ao museu Mude
13h30 - Brunch boêmio 

Como as abelhas para as flores, o público jovem bacana e criativo de Lisboa segue em enxames para o bairro Príncipe Real em rápido crescimento, que se tornou um paraíso de cafés e lojas de design. O ponto de encontro da tarde preferido é o arejado Orpheu Caffé (Praça do Príncipe Real, 5A; 351-21-804-4499; orpheucaffe.com), onde artistas e músicos relaxam em poltronas vintage entre visitas ao brunch bar bem abastecido. A variedade de pães, torradas, geléias, queijos, presuntos, cereais, iogurtes, frutas, bolos, chá e café – servidos com ovos e salsichas – sai pelo preço bom para artistas famintos de 15 euros.
15h - Made in Lisboa
 
Nada queima melhor um farto brunch do que uma revista vigorosa às vitrines e passagem de cartão de crédito nas butiques de luxo de Príncipe Real e seus arredores. Uma antiga padaria, a Kolovrat 79 (Rua Dom Pedro V, 79; 351-21-387-4536;
www.lidijakolovrat.org) agora exibe delicados colares de prata como teias (440 euros), lenços estampados com imagens minúsculas de antiga realeza portuguesa (155 euros) e mais itens da estilista Lidija Kolovrat. Uma seleção ainda mais diversificada espera na Loja do Chiado (Rua da Misericórdia, 102; 351-21-347-2293), que abriu em 2010 para exibir os produtos de três marcas independentes portuguesas: os elegantes calçados de couro de Catarina Martins, modas ricamente bordadas de inspiração asiática da TMCollection e bolsas e acessórios de couro de vaca da Muu.

18h - Passeio pelo Tejo
 
A maioria das pessoas que visitam Lisboa negligencia seu maior recurso natural: o rio Tejo. Para vistas sublimes do por do sol, siga para o terminal de balsa do Cais do Sodré (351-808-20-30-50; soflusa.pt) e tome um dos barcos regulares para cruzar o rio até Cacilhas (20 minutos, 3,20 euros para ida e volta). Após o desembarque, caminhe para a direita por cerca de 10 minutos ao longo do estreito caminho à margem do rio até o Atira-Te Ao Rio (Cais do Ginjal, 69-70; 351-21-275-1380; atirateaorio.pt). O restaurante rústico branco à beira do rio é o local perfeito para saborear um copo de vinho branco do Porto (3 euros), assistindo ao Sol lançar seus últimos raios sobre a Ponte 25 de Abril e a venerável paisagem montanhosa de Lisboa.

21h - Chef de ponta, preço baixo


Para uma refeição de um chef célebre a preços de um homem comum, é difícil encontrar algo melhor do que a Tasca da Esquina (Rua Domingos Sequeira, 41C; 351-21-099-3939; tascadaesquina.pt), aberto em 2009 pelo guru português da comida, Vitor Sobral. Com uma decoração alegre – chão vermelho de concreto, paredes brancas sem adornos, janelas grandes – e garçons jovens simpáticos, a clientela do restaurante é em grande parte de pessoas de negócios de meia idade e casais que saboreiam um cardápio de pratos de pequeno e médio porte destinados a serem compartilhados. Você vai encontrar de tudo, de rabo de porco com coentro e pés de codorna salteados (em molho amanteigado de alho com limão) até fatias ultra finasde carne de porco com torrada. O pudim Abade de Priscos, feito exuberantemente com uma dose de vinho do Porto, propicia um excelente final. Uma amostra de vários pratos – o suficiente para duas pessoas – custa de 40 a 50 euros.

23h - O palácio de vidro

O nome deste novo bar é “o gato” em francês, mas a elegância e o leve brilho da arquitetura da caixa de vidro do Le Chat (Jardim 9 de Abril; 351-91-779-7155) sugere mais um aquário retangular no qual os peixes-bebuns nadam em ondas de drinques Porto Flip (vinho tinto do Porto, conhaque, gema de ovo, noz-moscada, 10 euros) e música house tocada por DJ. O espaço, com vistas do alto para o Tejo, contrasta notavelmente com o impressionantemente pedregoso Museu Nacional de Arte Antiga (www.mnarteantiga-ipmuseus.pt) ao lado.


Joao Pina/The New York Times
Trem elétrico sobe uma rua íngreme de Lisboa

    Domingo

    11h - Uma excursão artística

    Cruze o surrealismo com o grotesco, adicione um pouco de Freud e Jung, mais uma quantidade enorme de folclore e mitologia, e você começa a ter a receita para a obra selvagem de Paula Rego, talvez a mais importante artista viva portuguesa. E agora há uma estrutura apropriadamente incomum para expor as suas obras e as de seu falecido marido, o pintor britânico Victor Willing. Conhecida como Casa das Histórias (Avenida da República, 300, Cascais; 351-21-482-6970; casadashistorias.com), o museu vermelho, como uma fortaleza, está situado no subúrbio chique litorâneo de Cascais, a 45 minutos de trem da estação do Cais do Sodré (www.cp.pt; trens frequentes; 3,60 euros, ida e volta). As telas deles são psicodélicas, maliciosas e totalmente estranhas, mas são sempre instigantes. Melhor ainda, como muita coisa em Lisboa, a entrada do museu é um negócio fantástico: é gratuita.

    O básico

    Inaugurado em 2010, o Inspira Santa Marta Hotel (Rua de Santa Marta, 48; 351-21-044-0900; inspirasantamartahotel.com) tem 89 quartos de design escandinavo bacana em quatro temas de cores (terra, fogo, metal e árvore). Há também um spa, bar e um restaurante neomediterrâneo. Quartos duplos a partir de 99 euros (cerca de US$ 132).

    Outro estreante de 2010, a muito azul LX Boutique Hotel (Rua do Alecrim, 12, 351-347-4394; lxboutiquehotel.pt) apresenta murais de fotos do tamanho da parede com temas de Lisboa em seus 45 quartos. O restaurante do hotel é especializado em sushi. Quartos duplos na baixa temporada a partir de 80 euros.

    Os albergues-butique também têm se infiltrado em Lisboa, notadamente o Living Lounge Hostel (Rua Crucifixo, 116; 351-21-346-1078; livingloungehostel.com).

    Quartos – simples (a partir de 30 euros), duplos (a partir de 60 euros) e os espaços ao estilo dormitório (a partir de 18 euros) – foram decorados por artistas locais.

    Tradução: George El Khouri Andolfato
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