ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

4/20/2011

Os assessores


Carlos Alberto Alves
Portal Splish Splash

Em Angola, no período de 65-67, fui Assessor de Imprensa. Como tal, estou completamente à-vontade para escrever sobre esta temática.

Um ilustre político nacional citou Kennedy dizendo: “não esperem que Portugal faça pelos portugueses, mas sim que os portugueses façam por Portugal.” Igualmente políticos de todo o mundo citam Kennedy quando usam expressões como “a vitória tem vários progenitores enquanto a derrota é órfã”. O que toda a gente se esquece é que se é certo que foi Kennedy quem utilizou estas expressões, a verdade é que não foi o mais mediático presidente norte-americano quem as escreveu ou pensou. A paternidade da maioria dos discursos e intervenções de John Kennedy pertence àquele que, pelo menos para quem ora redige, foi o mais notável assessor político da história: Theodore Sorensen. Como bem refere Talbot, “Sorensen era mais do que o autor dos discursos de John Kennedy, tendo ajudado Kennedy a manter contacto com a consciência liberal que subjazia à iniciativa política do presidente tão cuidadosamente fabricada. Soube inspirar Kennedy numa visão arrebatadora e dar-lhe corpo nos seus discursos.” Quando o mundo recentemente se deixou encantar com a “mudança” e a “esperança” de Obama, poucos visualizaram que o atual presidente americano estava de forma clara apenas e tão só a copiar a mesma “esperança” e “mudança” que Kennedy diariamente transmitiu aos americanos no início da década de sessenta. O que quase ninguém sabe foi que foi Sorensen o principal apoiante e instrutor de Kennedy nesse sentido. Talvez por isso o próprio Kennedy afirmou no seu círculo íntimo que “Sorensen está a tornar-se numa imagem de mim ao espelho, reflete até aquilo que eu penso”. Talvez por isso, o próprio Obama se desfaz em elogios ao genial assessor. Theodore Sorensen foi um dos grandes amigos de Kennedy, tendo sido um indiscutível daquilo a que muitos chamaram o reino de “Camelot”. Foi um assessor extremamente fiel ao ponto de se ter recusado após a morte de seu amigo, de ter colaborado com outros políticos de grande dimensão como o presidente Lyndon Johnson. Pese embora alguma intervenção política, Sorensen provavelmente voltaria ao activo caso Robert Kennedy tivesse vencido as eleições de 68, quer por este igualmente fazer parte daquele núcleo duro de grandes políticos, quer por ambos comungarem de uma grande vontade de trazer a público as verdadeiras causas do assassinato de John Kennedy as quais, por certas razões, só poderiam ser comunicadas ao mundo com Robert na presidência. Após a morte de Robert Kennedy, Sorensen sabendo que nada poderia fazer para o esclarecimento de tantas questões, teve a ousadia de se despedir publicamente dizendo aos americanos que as teses lançadas pelos serviços secretos americanos e não só, eram totalmente falsas, pois, e segundo as suas palavras “não paira nenhuma maldição sobre os Kennedy. Eles tiveram a sua quota-parte de azar, porque tiveram mais do que a quota-parte de coragem e convicção que é necessária para ousar e tentar desafiar… Tiveram mortes heróicas porque tiveram vidas heróicas”. Se é verdade que “atrás de um grande homem está uma grande mulher”, mentira também não será se afirmarmos que na retaguarda de um grande político estão sempre notáveis assessores. E um grande .assessor não é aquele que se limita a passar o dia a elogiar as qualidades ou os feitos do seu líder ou aqueles que se limitam a querer agradar fazendo-o passando os dias a denegrir a intervenção dos adversários. Um grande assessor é aquele que passando despercebido faz história através do seu líder.

Nota final – Agora temos o assessor do Benfica, João Gabriel, que tudo sabe, e que gosta muito de entrar em “pé de guerra” com o Dragão, cujo líder sempre tem levado a melhor. Mais um assessor que veio de pára-quedas.

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