ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

1/24/2011

Crónica orquestrada









Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Portal Splish Splash

Lembro-me de um médico meu amigo que, há muitos anos atrás, quando escutávamos música dos Beatles, lançava este (desagradável) comentário: “deitem essa música aos porcos”. Claro que o dito médico, figura grada lá do burgo, adorava música clássica o que eu, naquela altura, também não curtia. Hoje sim, quando tenho oportunidade, fico um pouco preso aos famosos desse tempo áureo, nomeadamente Beethoven, Tchaikovsky, Chubert, Mozart, Chopin, etc., etc.


Hoje, com as mutações do próprio tempo, já existem vários tipos de música, muito “sui-géneris” da actual juventude. Eu, por exemplo, não suporto a Funk, respeitando, no entanto, essa moçada que, no momento, não quer outra coisa. Como disse, tudo tem o seu tempo próprio, mas há músicas antigas que, nos tempos hodiernos, não são esquecidas e, quando passadas nas rádios, fazem recordar a muito boa gente os bons-velhos-tempos.

Sempre adorei música orquestrada. Quando ainda rapazote (entenda-se por adolescente), delirava com as marchas militares do John P. Souza, muito utilizadas em eventos desportivos. Com o decorrer dos anos, surgiram as grandes orquestras, entre outras, Frank Porcell, Paul Mauriat, Glenn Miller, Ray Coniff, James Last. E é exatamente de James Last que quero falar. Um simpático alemão que, em pleno palco, é um autêntico “show” pela forma em como dirige a sua orquestra, composta por mais de cem músicos. Mas, o mais interessante de tudo isto, é o facto de James Last ter feito da sua orquestra uma grande família, convivendo regularmente com os seus músicos e respectivos familiares. Um grande exemplo de humildade e de amizade para com o seu grupo. É por isso que digo, às vezes, que James Last serve de paradigma a outros alemães, por se tratar de uma pessoa de grande abertura, o que não é muito frequente no povo da Alemanha, de acordo com o que constatei “in-loco” nas três vezes que me desloquei àquele país em serviço de reportagem.

De James Last a mágoa de não ter, no ano de 2000, assistido a um dos seus espetáculos nos Estados Unidos. Quando cheguei, para fazer a cobertura da célebre Maratona de NY, não havia bilhetes. Nem pensar, esgotou-se rapidamente. Ainda perguntei pelos “cambistas”, mas, com um sorriso (de quem pensou que eu talvez fosse ignorante), foi-me respondido: “aqui é coisa que não existe”. Acreditei sem vacilo, até porque conheço muito bem como age a polícia americana. Um exemplo para Portugal e Brasil, nomeadamente. Tal como no Brasil, também em Portugal existem muitos “cambistas”. E que “cambistas”...

Já que o tema hoje escolhido foi de música, não posso aqui esquecer, de forma alguma, Shegundo Galarza, já falecido. A orquestra deste espanhol que veio residir para Portugal também maravilhava. De cabelos grisalhos, tal como Last, Shegundo Galarza evidenciava-se pelo seu talento e chegou, inclusive, a dirigir orquestra no Festival da Eurovisão, obviamente em relação ao representante de Portugal. Temos sempre um representante, mas a nossa classificação final deixa sempre muito a desejar, excepto num caso ou outro, como foi, por exemplo, a participação de Simone de Oliveira com a conhecida “Desfolhada”. Quando a Simone era muito mais nova e linda por excelência.

Ainda de orquestras, hoje Portugal tem a Orquestra Ligeira de Cabanas, Palmela (Distrito de Setúbal), formada há sete anos (por aí...) e que participa activamente no espectáculo “Portugal Sempre”.

Paul Mauriat – Jesus Cristo


2 comentários:

  1. Olá meu querido amigo Carlos Alberto!

    Já começastes iniciando brilhantemente com o título" Crônica Orquestrada" e juntando a montagem ilustrativa do Armindo, ficou cinco estrelas.

    Eu na minha juventude não tive oportunidade de conhecer esses grandes clássicos, que passei a ver e apreciar já na minha vida adulta. Concordo contigo, também não gosto de Funk, mas aprecio vários estilos como a música brega do Brasil como Reginaldo Rossi, sertaneja e outros, como também curto vários estilos musicais, mas também não recrimino quem gosta desse ou daquele estilo.

    Que bom Carlos Alberto, a sua profissão lhe deu e lhe dá oportunidades de assistir a concertos e muitas outras apresentações como shows diversos, jogos etc e tal. E os tais classistas que citastes, são muito bons mesmo, mas como não tive a oportunidade de assisti-los, fico conformada e orgulhosa de ver o nosso grande Maestro Eduardo Lages, esse grande músico que conhecemos e que acompanha a orquestra do Rei já faz mais de trinta anos.

    Ele é brilhante e o seu show particular instrumental é um deslumbre pois tive a oportunidade de assistir em Fortaleza e é de de encantar quem gosta de música instrumental.

    Falando em cambista, também fiquei revoltada aqui na semana que estvam vendendo os ingressos do show do Roberto, fui comprar o meu como sempre na área vip e fiquei indignada pois não tinha mais, os cambistas compraram todos pra vender a preços exorbitantes e para assistir de pertinho paguei por mais do dobro do preço normal. Coisa que infelizmente ainda existe no Brasil.

    No meu relato que fiz do show eu citei essa parte dos cambistas, não sei se você leu.

    Parabéns pelo seu relato da sua vivência das canções clássicas e as diversa experiências e opiniões de outros estilos musicais.

    Parabéns ao nosso patrãozinho Mindo, pela ilustração do post e o excelente vídeo na voz de Paul Mauriat, cando Jesus Cristo e que acho deslumbrante, voz linda de morrer!

    Como sempre seus textos são muito bem redigidos e sempre inovandores, cada dia que escreves.
    Foi bom saber e conhecer mais uma crônica por ti elaborada.

    Beijos da amiga.

    Mazé Silva.

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  2. OBRIGADO, uma vez mais, pela sua gentileza. Tento sempre fazer pelo melhor. E é (foi) com esse objectivo que entrei no Splish Splash, à semelhança do que sempre fiz em vários OCS por onde passei, maior incidência em Portugal, incluindo a região Açores que, óbvio, nunca deixou de ser portuguesa, tal como a ilha da Madeira, que eu digo sempre "ilha Jardim" pela sua beleza natural e não por ter um presidente do governo há mais de 30 anos de nome Jardim (Alberto João)e que, segundo ele, só deixará o cargo quando bem entender. Acredito porque a esmagadora maioria do povo madeirense está com ele.
    Um abraço forte.
    Carlos Alberto Alves

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