De Londres a Paris, a palavra portuguesa sobe aos grandes palcos
A língua não é apenas um idioma. É casa.
O fenômeno O Céu da Língua, criado e interpretado por Gregório Duvivier, prepara-se para atravessar fronteiras numa digressão europeia inédita que já está a provar uma coisa simples: a palavra portuguesa não conhece exílio.
Depois de conquistar mais de 200 mil espectadores em Portugal e no Brasil, o espetáculo inicia um novo capítulo internacional, levando a celebração da língua portuguesa a algumas das mais emblemáticas capitais culturais da Europa. E não falamos de salas quaisquer. Falamos de espaços históricos, palcos onde a palavra, o humor e a criação autoral são tratados com a reverência que merecem.
“Muito feliz de partir pra turnê europeia do Céu da Língua. Afinal a peça é uma celebração da língua portuguesa. Vai ser bonito festejar nossa fala com um público que se exilou em outros idiomas. ‘Se minha pátria é minha língua’, como dizia Fernando Pessoa, essa peça é um retorno ao lar para todos que partiram. E claro, haverá legendas pra quem não tem a sorte de falar português.”
Gregório Duvivier
A digressão arranca a 11 de março, em Londres, no prestigiado Islington Assembly Hall, já com sessão extra confirmada. Um palco que já recebeu nomes como Nick Cave, Patti Smith ou Björk não é apenas um espaço de espetáculo — é um território de identidade artística forte. E é aí que a língua portuguesa vai ecoar pela primeira vez nesta viagem.
Segue-se Lisboa, no Coliseu dos Recreios, com data esgotada e nova sessão a 15 de março. Madeira (com sessão extra), Açores, Porto e Évora confirmam que, em Portugal, a procura não abranda. Pelo contrário, multiplica-se.
Depois, a rota cruza Berlim, no histórico Colosseum Berlin,Dublin no emblemático Ambassador Theatre, Madrid no Teatro Amaya e Barcelona no Teatre Casino L’Aliança del Poblenou, também já com sessão extra. A digressão regressa a Évora antes de seguir para Bruxelas, no Espace Lumen, espaço de referência para cruzamentos culturais e linguísticos.
O encerramento acontece a 29 de março, em Paris, no lendário Le Trianon, também com sessão extra. Um palco mítico que recebe regularmente grandes nomes da palavra e da performance contemporânea europeia. Não podia haver cenário mais simbólico para fechar uma viagem que afirma definitivamente o espetáculo como obra de alcance internacional.
Dirigido por Luciana Paes, com música original de Pedro Aune e projeções de Theodora Duvivier,O Céu da Língua é um objeto artístico singular. Cruza stand-up comedy, poesia falada e dramaturgia com naturalidade e inteligência. Aqui, a língua portuguesa deixa de ser apenas ferramenta de comunicação para se tornar matéria cénica, pensamento em movimento e fonte inesgotável de humor.
Mas não se trata apenas de rir — embora se ria, e muito. Trata-se de reconhecer que somos feitos de linguagem. Das suas falhas, dos seus equívocos, das suas armadilhas gramaticais e das suas epifanias poéticas. Gregório conduz o público numa viagem que vai das origens bíblicas da palavra às pequenas confusões do quotidiano, lembrando-nos que falar é um ato cultural, político e profundamente humano.
Num tempo em que tantas fronteiras se erguem, O Céu da Língua faz o contrário: aproxima. Junta públicos cosmopolitas, emigrantes, estudantes, curiosos e amantes da palavra num mesmo espaço de partilha. A língua, afinal, é o território mais portátil que existe.
A língua portuguesa tem sido, ao longo dos séculos, ponte entre continentes e memória viva de identidades plurais. Ver um espetáculo como O Céu da Língua ocupar palcos históricos da Europa é mais do que um feito artístico: é a confirmação de que a nossa língua continua vibrante, atual e universal. Celebrá-la é celebrar-nos.
De Londres a Paris, a palavra portuguesa sobe aos grandes palcos
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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